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​​"VAMOS FAZER UM CONCURSO DE TROVAS?"

    Quantas vezes esta frase, dita em meio a uma reunião de Seção ou Delegacia da UBT, não se transforma em mais um grande evento da Trova? Mas, como é que vamos fazer um Concurso de Trovas?...

     Luiz Otávio, no "Trovas e Trovadores", estabeleceu regras completas, detalhadas e, a nosso ver, um tanto "extensas" para se fazer um Concurso de Trovas. Como sempre, muito minucioso, desceu a detalhes os mais variados. Acreditamos que hoje, graças ao tempo decorrido, ao grande número de Concursos e à experiência adquirida por todos, o que se pode fazer é uma adaptação reduzida, para dirimir dúvidas e elucidar situações e, quem sabe, colaborar na realização do Concurso. Não é nossa intenção, e muito menos da UBT, estabelecer normas rígidas ou enumerar itens obrigatórios; o que se pretende é apenas e tão somente "orientar" e, se for possível, "padronizar" o máximo que puder, os Concursos, respeitando sempre a total independência e as caracteríscas das Seções e das Delegacias da UBT.

DOS CONCORRENTES

     De maneira geral os Concursos são abertos "a todos que queiram dele participar, desde que o façam em Língua Portuguesa" (embora já tenhamos Concursos para Língua Hispânica) mas, pode haver certas restrições à participação. É o caso de um Clube que faz um Concurso destinado aos Sócios do Clube, ou uma Academia que faz um concurso exclusivo para os Acadêmicos. Há os Concursos que podemos chamar de "seletivos". Por exemplo, o "Intersedes", que se destina exclusivamente a Associados de Seções e/ou Delegacias da UBT; há o Concurso para os "Magníficos Trovadores" em Nova Friburgo e o Concurso para os "Notáveis Trovadores" em Pouso Alegre.

DO ÂMBITO DO CONCURSO

     Os Concursos, de modo geral, podem ser de Âmbito Municipal (para concorrentes domiciliados no município de origem do Concurso); de Âmbito Estadual (para concorrentes domiciliados no Estado de origem do Concurso); de Âmbito nacional (para concorrentes do Brasil e do Exterior); e, ainda, de Âmbito Regional, quando o regulamento estabelece temas diferentes para as Regiões do Brasil: Norte, Centro Oeste, Sudeste, etc. Quando os Concursos são realizados com vários destes âmbitos, cada concorrente só pode participar de um deles, justamente o determinado por seu domicílio.

DO TEMA

     A escolha do(s) Tema(s) de um Concurso pode depender de vários fatores (nome da cidade, data histórica, vulto destacado, nomes, etc.). Sem entrar muito em detalhes, aconselhamos escolher palavras que possam oferecer ampla e, quanto maior melhor, possibilidade de idéias a serem exploradas poeticamente, seja de forma lírica, filosófica, educativa ou de "homenagem". Alguns Concursos não permitem o uso de derivados ou palavras cognatas, outros, exigem que a palavra-tema conste da Trova. A menos que isso seja uma imposição qualquer (como de um patrocinador), acreditamos que cerceia a veia poética e criativa do concorrente e, até certo ponto, torna o Concurso "monótono" pela repetição do Tema, além de favorecer o aparecimento de Trovas "muito parecidas"; é bom lembrar que há Trovas belíssimas com o tema subentendido.

     Concursos de "homenagem" ou "comemorativos" podem apresentar temas áridos e difíceis. Promotores poderão usar, se possível, temas que "lembrem" ou "seja referência" aos homenageados ou às datas, e fazer a homenagem propriamente dita, dando ao Concurso o nome do(a) homenageado(a). É bom lembrar que Temas "muito regionais" não são recomendáveis, por não serem de uso comum para a grande parte dos concorrentes, a não ser em âmbito regional.

DO LIMITE DE NÚMERO DE TROVAS

     Não há um limite básico ou recomendável de "Trovas por concorrente", deixando de fora, claro, a possibilidade de fazer um Concurso "sem limite de Trovas por concorrente"... O que se tem observado é que o número que mais se aproxima do ideal é três Trovas. Mas é claro que cinco Trovas não é um absurdo e que apenas uma Trova é normal. Claro que essas quantias são por Tema.

DO SISTEMA DE REMESSA

     No Brasil o sistema adotado desde muito tempo é o chamado "sistema de envelopes", que consiste em: - datilografar/digitar a Trova na face externa de um pequeno envelope de aproximadamente 7/11 cm, tendo, acima da Trova, o Tema a que concorre. - colocar dentro deste envelope um papel com: nome e endereço completos, mais a assinatura. E outros dados de identificação que achar necessários. - fechar esse envelope (colar) para remessa. - colocar o(s) envelope(s) com as Trovas em outro, maior, para a remessa, endereçado ao Concurso. Esse envelope não deve ter nenhuma identificação do remetente. Se não houver instruções específicas, usar como remetente "Luiz Otávio" e repetir o endereço do próprio Concurso.

DO PRAZO DE REMESSA

     O Regulamento do Concurso determina o prazo de duração do mesmo. Geralmente o prazo-limite citado é o do carimbo do Correio. Tem-se tentado, e muitos Concursos já adotaram, contar o prazo para "Trovas chegadas até...".

     A UBT Nacional solicita que os Concursos tenham pelo menos três meses para a remessa das Trovas, e que os Regulamentos sejam remetidos à Secretaria Nacional até, no máximo dia 25 do mês anterior ao início deste prazo, para publicação no Boletim Nacional. É interessante também que o prazo termine no último dia útil do mês. EXEMPLO = A Seção ou Delegacia remete o regulamento para a Secretaria Nacional até o dia 25 de junho. O prazo do Concurso deverá ser, no mínimo, até 30 de setembro.

DA SELEÇÃO DAS TROVAS RECEBIDAS

     O Concurso pode até não fazer seleção das Trovas recebidas mas isso é recomendável. Há duas formas de seleção e o Concurso adotará a que achar mais conveniente, formando uma Comissão de Seleção que deverá ter entre três e cinco componentes.
     - Seleção de Correção = A Comissão elimina apenas as Trovas com erros, fora do Tema, sem sentido, etc. Ou seja, elimina as Trovas erradas, sem preocupação de qualidade.
     - Seleção de Qualidade = A Comissão, tendo em vista o número de Trovas a serem premiadas, estabelece quantas serão as Trovas finalistas e, a partir daí, seleciona as Trovas recebidas. A sugestão é de que sejam, no mínimo, cinco vezes o número das Trovas que serão premiadas.

DO JULGAMENTO

     O número de componentes da Comissão Julgadora é variável e fica a critério dos promotores. A prática tem demonstrado que um número ideal de julgadores é sete para cada Tema. Se possível, a Comissão deve ter um número percentual bem aproximado de Trovadores e de Trovadoras, e estes devem ser de cidades diferentes. Quando há âmbito municipal, estadual ou regional, a Comissão Julgadora deve ser formada por Trovadores/as de outras cidades, estados ou regiões e, os/as Trovadores/as da cidade que promove o Concurso julgarão o Tema nacional. As trovas recebidas, depois de selecionadas, devem ser numeradas (no próprio envelope recebido) e datilografadas/digitadas em ordem numérica para remessa à/s Comissão/ões Julgadora/s, acompanhadas de uma carta solicitando a data de devolução do VOTO que deve estar na carta, com: o nome do Julgador, a cidade, data de devolução, Tema, número de Trovas a serem votadas, notas a serem atribuídas, assinatura do julgador e espaço para análises e comentários. Anexar o envelope selado para a devolução é sempre de "bom tom"!. O número de Trovas que serão votadas depende do números de Trovas finalistas. Considera-se 30% um bom percentual.

DA APURAÇÃO

     Recebidos todos os votos dos Julgadores, em todos os Temas, deverá ser formada uma Comissão de Apuração com pelo menos três componentes, que se reunirão para apurar o Resultado Final, munidos de um Mapa de Apuração. Lançadas todas as notas, de todos os Julgadores e apurados os Totais, tem-se a classificação final do tema e, por conseqüência, do Concurso. Quando houver um empate entre duas ou mais Trovas no total de pontos, o desempate se dará levando-se em conta a maior nota individual de cada Trova. Se após a apuração persistir algum empate, cabe ao presidente da Comissão Apuradora proceder ao desempate, sempre antes de serem abertos os envelopes com as Trovas.

DA IDENTIFICAÇÃO

     Terminada a Apuração, será feita a identificação dos premiados, abrindo se os envelopes e, à medida em que forem sendo abertos, escrever no próprio envelope o nome do/a Trovador/a e sua classificação. O Resultado apurado só deverá ser ratificado após a verificação que veremos a seguir.

DA VERIFICAÇÃO

     Antes de oficializar o Resultado, é bom verificar se não houve irregularidades. Abrir todos os envelopes recebidos (inclusive de Trovas erradas) para ver se nenhum concorrente ultrapassou o limite de Trovas do Regulamento pois, nesse caso, terá todas as suas Trovas anuladas.

DA COMUNICAÇÃO E DIVULGAÇÃO

     A Classificação deve ser comunicada aos premiados, recomendando-se a seguinte forma: Carta com a classificação, mencionando a Trova premiada. Na mesma carta pode-se, quando for o caso, fazer o convite para a Festa de entrega de prêmios, mencionando se há hospedagem, além do programa da Festa, o hotel, endereços e telefones para contato. Ao mesmo tempo deve ser feita comunicação à Secretaria da UBT Nacional através de carta, relacionando: Nome do Concurso; Temas, classificações com os nomes dos premiados, suas cidades e Estados de domicílio, além de outras informações que possam ser de interesse para a divulgação no Boletim Nacional.

DA FESTA DE ENTREGA DE PRÊMIOS

     Há inúmeras formas de efetuar uma...Festa de Entrega de Prêmios... Tudo dependerá das possibilidades de quem promove o Concurso. Pode até não haver festa. Remete-se os Diplomas, Troféus ou Medalhas pelo Correio e... pronto! Ou, recebe-se os premiados em local e hora previamente marcados e faz-se a entrega. Mas, quando há possibilidade, oferece-se hospedagem, almoço, passeio, sorteio de brindes, Palestra, Missa em Trovas, baile, eleição da Musa do Concurso, etc.

     Atenção, é importante a Palestra em Trovas. Pode-se convidar um/a Trovador/a premiado/a (evita-se despesas) e, também é importante, essa palestra não deve ultrapassar quinze minutos de duração Também é ideal que se faça um Livreto do Concurso, com as Trovas premiadas, autores, classificações e todas as informações adicionais, tais como: Comissões Julgadoras, total de Trovas recebidas, etc. Se não, faz-se uma "plaquete". O importante é que o resultado do Concurso fique devidamente documentado. No Diploma (muito importante) deve constar o nome do Concurso com nome e classificação do Trovador, e a Trova premiada (pode ser na frente ou no verso).

DA AVALIAÇÃO FINAL

     Aconselha-se aos promotores de Concursos que, após o seu encerramento se faça uma reunião de todos os envolvidos para uma análise e avaliação mais detalhada do que foi feito. Com isenção de ânimos e ponderadamente colocando as conclusões em um relatório final. Pode-se dizer que: "O próximo Concurso começa no dia seguinte ao término do atual"! Essa análise e esse relatório servirão para que se melhore cada vez mais o padrão dos Concursos.

CONCLUSÃO

     Reiterando: não é nossa intenção, nem da UBT Nacional estabelecer "regras" para a realização de Concursos de Trovas. O que se pretende é orientar e, quem sabe, padronizar. Por exemplo: não falamos de dois pontos essenciais =

REGULAMENTO e CLASSIFICAÇÃO.

     Todos sabem que o Regulamento deve conter as informações básicas e necessárias aos que vão concorrer e, se possível, fornecer todos os detalhes. Assim sendo, deve ter: - Nome do Concurso (se houver necessidade explique o porquê do nome). - Âmbito e Tema, definindo se são líricos, filosóficos, humorísticos, etc. - Número máximo de Trovas por concorrente. - Sistema de remessa (mesmo que seja o tradicional "sistema de envelopes"). - Prazo para remessa das Trovas (explicar se "carimbo do Correio" ou "chegadas até"). - Endereço completo e detalhado para a remessa. - Todos e quaisquer outros informes que possam ser úteis aos concorrentes. Forma, divulgação e distribuição são responsabilidade dos promotores. É claro que o Boletim Nacional da UBT e os "jornais da Trova" são sempre os melhores veículos de divulgação, mas existem jornais, revistas, rádio, mala direta e, principalmente, Internet.
     Quanto à Classificação, o tradicional é: Vencedores, Menções Honrosas e Menções Especiais, mas alguns concursos já adotaram só: "Vencedores", estipulando o total de Trovas premiadas e publicando-as por ordem alfabética de autores. O critério é dos promotores dos Concursos, bem como a definição do número de Trovas premiadas e seus prêmios.
     A UBT Nacional solicita a todos que façam comentários, críticas e sugestões sobre este "Mini Manual de Concursos de Trovas", O "Falando de Trova" se encarregará de encaminhá-los à Secretaria Nacional da União Brasileira de Trovadores. O objetivo maior é buscar sempre o aprimoramento dos Concursos porque assim estaremos trabalhando pela divulgação da Trova e da UBT. E, como diria Luiz Otávio: "estaremos fazendo um bom trabalho!"