AGMAR MURGEL DUTRA nasceu em Leopoldina/MG e cresceu em Barbacena, filha do médico Dr. Joaquim Antonio Dutra e de D. Eugênia Murgel Dutra. Publicou, entre outros:  'A Última Lira", "Trovas" e "Cantigas do Fim do Dia". No Rio, morou na Rua Barata Ribeiro, 664, aptº 402 - Copacabana.

 
Decantado eternamente,
o amor em tudo figura:
– ora é bem que cura a gente,      (3º lugar em Corumbá - 1968)
ora é mal que não tem cura...

São modestas as vitórias
que neste mundo ganhei:
criança - um livro de histórias;
e moço - o amor que sonhei.

Em teus olhos - naus perdidas
num mar que muda de cor -
quisera ver respondidas
minhas perguntas de amor.

Minha alma cheia de anelos
sonha um amor diferente:
- Não quer saber desses elos
que unem os corpos somente.

Não existe independência,
mente, pois, quem diz que a tem...
Quer longa ou curta a existência,
- alguém depende de alguém...

Desgraça me deu a graça
desta graça - meu Jesus!
De ter, na minha desgraça,
a graça da Tua luz.

Brinquei outrora de guerra
com bonecos e confeitos.
Mas, hoje, por toda a Terra
brincam de guerra homens feitos...

Talvez defeito ou feitio,
mas tanta gente me ilude
que de tudo desconfio
- até da própria virtude.

No presente ou no porvir
a gente colhe o que faz.
Quem sabe dar e servir
há de viver sempre em paz.

Não te ufanes de ser bravo
nem metido a valentão:
do amor acabas escravo
e a valentia - onde então?

Ao beijar a orla da terra
o mar faz grande escarcéu...
Prefiro por isso a serra,
que em silêncio beija o céu.

Não quero mais os teus beijos
assim dados por favor.
- Eles matam meus desejos,
mas ofendem meu amor...

Você mente quando diz
que me tem um grande amor;
mas isto me faz feliz:
- Minta sempre, por favor...

Pelo bem que me fizeste,
sem nunca exigires nada,;
pela luz que tu me deste;
minha mãe - muito obrigada!

Trocaria a liberdade
e a própria vida também,
só pela felicidade
de fazer feliz alguém.

Dos corações masculinos
que pisei na mocidade,
em vaidosos desatinos...
- Sinto remorso e... saudade.