Albano nasceu no Rio de Janeiro em 22.05.1894. Filho da escritora Júlia Lopes de Almeida e do poeta Filinto de Almeida.

Pela montanha da vida
sobem todos a correr...
É tão ditosa a subida!
E pesa tanto descer!

O tempo corre, apressado,
pois deixa o tempo correr!
Envelhecendo a teu lado
como é bom envelhecer!

Fogem-me os anos, sombrios,
mas não cesso de trovar,
que os poetas são como os rios:
vão cantando para o Mar!

Ando perdido a buscar-te,
e busco, em vão, te esquecer!
Tenho temor de alcançar-te,
por medo de te perder!

Não lastimo, não deploro
minha vida acidentada;
tu me queres, eu te adoro,
não preciso de mais nada.

Por um beijo a minha vida!
Que te quero como um louco!
Perdoa se peço tanto
e te ofereço tão pouco!...

Não furto beijos... que em suma
só furta quem é ladrão!
Mas não sou pobre soberbo
e aceito quantos me dão...

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OBS: 1ª) As quatro primeiras trovas fazem parte do livro "Meus Irmãos, os Trovadores", de Luiz Otávio; a 5ª e a 6ª fazem parte do livro "A Trova no Brasil", de Aparício Fernandes.
2ª)  As duas últimas trovas contém rimas simples (2º e 4º versos). Atualmente exige-se rima também no 1º e 3º versos.