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    (Aparecido) Elias Pescador, o Poeta Pescador, nasceu em 4 de março de 1959 em São Paulo, capital. Filho de Arnaldo Pescador e Amélia Elias da Silva Pescador. Foi criado, durante parte da infância e adolescência, pelos avós e tios maternos.
    Contador e economista formado pela PUC-SP, hoje aposentado.
    Dedica-se à literatura desde os 12 anos de idade, quando começou a acompanhar o seu tio João Elias, nas reuniões e eventos literários.
     Desde 1982 realiza intensa atividade cultural. Até o ano 2000 participou de várias entidades: União Brasileira de Escritores (UBE), União Brasileira de Trovadores (UBT), Casa do Poeta “Lampião de Gás” (SP), Academia Juvenil de Artes (Grupo AJA-SP), e muitas outras. Atualmente retorna às participações.
     Possui inúmeros prêmios literários. Em tempos remotos, na década de 1980, devido à sua intensa atividade, foi laureado por relevantes serviços prestados à sociedade e recebeu o título de “Amigo da Cultura”.

”Arô, aro”, diz Tawada,
da loja que tudo empresta...
“Não arou foi quase nada,
que o teu arado não presta!” 
 
“Eu lá em casa sou leão!”
dizia bravo, o vizinho... 
Mas “ao pau-de-macarrão”, 
O leão virou gatinho!...
  
Chave à mão, em frente à porta,
um bêbado a reclamar:
“Se essa fechadura é torta,
como vou poder entrar?...” 
 
Foi tão grande o meu tormento
por amor e desventura,
que pensei por um momento
procurar quem me procura. 
 
A vida, na sua essência,
nasceu de simples enredo.
Contrariando a ciência,
é perfeição sem segredo. 
 
Qual longa lança de prata
ferindo o denso negrume,
a alvorada, filha ingrata,
mata a noite com seu lume. 
 
Mazzaropi foi amante
do cinema brasileiro,
que provou ser um gigante
aos olhos do mundo inteiro. 
 
Vila Lobos, a batuta
deixou mágico rastilho
que o bom músico disputa 
mas não encontra igual brilho. 
 
É sublime sinfonia
feito suave colibri:
Carlos Gomes, harmonia
com magia, o Guarani. 
 
Era uma vez nesta terra,
um povo tão bestial
que entre si fazia guerra,
destruindo a própria “nau”. 
 
Pipas no ar, sonhos à mão,
na extensão de uma inconstância,
quando os versos da ilusão
viram páginas da infância.
  
Os laços de uma amizade
não desatam, não tem fim...
São os versos da saudade
que moram dentro de mim. 
 
Era uma vez um menino
que nasceu sem ter nobreza,
mas nos deu amor divino,
qual não há maior riqueza. 
 
Roubo velhos sentimentos
do passado, sem maldade,
porque são doces momentos
condenados à saudade. 
 
Toda a vez em que cantava
seu Quilombo revivido,
a mãe negra se algemava
a todo um povo sofrido. 
 
Às vezes, quando cantava
cativeiro revivido,
negro avô sempre lembrava
saga de um povo aguerrido. 
 
Lá na ponte da esperança, 
sentindo a vida passar,
viaja minha lembrança
no sonho de retornar. 
 
Um espocar de champanha
que marcou os nossos elos,
é lembrança que acompanha
nossos momentos mais belos.
  
Caminhando pela rua
eu paro e faço uma prece,
a essa gente quase nua
que pelo mundo padece. 
 
Champanha espuma de prata
nos uniu com tal desvelo
que recordo hoje esta data
na prata do teu cabelo. 
 
Espantalho da lembrança
fincado em mágoas do amor,
assombra a minha esperança
mas não espanta esta dor. 
 
Saudade é ferida ungida
que cura até dissabor
porque o que fica da vida
são certos gestos de amor. 
 
O negro tem liberdade!...
Este é outro falso preceito
- Liberdade de verdade
não se faz com preconceito!... 
 
Quando a esperança ainda resta,
o sonho nunca tem fim...
Se não posso ter floresta,
quero ao menos um jardim. 
 
Depois de tanta ferida, 
depois de tanto talvez,
talento é fazer a vida
recomeçar outra vez.
  
Parei de novo na praça,
a lembrar o que foi meu...
Parece que nada passa,
e só quem passou fui eu... 
 
Ainda insiste a despedida
em ferir minha memória,
naquela praça que a vida
persiste em gravar na história.
  
Ao ter da vida um retrato
a própria vida nos diz
que só é feliz de fato
quem faz outro alguém feliz!...

Pipas no ar, sonhos à mão,
na extensão de uma inconstância,      (Menção Especial SP, 1990)
quando os versos da ilusão
viram páginas da infância.

Na lembrança este espantalho
do meu ontem mais tristonho,
por magia pega o atalho
e espanta todo o meu sonho.

A alma desfeita em rumores
aprisiona o amor em mim
se os desejos são senhores
de um ontem que não tem fim...