Milton Nunes Loureiro

      MILTON NUNES LOUREIRO nasceu em Campos-RJ, a 09 de junho de 1923.  Radialista, jornalista, apresentador de programas de TV, Escrivão de Polícia, Advogado, Delegado, além de poeta/trovador, Milton Loureiro foi presidente da UBT, seção de Niterói, por mais de trinta anos, pela qual promoveu um dos mais tradicionais Jogos Florais do gênero no país.  Mudou de dimensão no dia 31 de janeiro de 2011.

     
          Foi - e é - um dos grandes nomes da União Brasileira de Trovadores.

                         TROVAS LÍRICAS / FILOSÓFICAS

01)

O tormento que me invade,             (1976 - Menção Especial em Pouso Alegre/MG)

parecendo não ter fim,

é o sininho da saudade,

que plange dentro de mim!

02

Essa angústia que me invade,      (1983 - Menção Honrosa em Caçapava/SP)

parecendo não ter fim,

é a triste rua-saudade,

que chora dentro de mim...

03)

A bebida que me invade,        (1985 - Niterói, Conc. Alc. Anônimos - 1985)

parecendo não ter fim,

é a tristeza de uma grade

que se fecha dentro em mim...

04)

A tristeza que me invade,

parecendo não ter fim,                       (1987- MH Tambaú/SP- tema "Ouvir")

é o cantar de uma saudade

que eu ouço dentro de mim...

05)

A tristeza que me invade,            (1989 - Belo Horizonte, tema "Passado")

parecendo não ter fim,

é um passado de saudade,

que chora dentro de mim...

06)

A penumbra que me invade

e que nunca chega ao fim,                      (1998 - MH N. FRIBURGO-"Janela")

é a janela da saudade

fechada dentro de mim...

07)

A tristeza que me invade

e que nunca chega ao fim,                     (2000 – SANTOS – Tema "História")

é uma história de saudade

que existe dentro de mim...

08)

A tristeza que me invade

e que nunca chega ao fim,                (2000 – POUSO ALEGRE – Tema "Esquina")

é a esquina de uma saudade

que eu dobro dentro de mim...

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01)

O poeta em sua lida,

ainda que o mundo o afronte,                         (1999-BANDEIRANTES-"Distância")

vence as distâncias da vida

e vai além... do horizonte...

02)

O poeta em sua lida,

ainda que o mundo o afronte,                         (1999 -ME BARRA DO PAIRAÍ -"Devaneio")

nos devaneios da vida

vai muito além do horizonte...

03)

O poeta em sua lida,

ainda que o mundo o afronte,                                  (2000 - N. FRIBURGO - "Poeta" )

tem sempre um sopro de vida

que o leva além do horizonte...

04)

O poeta em sua lida,

ainda que o mundo o afronte,                            (2002 - POUSO ALEGRE - "Aceno")

tem sempre o aceno da vida,

que o leva além do horizonte...

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01)

Todas as pedras, querida,

que a vida atira em nós dois,                        (Menção Honrosa II Concurso de Orós/CE)

dão mais vida à nossa vida

e mais crença no "depois"...

02)

Esta cautela, querida,

que persiste entre nós dois,                                          (Belo Horizonte 2001)

dá mais vida à nossa vida

e mais crença no “depois” ...

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01)

Chegaste, os braços abertos,

tranqüila... em tuas andanças,                         (2004 – CURITIBA – Tema "Semente")

e plantaste em meus desertos

mil sementes de esperanças...

02)

Chegaste, os braços abertos

após as tuas andanças                                     (2005 – N. FRIBURGO–Tema "Motivo")

E trouxeste aos meus desertos

mil motivos de esperanças...

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01)

Somente tristes lembranças                        (1993-Vencedora Amparo, tema "Derrota)

vão comigo pela estrada...

Eu, que plantei esperanças,

colho derrotas... mais nada...

02)

Tarde demais...e as lembranças                   (2004 Vencedora Brumadinho, "Sonho")

vão comigo pela estrada...

eu que plantei esperanças

vivo de sonhos... mais nada...

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01)

Entre caminhos, frementes,           (MH Pouso Alegre 1997)

os meus lábios, em volteios,

dançam valsas diferentes

na vereda dos teus seios...

02)

Primaveris e frementes

os meus lábios, em volteios,          (M. Especial Belo Horizonte 2008)

trocam passos diferentes

sob o manto dos teus seios...

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01)

Amanhã
... Depois... Depois...

Foi assim a vida inteira...                   (M. Honrosa em Bandeirantes 2001)

E entre os sonhos de nós dois,

a intransponível fronteira...

02)

Amanhã... Depois... Depois...      (3º lugar em Manhumirim/MG - 1990)

- Foi assim a vida inteira,

e entre os sonhos de nós dois,

a intransponível fronteira...

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Profano, sem horizonte,

caminho, sedento e triste,          (Menção Especial em Amparo/SP, 1996)

à procura de uma fonte

que eu nem mesmo sei se existe...



A ciência me conduz

a pensar desta maneira:

do excesso, às vezes, de luz,            (2º lugar Pouso Alegre 2000)

pode nascer a cegueira...

A vida às vezes revela

certos contrastes assim:

eu – enredado por ela;

e ela – a tramar contra mim!

O amanhã, que importa agora?       (M. Honrosa em Bandeirantes 2001)

Que nos importa o depois?...

Vamos viver, vida afora,

o imenso amor de nós dois!...

Se o meu tempo está marcado             (3º lugar Nova Friburgo, 2009)

e da saudade eu disponho,

invento alguém ao meu lado,

cerro meus olhos e sonho...

Sem jamais fazer menção

ao destino que a conduz,

a raiz, na escuridão,

mantém os ramos na luz!...

No amor é bom ter cuidados

para evitar dissabor...

Nem sempre em beijos trocados      (3º lugar em Pouso Alegre - 1994)

trocam-se beijos de amor.

Sem direito de sonhar,

vagando no mundo, a esmo,

nem sequer pude marcar

encontro comigo mesmo!

Imagens difusas... Sonho

irrealizado, sofrido,

que eu componho e recomponho    (M. Especial Rio de Janeiro - 2000)

na dor de te haver perdido...

Esperança, não me peças

que acredite em tuas juras...                       (Pouso Alegre 1999)

Já me cansei de promessas

e me perdi nas procuras...

Embora colhendo espinhos

em meu viver malogrado,

semeio pelos caminhos

bem-me-quer por todo lado...

Senhor, escuta os cicios

dos excluídos, sem teto...

Troca seus ninhos vazios

por ninhos cheios de afeto!

Tanta ternura mostrando,

teus olhos – juro por Deus –

são mil promessas bailando

na valsa do nosso adeus...

Eu não entendo, Senhor,

a diferença das ruas:

- Umas, repletas de amor,..               (MH Bandeirantes 1996)

outras, de amor, sempre nuas.

Teu poder de sedução

e a magia dos teus braços,                        (Bandeirantes 1998)

levam minha solidão

a percorrer os teus passos ...

Não quero o poder que esmaga                (Bandeirantes 1998)

o sonho com seu furor..

Eu quero o poder que afaga

nossos momentos de amor ...

Do poder tens o infinito,

à fortuna tens direito,

mas não sufoques o grito

do amor que vive em teu peito...            (Bandeirantes 1998)

Enquanto a noite vagueia                       (Bandeirantes 1999)

pela minha solidão,

a distância mais ateia

o fogo desta paixão...

Esta carta que ora mando

a você, com muita ânsia.                        (Bandeirantes 1999)

é a saudade soluçando

sobre os trilhos da distância.

Liberta este amor profundo

dos grilhões dos teus desertos,                  (Pouso Alegre 1998)

que o maior Homem do mundo

morreu de braços abertos.

Encerrando a caminhada                   (co-vencedora em São Paulo - 1993)

que anuncia o fim da vida,

corajoso na escalada,

tenho medo da descida...

Talvez exista, suponho,

no pensar que em mim se espalma,      (M. Especial em Porto Alegre  1995)

razões para achar que o sonho

é sempre o cinema da alma.

Esta pergunta te faço,

meu coração sonhador:

- se possuis tão pouco espaço,                      (Rio Novo 1991)

como guardas tanto amor?...

Uma verdade patente,

que não tem contestação:

abrir ESCOLA é semente                       (Barra do Piraí 1975)

que fecha muita prisão.

Apesar dos solavancos

em minha vida sem cor,

adornei, com lírios brancos,

nossos segundos de amor...

De tanto sofrer na vida,

eu peço a Deus, sem revolta:        (co-vencedora em Ponta Grossa - 1988)

- Abra as porteiras da ida,

feche as porteiras da volta!...

Eu não sei, meu Deus, por que,

tendo a vida em desalinho,

encontro sempre você

ao longo do meu caminho.

Neste mundo passageiro,

a vida, que vai fluindo,

é um intervalo ligeiro,

dois silêncios dividindo...

Fronteira é a mais desumana        (8º lugar III Jogos Florais da Guanabara - 1972)

das humanas criações:

desiguala e desirmana

homens de iguais corações!



 HUMORÍSTICAS

Ante a noiva bem nutrida,             (4º lugar Nova Friburgo, 2009)

o cinqüentão fica louco :

- Ela só pensa em comida

e cinquentão come pouco...

Nunca vi coisa mais jeca,                          (RJ 2008)

disse o sapo num lamento:

– Por que ver a perereca

só depois do casamento?...

Depois de muito tentar,

disse o velhinho, em má fase:       (5º lugar Nova Friburgo  1983)

"É duro a gente parar

quando está no quase...quase..."