(matéria aborda a participação em concursos de trovas, via internet)
​Texto de Elisabeth Souza Cruz

 

Fiel Depositário - Honra para quem for escolhido para a missão...



A pergunta foi feita pelo ilustre amigo, Magnífico Trovador José Ouverney – “Quando é que Nova Friburgo introduzirá o fiel depositário em seus concursos?” Na atual missão de presidente da seção friburguense, cabe-me adiantar que, por enquanto, manteremos o sistema de envelopes. Não se trata de radicalismo ou de uma atitude démodé.



Pode ser que para o participante esteja cansativo preparar os envelopes e ir ao correio postar a remessa, tendo as facilidades da Internet. Outro agravante é ficar na expectativa se chegará no prazo ou, pior, se não extraviará. Para o concorrente que envia por email é uma tranquilidade – digitou as trovas e com apenas um clique, adeus preocupações. Mesmo que haja erro na digitação do email do fiel depositário, o remetente tem a chance de conferir, em sua própria caixa de mensagens se a remessa seguiu corretamente. As garantias de êxito no envio e chegada são 100% confiáveis.



Realizar Jogos Florais envolve diversos rituais, comuns a todas as seções como - organizar os concursos, pensar a programação, os prêmios, as hospedagens, mais uma infinidade de requisitos e até lidar com os imprevistos, já que esses são os inevitáveis.



Inegavelmente, é o concurso a razão primeira, de onde se desenrolam as demais ações. Manter ainda em Nova Friburgo o sistema tradicional de envio não é decisão vazia de bons motivos para continuarmos com as delícias dos envelopinhos. Recebê-los, manuseá-los, sentir o peso e a leveza de suas mensagens são coisinhas adoráveis para nós. Encurtando esse derramamento de explicações, quando é chegado o dia da apuração, quando fazemos uma festa, eles, os envelopinhos, ficam em destaque sobre a mesa apuradora.  Uma vez concluído o resultado, as emoções começam a esquentar.



São muitos episódios emocionantes ao longo da história. Em 2008, por exemplo,  havia uma grande torcida entre nós para que o trovador José Ouverney se tornasse  Magnífico. O tema Escolha era o depositário de uma esperança, até porque não era a primeira vez que o “Zé” galgava a conquista do título. Começamos a abrir os envelopes pelas menções especiais e terminada a abertura das honrosas, as chances estavam diminuindo, mas íamos adiante, cruzando os dedos. Abrimos o quinto, nada... O quarto nada... No terceiro lugar a aflição aumentava. No segundo, que desespero – Mas cadê o Zé? Que tristeza, que tensão! Faltava apenas um. Éramos em torno de vinte pessoas, atentas ao corte da tesoura, que deslizava no envelopinho como navalha na carne. Era tudo ou nada e quando se desdobrou o papelzinho, não deu outra – José Ouverney de Pindamonhangaba!!! Ah... Que alívio, que festa! Combinamos um coral e fomos todos para a minha sala de computador, estreita para tanta gente. Eu liguei e Nadinha chamou o Zé e nós todos gritamos vivas e mais vivas. Foi como vencer a Copa do Mundo. Inesquecível!



Em 2015, tema Mensagem, outro episódio marcante. Campos Sales estava na conquista do título, nas líricas. Até a quarta colocação, nada do trovador do campo. Quando abrimos o terceiro lugar – Campos Sales! Aplausos, vivas, muita satisfação. Segundo lugar – idem. Primeiro Lugar – Idem! Maravilha! Idem, idem, idem! Inusitado.



Neste ano de 2017, mais uma avalanche de inquietação e felicidade. Arlindo Tadeu Hagen concorria a Magnífico nas humorísticas. A  tortura não foi diferente, pois, a partir das menções honrosas, nada de Tadeu... A cada envelope aberto ficávamos felizes com as classificações dos demais, contudo, apreensivos com a ausência do muso da Tetê. E, a partir do quinto, as chances se estreitavam e a torcida aflita... Coube-me pular de alegria, ao anunciar, depois da abertura do último envelopinho – Pessoal, em primeiro lugar – Arlindo Tadeu Hagen, de Juiz de Fora - Minas Gerais! Arlindo, lindo! Que sensação indescritível!



Entre frustrações por todos que ainda não conseguiram suas classificações, entre as alegrias das conquistas de um “Oscar da Trova”, a festa dos envelopinhos é uma centelha de luz para o nosso trabalho. Porém, como coisa alguma é para sempre, as mudanças estão aí, subindo a serra a todo vapor e, um dia, a modernidade há de pegar o trem da trova para Nova Friburgo. O futuro é uma caixinha de surpresa que se abre com a mente aberta às novidades.  Fatalmente, a transformação chegará, mas, como diz nossa experiente trovadora Clenir Neves Ribeiro – nós ainda estamos pelo coração, não pela razão!



Encerrando esta conversa, durante esses 58 Anos de Amor à Trova, desse amor que fez de Rodolpho Abbud o maior de nossos loucos, uma trova de Gerson Souza...



Sei que os motivos são poucos,

sei que as razões também são,

mas esse amor nos faz loucos

e loucos não têm razão!





Em tempo - Nesta oportunidade, agradeço por ter sido escolhida para a missão de Fiel Depositária para o V Concurso de Jogos Florais de Camboriú - 2017 A responsabilidade me valeu uma experiencia gratificante.
 

NOTA = Elisabeth Souza Cruz, jornalista, poetisa e escritora, é presidente da UBT, seção de Nova Friburgo