ANA MARIA MOTTA uma das mais experientes e mais competentes trovadoras da UBT de Nova Friburgo e do Brasil. Mineira da pequenina cidade de Caraparaó, onde nasceu, em 20 de dezembro de 1936, filha de Flausino Motta e Paulina Soares da Motta. Elabora, com a mesma intensidade, trovas líricas, filosóficas e humorísticas, conforme o leitor atestará nos momentos seguintes.

Você nem sabe a ventura
que me traz seu bem-querer:    (Nova Friburgo 2003)
se é paixão ou se é loucura,
eu não quero nem saber!

Planejo a carta e o maldoso     (1º lugar Local Friburgo 1999)
orgulho logo desponta
E caneta de orgulhoso
não tem tinta e não tem ponta!

 Da tua ausência estou farta
(ensaio a mensagem breve)...     (Nova Friburgo 1999)
meu coração dita a carta,
mas o orgulho não escreve!

Volto a contemplar a esmo,
ao luar, o meu recanto,               (Pouso Alegre 1999)
o luar parece o mesmo,
mas o lugar mudou tanto!...

Timidez, irmã do medo,
sabe tão bem me conter,
que me faz guardar segredo          (Niterói 1999)
do que mais quero dizer!...

Por duas frases trocadas         (2º lugar munic. Friburgo 1998)
e um só orgulho depois,
estão todas as calçadas
estreitas para nós dois..

Calçada do meu recanto,       (3º lugar munic. Friburgo 1998)
se eu voltar a te pisar,
a saudade pesa tanto
que é capaz de te quebrar.

Qual poema improvisado,
nosso amor se transformou,    (3º lugar municipal Friburgo 1995)
num verso de pé-quebrado
que o destino publicou.

Na porta o trinco a girar...
No peito, um sino em repique...
Não basta você chegar;          (Vencedora Elos Clube SP 1992)
Deus queira que você fique!

Agonia é ver teus passos      (1º lugar municipal Friburgo 1992)
numa pressa que alucina,
e saber que, noutros braços,
a tua pressa termina !

É um poema à tarde breve
que agoniza em meu quintal:      (Nova Friburgo  1992)
o teu jeans toca, de leve,
meu vestido no varal.

Adeus - expressão ingrata      (Nova Friburgo  1991)
que a vida um dia inventou,
e a gente, na mesma data,
sem querer, patenteou!

Modista das estações,
num traje verde-hortelã,       (2º lugar em Ribeirão Preto - 1991)
a flora prega botões
no vestido da manhã!

Um caráter mal formado      (2º lugar Friburgo "local" 1990)
em desculpas se resume :
Faz do destino o culpado
dos erros que não assume.

Prazer no vício... Onde a graça       (Friburgo 1990)
de um destino mais ameno?
- Nada vale o ouro da taça
se o conteúdo é veneno !

Coração - Casa em ruínas,       (Nova Friburgo  1989)
onde a espera se instalou,
e o adeus rasgou as cortinas
que a saudade costurou!

Se sofrer é, realmente,            (Menção Especial UBT Rio de Janeiro - 1986)
tão ruim como se diz,
por que existe tanta gente
tentando ser infeliz?!...

Nas quedas, não desistir          (Niterói  1985)
Ter esperança. . . Tentar!.
- O pior não é cair,
mas não querer levantar!

Não há vidas sem amores...        (Nova Friburgo  1984)
Noite não há sem o dia...
nem arco-íris sem cores...
nem Friburgo sem poesia.

De saudades andam fartas
as cartas que estou mandando,     (Niterói  1982)
não cabe nas mesmas cartas
o amor que está te esperando.

Entre um suspiro e um lamento     (Nova Friburgo 1981)
é constante o meu sofrer,
pois morro a cada momento,
com medo de te perder.

Por capricho ou por maldade,      (Sete Lagoas  1980)
partiste... Não vais voltar...
E o que faço da saudade
que ficou no teu lugar?

Fica um só momento ainda!         (Nova Friburgo  1978)
Não importam teus deslizes:
afinal, é sempre linda
toda mentira que dizes.

Meus pecados reconheço,
meu São Francisco bendito:                
(Taubaté  1965)
não me dês o que mereço,
mas sim o que necessito... 

Vou dar-lhe um beijo amoroso,
mas, por favor, não se oponha!
- Se beijar é vergonhoso,
quero morrer de vergonha!

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     HUMORÍSTICAS

O suspiro está perfeito,
mas é tão pequenininho                    (1º lugar municipal, Friburgo, 2009)
que deve ter sido feito
com ovos...de passarinho!

Ela cozinha. Ele, em torno.                          (Nova Friburgo  2009)
Preparam suspiros novos:
enquanto ela aquece o forno,
ele vai batendo os ovos!

Do nudista Zé Peçanha,                                  (Nova Friburgo  2000)
na Colônia de Ilha Bela,
a moleza era tamanha
que batia na canela!

Tomou viagra o bastante
para encher uma cacimba
e tem pressa; a todo instante,                               (Nova Friburgo 1999)
bobeou... o velho - pimba!

- Vem sem pressa, queridinha!..                    (Nova Friburgo 1999)
Pede o velhinho sem jeito:
- Tomei viagra agorinha;
ainda não fez efeito!...

Apanhou tanto a Raimunda                         (7º lugar Nova Friburgo 1998),
numa briga com a vizinha,
que, um ano depois da tunda,
a "rima" tava roxinha!

De uma briga, o Zebedeu                                (Nova Friburgo 1998)
foi livrar o seu pupilo
mas em troca, recebeu
um bom pontapé "naquilo"!

- Eu gostaria de ver                             ( 1º lugar Friburgo, âmbito local 1997)
um fantasma - a sogra fala.
E o genro, sem se conter:
- Tem espelho ali na sala!

Um pistoleiro fantasma                      (2º lugar Friburgo, âmbito local 1997)
assombrou tanto a Carola,
que a coitada ficou pasma
com o tamanho da pistola.

Dentro do armário, um gemido       (Nova Friburgo  1997)
eriçou tudo que é pelo...
Era um "fantasma" escondido
que batera o cotovelo!

Enquanto a "boa" se banha,              (1º lugar municipal Friburgo 1995)
a fofoqueira enciumada,
diz: "É pena que piranha
nunca morreu afogada!"

Vendo a caipira agitada
- "É carma" explica o guru.     (3º lugar municipal Friburgo 1992)
E o caipira: "É carma nada;
É nervosa prá chuchu !..."

De cama encontrei Maria
com Dengue. Como é que pode ?       (Nova Friburgo  1992)
Até hoje eu não sabia
que Dengue usava bigode!...

Pra barata foi bem chato       (Nova Friburgo  1991)
descobrir que a baratinha
anda curtindo um barato
pelos cantos da cozinha!

Ferramenteiro, o Marcelo,       (Nova Friburgo  1991)
em quem acredito a custo,
diz que inventou um martelo
que serve pra pregar susto.

Confusa ficou Talita                           (co-vencedora UBT Rio de Janeiro - 1991)
ao perguntar ao filhinho:
“Você sabe o que é tablita?”
E ele: “É a mãe do tablitinho!”

É tão roxa por novela,     (2º lugar Friburgo "local" 1990)
a mulher do Serafim,
que, se alguém chama por ela
ela responde: - Plim-plim !

Plantou uva a vida inteira...
E a mulher dele, - coitado! -            (Garibaldi/RS  1990) 
tem mania de parreira:
- É "cacho" pra todo lado!

Com greves, o Juvenal,
dá-se sempre muito bem:        (Nova Friburgo  1989)
se faz greve a "filial",
a "matriz" até que nem...

O papagaio do Andrada               (Nova Friburgo  1988)
capricha no palavrão,
sempre que vê a empregada
pondo "louro' no feijão!

Quando a mulher foi chegando,            (Nova Friburgo  1988)
o cara perdeu a fala,
pois trazia um "contrabando"
tossindo no porta-mala!

A viúva, irreverente,
contava tanta piada,
que o 'defunto' de repente       (Nova Friburgo  1986)
gritou bem alto: -CALADA!

Quando vejo um tubarão,
eu me arrepio, me encolho.       (Nova Friburgo  1986)
Por isso é que o camarão
tem sempre as barbas de molho!

Levou um choque o Rolando,        (5º lugar Porto Alegre 1985)
que não passa de um soldado,
vendo a mulher segurando
num cabo “desencapado”!

Com um ciúme tremendo,
o galo teve um desmaio,
porque a franga anda sofrendo    (1º lugar municipal Friburgo 1984)
de bico-de-papagaio.

Não tem ciúme o Monteiro,         (Nova Friburgo 1984)
mas ficou fulo da vida,
quando viu o jardineiro
pondo a mão na Margarida!

"Pula cerca" volta e meia...
Mas se o marido descobre,          (Nova Friburgo 1984)
a coisa fica mais feia
do que mudança de pobre!...

Vendo um magro na balança       (Nova Friburgo 1982)
e o ponteiro "paradão",
o gordo, afagando a pança:
- Quantos gramas, meu irmão?...

É tão "fraco" o Xavier,
que ao chegar embriagado,      (Nova Friburgo 1979)
explicou para a mulher:
- foi trânsito "engarrafado"!...

Ganha tão pouco o Ademar        (Nova Friburgo 1971)
na profissão de engraxate,
que a mulher, para ajudar,
anda fazendo biscate...

O Doutor não é otário
e tem dinheiro de sobra,        (Nova Friburgo 1971)
pois, sem ser veterinário,
mata, cobra, cura, cobra...

Ao ver um índio passar
com seu cocar grandalhão,
pôs-se o pirralho a gritar:
- Olha, mãe... Que petecão!