Homenagem Wanda de Paula Mourthé

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(texto de José Fabiano, mineirim de Uberaba)





“UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES

UBT / BH 

Homenagem à Trovadora Wanda de Paula Mourthé 

14 de agosto de 2006

Belo Horizonte – MG 

 

SAUDAÇÃO 

      Ao saudar a minha homenageada, espero fazê-lo, também, em nome dos demais colegas de nossa UBT local.

      Diz ter nascido em Miraí (MG), berço natal do talentoso compositor Ataulfo Alves, em 15 de julho de 19??, mas mudou-se ainda criança para Belo Horizonte.

      Wanda de Paula Mourthé destaca-se pela retidão de caráter, peculiar elegância, extraordinário talento poético e por outras reconhecidas virtudes que lhe exornam a personalidade.

      Tem um currículo invejável, que vai desde sua formatura em Inglês e Matérias Pedagógicas, pela Faculdade de Letras tradicional UFMG, à licenciatura e mestrado, nesta Capital e no exterior. Residiu por algum tempo e lecionou em Argel (Argélia) e em Paris (França). Foi consultora da UNESCO em Angola, onde ministrou aulas de português para professores angolanos.

      Filiada à UBT de Belo Horizonte, ocupa lugar de relevo entre os trovadores daqui, assim como desfruta do respeito e admiração dos nossos irmãos distantes. Recentemente, numa das reuniões da UBT de São Paulo, recebeu homenagem semelhante à que ora lhe prestamos, tendo sido saudada pela já consagrada trovadora Renata Paccola.

      Tem conquistado significativos prêmios na maioria dos concursos realizados pela UBT.

      Suas trovas são muito bem elaboradas, sejam elas líricas, filosóficas ou humorísticas. Iremos ler e rememorar as mais conhecidas e destacáveis. Por elas Wanda mostra a que veio.

      Vejamos, primeiramente, as líricas e filosóficas: 

Eu sinto, com desconforto,

que ainda sou teu vassalo:

nosso passado está morto,

mas não consigo enterrá-lo! 

As correntes de lembranças

me prendem mais ao passado

que o triste par de alianças

num estojo abandonado. 

Meus desencantos de amor

na poesia buscam fim:

eu não choro a minha dor...

meus versos choram por mim! 

Partiste... e meu desencanto,

vendo ruir a ilusão,

escorre em gotas de pranto,

orvalhando a solidão. 

Lembranças de amor desfeito...

Silêncio em horas tardias,

pois tua ausência, em meu leito

dorme onde outrora dormias. 

Um velho colchão de palha...

teus braços por cobertor:

não há fortuna que valha

a fortuna deste amor! 

Minha insensata paixão

passou – transpondo barreiras –

das fronteiras da ilusão

para a ilusão sem fronteiras. 

Meu diário! Em tuas folhas

morrem desejos sem fim...

Pago o preço das escolhas

que outros fizeram por mim. 

No delírio encontro jeito

de ocultar essa evidência:

no vazio do meu leito

cabe apenas tua ausência... 

Forçada a escolhas na vida,

– teatro que não domino –

fui marionete movida

pelos cordéis do destino! 

Amor de mãe, sem medida,

em toda a criação é aquele

capaz de ao filho dar vida

e dar a vida por ele! 

Ó praça da adolescência!

Tuas fontes luminosas

jorravam, em sua essência,

promessas de um mar de rosas... 

 

Olho a rua... a noite avança,

tudo adormece ao luar...

Dorme até  minha esperança,

pois cansou de te esperar! 

Envolta em brilhos e cores,

a natureza se esmera

para, em delírios de flores,

eclodir na primavera. 

No cansaço da viagem,

quando me sinto exaurida,

sopro a brasa da coragem

e atiço o lume da vida. 

      Agora, as humorísticas.

      Alguém já disse que a Wanda ‘é engraçadinha’... São dela essas originais e antológicas trovas, escolhidas dentre outras tantas premiadas, que merecem, por isso, comentários elogiosos por parte dos seus inúmeros admiradores.

      Ei-las: 

O general de pijama

fracassa em sua ofensiva:

pensa, saudoso, na cama:

- ‘Quem me dera estar na ativa!’ 

Minha madrasta é um bagulho!

no pomar, se abrir os braços,

mesmo sem fazer barulho

vai espantar os sanhaços! 

Era tão velho, tão velho,

o macróbio desta aldeia

que eu juro pelo Evangelho:

foi garçom de Santa Ceia! 

Arma um barulho no ‘ninho’

ao ver que a cara-metade

curte som com o vizinho

em ‘alta-infidelidade!’ 

‘Oba, Doutor, que alegria!’

– a velhinha deu um berro –

‘Pra curar minha anemia

eu preciso tomar ferro?!’ 

      Em resumo, Wanda de Paula Mourthé, notável trovadora e magnífico ser humano, merece, realmente, a homenagem que lhe prestamos neste instante. 

      Palmas para ela!” 

(Palestra proferida por Edmilson Ferreira Macedo, na reunião da UBT de Belo Horizonte realizada em 14 de agosto de 2006.) 

      E para você também, amigo Edmilson, onde estiver, na Pátria Espiritual. Quantas saudades de você! 

                                                Fabiano