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Aparício Fernandes

  APARÍCIO FERNANDES (de Oliveira) (1934 - 1996)

                       Natural de Acari, Rio Grande do Norte. Filho de José Fernandes de Oliveira e Verônica Fernandes de Oliveira. Passou a infância e parte da adolescência na cidade de Macau, Rio Grande do Norte. Radicado no Rio de Janeiro, desde 1952. No dia 16 de dezembro de 1967 (dia do seu aniversário) casou-se com Adelina Maria Diniz Fernandes, na Catedral de Juiz de Fora, Minas Gerais, de onde sua esposa é natural. Tem um casal de filhos: Maria Verônica, nascida no dia 11 de dezembro de 197I e André, que nasceu no dia 5 de setembro de 1975. Colaborou em jornais, revistas e emissoras de rádio, inclusive redigindo durante muitos anos um programa de divulgação de trovas para a Rádio Globo. A convite de Gilson Amado, integrando a sua famosa "Universidade sem Paredes", apresentou, durante algum tempo, na antiga TV Continental, do Rio de Janeiro, um Programa em que entrevistava intelectuais. Organizou, juntamente com Zalkind Piatigorsky, a Coleção "Trovas e Trovadores", com 22 livros de trovas de autores nacionais, edição da Livraria Freitas Bastos, em 1962 e 1963. E também, de parceria com Zalkind Piatigorsky e Magdalena Léa, a Coleção "Trovas do Brasil" - 12 volumes, de vários autores, lançados pela Editora Minerva, em 1965. Além disso, publicou cerca de 60 livros. Vítima de câncer, faleceu no Rio de Janeiro, aos 16 de janeiro de 1996, mal completados os 60 anos.
                            Uma lacuna impreenchível.

01
Parti do Norte chorando,
que coisa triste, meu Deus!
- Eu vi o mar soluçando
e os coqueirais dando adeus...
02
Lá se vão os retirantes!
Deixam seus campos... seus bois...
- O coração morre antes!
- O corpo morre depois . . . 
03
Redimindo os pecadores,
conduzindo-os para a luz,
o maior dos sonhadores
morreu pregado na cruz!
04
Conselhos, desde menino,
muita gente me quis dar,
mas a cruz do meu destino
quem me ajuda a carregar?
05
Pensando, na tarde calma,
logo me ocorre à lembrança
que a própria vida tem alma,
e a alma da vida é a Esperança!
06
Se a caridade ilumina
o semblante da desgraça,
bendigo a graça divina
que criou tamanha graça!
07
Que sábio discernimento
neste exemplo se traduz:
a vidraça anula o vento,
mas deixa passar a luz.
08
Foi sempre assim! Escondida
no engodo que a desvirtua,
a Verdade anda vestida
quando a Miséria está nua!
09
Poucos sabem que não sabem
tudo o que dizem saber.
Maiores saberes cabem
nos que sabem sem dizer.
10
Eu trago minha alma aflita,
bem vês o ciúme em meu rosto:
o mal é seres bonita
e os outros terem bom gosto!
11
Ver-te em sonhos me complica,
não quero ver-te, meu bem!
- O sonho apenas duplica
a saudade que se tem.
12
Já não adianta ocultares
a febre dos teus desejos.
- Meu bem, há certos olhares
que dizem mais do que um beijo!
13
Há muita gente vaidosa
seguindo o exemplo da lua,
e refletindo, vaidosa,
uma luz que não é sua...
14
Quando adormeço tristonho,
vejo-te em sonhos, querida!...
E a vida fica mais sonho,
e o sonho fica mais vida!
15
Guia o nauta e o peregrino,
rege os nobres e os plebeus.
- É que o dedo do destino
faz parte da mão de Deus!
16
Hoje tratam de "Excelência"
quem deixa o povo com fome.
Ou no mundo há só demência,
ou ladrão mudou de nome!...
17
Deserto o mundo seria,
sem vida, luz e calor,
se nos faltasse algum dia
a grande força do amor!
18
Para a seca exterminar
no meu Nordeste escaldante,
eu sugiro represar
o pranto do retirante!
19
Os noivos fazem questão
de ter as mãos sempre unidas.
- É fácil unir as mãos...
difícil é unir as vidas!
20
Desta saudade infinita
não guardo mágoas, porque
foi a coisa mais bonita
que me ficou de você!
21
Enquanto os olhos acusam
o desespero de amar,
as nossas vidas se cruzam
como dois barcos no mar!
22
Vejo em teus olhos, criança,
docemente refletida,
uma inocente esperança
sorrindo aos males da vida!
23
Ó velho mar, são singelas
as tuas fúrias humanas,
comparadas às procelas
do mar das paixões humanas!
24
Se a mocidade se afasta,
não julgue a vida tristonha.
- A ação do tempo não gasta
o coração de quem sonha!
25
Bem pouca alegria existe
no riso de largos traços.
- Você já viu como é triste
o olhar de certos palhaços?
26
A justiça humana é falha!
E reconheço isto a custo...
Se é rico, livra o canalha!
Se é pobre, condena o justo...
27
Por mais que o artista se esmere
em seu talento criador,
duvido que ele supere
a perfeição de uma flor!
28
Ah! Se eu morresse, querida,
sentindo os carinhos teus,
teria, na morte, a Vida
que em vida pedi a Deus!
29
Por muito amar ninguém morre,
ama, pois, com todo ardor!
- Olha que a muitos ocorre
morrer por falta de amor...
30
Bodas de Ouro!  Nosso beijo
retrata nossa ventura:
o que lhe falta em desejo,
hoje lhe sobra em ternura...
31
Partiste, sim, mas ainda,
por ironia ou maldade,
fic aste muito mais linda
vestida nesta saudade!
32
No sonho estavas sorrindo,
mesmo assim fiquei tristonho:
- de que vale um sonho lindo,
se dura apenas um sonho?
33
Goza, criança, o instante raro
do teu doce alvorecer,
- que a gente paga bem caro
o pecado de crescer!
34
Neste exemplo se presume
um prêmio às almas bondosas:
fica sempre algum perfume
nas mãos que oferecem rosas!
35
À noite, ó rua, constatas,
em teus silêncios tristonhos,
que, enquanto um cão vira latas,
eu vou virando os meus sonhos!
35
Nesta angústia indefinida,
penso, cheio de amargor:
de que vale o bem da vida,
quando falta o bem do amor?
36
Conheço um tipo de fome
que não se farta de pão:
fome de amor!  Eis o nome
da fome do coração!...
37
Quero beijar-te, querida,
e não te deves opor:
- se o amor é a alma da vida,
o beijo é a vida do amor!
38
Nas noites claras de maio,
eu sinto, nitidamente,
que a sudade é como um raio
de luar, dentro da gente...
39
Se observo os homens de perto
e analiso os animais,
fico sem saber, ao certo,
quais são os irracionais...
40
Felicidade é somente
uma visita apressada
que aparece de repente
e parte sem dizer nada.
41
Poucas mulheres entendem
que, no seu doce mister,
muitos destinos dependem
de um sorriso de mulher!
42
Posso entender o martírio
da pureza junto ao mal,
vendo a solidão de um lírio
no lodo de um pantanal.
43
De falhas ninguém se esquiva,
por isso, afirmo sem susto:
há censura construtiva
e muito elogio injusto!
44
Se queres viver tranquilo,
sem muita preocupação,
jamais dependas daquilo
que depende do patrão...
45
Nos trilhos da ferrovia,
ela, brincando, caminha.
- Até que afinal Maria
resolveu andar na linha...
46
Ó mãe que tudo perdoas,
corrige teus pequeninos!
- Às vezes, de intenções boas
nascem ladrões e assassinos...
47
Desta saudade, o vazio
parece até que traduz
um velho teto sombrio
filtrando um raio de luz!
48
Quando me vires sorrindo,
de olhos fechados, sonhando,
- meu corpo estará dormindo...
- minha alma estará te amando...
49
Com refulgências estranhas
de ternura e de calor,
são duas gemas castanhas
os olhos do meu amor!
50
Cartas de amor, esquecidas,
contendo um pouco do Céu!
Dois corações, duas vidas
resumidas num papel!
51
Um sonho às vezes enfeita
o meu destino tristonho.
- Ah, se tu fosses perfeita
como és perfeita em meu sonho!
52
Meu cachorrinho amoroso,      
a língua humana é tão falha!
- Quanta gente diz "cachorro",
quando quer dizer "canalha"...
(esta foi a 1ª trova do autor, publicada)
53
Tornam-se mais encurvados
os ombros de um ancião,
quando suportam, cansados,
o peso da solidão!
54
Por mais que o mundo se torça
de angústia, revolta e medo,
Deus revela sua força
mas não conta seu segredo!
55
Desce a lágrima insistente,
e há sempre alguém que a maldiz!
Mas a verdade é que a gente
chora até quando é feliz!...
56
Meditando sobre a morte,
digo aos crentes e aos ateus:
a bondade é o passaporte
que nos conduz para Deus.
57
Guarda bem isto na mente,
se a mentira te norteia:
mais cedo ou mais tarde, a gente
colhe aquilo que semeia!...
58
Desconfio das vitórias
que neste mundo colhi.
- Se as coisas são ilusórias,
quem garante que eu venci?
59
Quanto mais a mulher jura
gostar de homem erudito,
tanto mais ela procura
um tipo burro e bonito!...
60
Liberdade, em ti se encerra
o ideal do poeta aflito
que tem os pés sobre a Terra
e o coração no Infinito!
61
Há muita gente vaidosa
seguindo o exemplo da lua,
e refletindo, orgulhosa,
uma luz que não é sua...
62
Ondas bravias ou calmas,
que estais sempre a soluçar!
- Quem pôs a angústia das almas
dentro das ondas do mar?
63
Infância - um reino encantado           (17º lugar em Pouso Alegre - 1961)
onde reside a esperança. ...
E o tempo acaba o reinado,
e a vida muda a criança...