Lauro Silva veio ao mundo em 16 de março de 1904, filho de Pedro Silva e Dona Theodora Salgado Silva, e partiu em 03 de outubro de 1978. Entre outras obras publicadas, há o “Vida que passa”, de poemas. Publicou também “Estudos da Língua Luso-Brasileira”. E outros. Numa publicação do General Liberato Bittencourt, sobre os melhores sonetos da língua portuguesa, consta o seu “Amargura” (http://www.falandodetrova.com.br/2008/sonetolaurosilva) , que eu considero como um uma composição autobiográfica. Em 1934 foi aprovado, em São Paulo, num concurso para tenente farmacêutico da Polícia Militar.      Seu pai Pedro Silva, seus irmãos Benedito Salgado, José Silva e Pedro Silva Jr.: ponto em comum: todos poetas. Pessoa extremamente culta. É de sua autoria, em parceria com Henrique San Martin, o “Pequeno Tratado de Microbiologia”.      Não tolerava os modernos de 1922, por ele assim definido: "Ao neomodernismo, nulo, fechado, sensaborão, prefiro a voz de Catulo na doce paz do ‘Sertão".     Um dos pilares da cultura de Pindamonhangaba em todos os tempos!

====================================

Quase sempre ansioso e triste,
quase nunca alegre e em paz,
eu só sei que o amor existe
pelo mal que ele me faz.

Mãe, em frente ao teu jazigo,
torno a ver o que perdi.
Fui a esperança contigo;
sou a saudade sem ti...

Dei-te amor e mocidade,
pelo muito que te quis.
E afinal, Felicidade,
não me fizeste feliz.

Vivo amargando o queixume
da dor que não mereci:
sentir de longe o perfume
de uma flor que não colhi.

"Quem espera, sempre alcança!"
Oh! provérbio enganador!
- Já gastei toda a esperança,
à espera do teu amor.

Quem busca a Ventura, morre
dissipando a vida à toa;
se a gente anda, ela corre;
se a gente corre, ela voa.

Nossa mente as asas solta,
embora sem esperanças.
-- O passado nunca volta,
mas sempre manda lembranças...

  ALGUMAS  DE  HUMOR

Com um corpo de violino,
com escrúpulos precários,
Dadá, a mulher do Lino,
se tornou extra de vários!

Já vi bacharel artista
em causas insustentáveis;
e médico especialista
em moléstias incuráveis...

Deixa a Física o Trindade
e casa!  Assim acha, em vez
do centro de gravidade,
um centro de gravidez.

Os decotes vão descendo,
as saias subindo vão.
Aguardo o dia estupendo
em que ambos se encontrarão!

Até ao defunto esmaga
o imposto, que se renova:
se aluguel ele não paga,
será expulso da cova!