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ÁLVARO de Paula FARIA nasceu no Rio de Janeiro em 1918. Formou-se em Direito e em Ciências Políticas e Econômicas. Foi um dos nomes fortes da Academia Brasileira de Trovas (ABT). Muitos livros publicados. De trovas tivemos: "Trevo de Trovas (1960), Trovadores Brasileiros (1963-Antologia), "Giraflor" (1965) e "Troviela" (1980).

O poeta é um lavra-dor
da pa-lavra posta em verso;
e assim se faz sofre-dor
da dor de todo o uni-verso.

Certo não foi Deus quem fez
um mundo assim tão atroz:
- os que têm voz não têm vez,
os que têm vez não têm voz.

Em singeleza e candura
semelha à flor a donzela:
quanto mais simples, mais pura,
quanto mais pura, mais bela!

Quando a saudade me alcança
na solidão mais intensa,
faço de minha esperança
a luz da tua presença.

Bem pouca gente é capaz
de muito amar sem queixume,
de ter amor e ter paz,
de ter amor sem ciúme.

Mais pobre do que não ter
nem mesmo pão em seu lar,
é ter muito a receber
e nada ter para dar.

Se for liberto o solteiro,
se o casado escravo for,
não há melhor cativeiro
que ser cativo de amor.

Vivem um drama completo
de desespero e de dor,
os que têm sede de afeto,
os que têm fome de amor.

Amar-te foi minha crença
e acabei desiludido;
pois teu amor não compensa
nem mesmo o tempo perdido.

Os duros golpes da sorte
recebo com galhardia.
Até me fazem mais forte
na luta de cada dia.

A Dadá é muito dada,
coração melhor não há.
Mas eu insisto e a danada
só promete e nada dá...