AUTA DE SOUZA  nasceu em Macaíba/RN, a 12 de setembro de 1876, filha de Elói Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina Rodrigues e faleceu em 07 de fevereiro de 1901, em Natal, com apenas 24 anos. Irmã dos políticos norte-riograndenses Elói de Souza e Henrique Castriciano.Uma vida marcada pelo sofrimento. Órfã desde os 4 anos, quando perdeu os pais por tuberculose (a mãe aos dois anos e o pai aos quatro), mal que iria também acometê-la aos 14 anos, e que igualmente lhe ceifaria precocemente a vida. Foi criada por sua avó Dindinha, numa chácara em Recife. Presenciou ainda, aos doze anos, um irmão ser devorado pelas chamas, pela explosão de um candeeiro.  Savou-a a Fé, confortou-a a Poesia.  Segundo palavras de Henrique Castriciano, ao morrer, "naquele corpo desfeito, tão leve que uma criança pudera conduzir, havia agora um coração resignado de mártir, sentindo profundamente o nada da vida, mas sem horror à morte. Realizaram-se o seu desejo:
          “Não vês? Minh’alma é como a pena branca
          “Que o vento amigo da poeira arranca
          “E vai com ela assim, de ramo em ramo,
          “Para um ninho gentil de gaturamo...
          “Leva-me, ó coração, como esta pena
          “De dor em dor até à paz serena.”
                    AUTA DE SOUZA

     Em sua lápide foi gravado, 50 anos depois, um epitáfio com estes seus versos:
"Longe da mágoa, enfim no céu repousa
Quem sofreu muito e quem amou demais."
Em 1900 publicou seu único livro, Horto, cujo prefácio foi escrito por Olavo Bilac.

Quando eu morrer, vou assim:
Sustendo meu coração...
Saudade da terra?  Sim!
Saudade da vida?  Não!

Colhi, entre amigos meus,
este conceito profundo:
- Mãe é um sorriso de Deus
nos sofrimentos do mundo.

Eu quero bem às crianças
porque não sabem mentir:
são pombas lindas e mansas,
passam na vida a sorrir.

Obssessão de quem ama,
ninguém consegue entendê-la:
parece vaso de lama
encarcerando uma estrela.

Ofensa, pedrada, espinho,
injúria, maldade ou lama...
Tudo vence, no caminho,
o coração de quem ama.

Da estrela à raiz da erva
vibra esta lei do Senhor:
o tempo apenas conserva
o que se faz por amor.

Tribulações de alma aflita?...
Esquece, fazendo o bem;
Deus é a bondade infinita,
não desampara a ninguém.

A morte não vence a vida,
por muito que a desarrume.
Tomba a rosa fenecida,
o céu recolhe o perfume.

Tenho a luz dos dias meus
nesta sentença concisa:
coração entregue a Deus
tem tudo de que precisa.

Embora desiludida,
alma cansada e sincera,
por muito te doa a vida,
não desanimes!... Espera!

Segue o ideal que te aquece,
serve ao bem, seja onde for;
trabalho que permanece
é o que se faz por amor.

Ama e serve, sofre e luta...
Sem lâmina que a sublima,
a pedra largada e bruta
nunca seria obra-prima.