Hermoclydes Siqueira Franco

Imagem removida.HERMOCLYDES SIQUEIRA FRANCO, uma das grandes expressões da trova do Rio de Janeiro, nasceu em Niterói, RJ, a 26 maio de 1929, tendo se radicado, depois, na cidade do Rio de Janeiro. Formado em Direito e Administração de Empresas, trabalhou de 1951 a 1973 na ACESITA (Companhia Aços Especiais Itabira) e, de 1973 a 1991, no IBGE, quando aposentou-se. Passou a dedicar-se à literatura a partir de 1980 e ingressou na UBT em meados de 1985. Ficou viúvo no ano 2000. Depois disso passou a residir em Lumiar, distrito de Nova Friburgo, onde contraiu núpcias com Aparecida, sua segunda esposa, que o acompanharia até seu último suspiro, ocorrido no dia 10 de agosto de 2012.

  Deixou quatro volumes de "Trovas, Simplesmente Trovas!..."  E muita saudade.

Quanta tristeza me invade

ao sentir chegar meu fim...

E, em meio a tanta saudade,

sinto saudade de mim!...

A bengala cor da paz,

que o homem cego conduz,

tem um mistério que faz

o som transformar-se em luz!

Não pode haver raciocínio

quando a miséria, sem nome,           (Menção Especial em Amparo/SP, em 2002)

invade qualquer domínio

e o domina pela FOME!...

Da guerra, entre os seus horrores,

não há glória que compense,

para os Pracinhas, as dores

de quem perde ou de quem vence!...

Às vezes, troféus de glória

e incensos de aduladores

podem fazer da vitória

o ocaso dos vencedores!...

A vida é dura batalha

que não aceita um "talvez"

e nem outorga medalha                   (Vencedora em Niterói - 1999)

aos filhos da timidez!

A fraqueza é um artifício

que leva alguém, sem escalas,

a abrir as portas do vício

e não saber mais fechá-las!...

Sofro tanto a tua ausência

e é tão grande o meu cansaço

que o sonho, em minha existência,        (7º lugar Nova Friburgo Friburgo, 1991)

tem vida e não tem espaço !...



Mãe e filho, uma só vida,                     (11º lugar Nova Friburgo Friburgo, 1992)

no enlevo da gestação...

Dupla emoção repartida,

pelos canais de um cordão.

Na distancia, ao teu aceno,                 (2º lugar Nova Friburgo Friburgo, 1987)

quanta tristeza me invade...

O trem, ficando pequeno,

e, em mim, crescendo a saudade!

Minhas mãos, cheias de anseios,

são barcos que, em águas turvas,          ( 2003)

deslizando em mil passeios,

se perdem nas tuas curvas...

Com talhadeira e martelo,      (Venc. São Paulo 2004)

finas madeiras entalho...

E esse trabalho é tão belo

que já nem sei se é trabalho!

Eu, no rumo das gaivotas,

no mar rendado de espumas,

dentre centenas de rotas,

busco o roteiro em que rumas...

Dupla festa eu preconizo,

para as noites de luar:

a festa do teu sorriso,

na festa do meu olhar...

Numa paixão imortal

minhas tristezas eu venço,

beijando o sabor de sal

que deixaste no meu lenço!

Foi a escolha mais amarga

que entristeceu os meus feitos,

pondo a saudade tão larga

nos meus ombros tão estreitos!...

...E basta você chegar,

nosso amor se faz verão:

queima a pele, cega o olhar,

põe fogo no coração...

O grau de felicidade

que tenho e me faz risonho,

resulta da minha idade

ter a idade do meu sonho!

O tempo é um Deus invisível,

com poderes infinitos,

que, ao passar, irreversível,

destrói quimeras e mitos!...

Teu orgulho, em doce imagem,        (Venc. Concurso-Relâmpago Niterói 2009)

nesse amor que pontifica,

um dia, cria coragem

atravessa a PONTE...e fica!...

Maravilha em resplendor,

onde Deus sempre é louvado,      (Venc. Conc. Interno UBT RJ, março/2010)

o RIO guarda o Senhor

no Cristo do Corcovado!

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BEM HUMORADAS!

Dizem que todo baixinho

tem mania de grandeza... (4º lugar em Nova Friburgo, 1999)

Por isso é que o meu vizinho

só chama a mulher de... "alteza"!...

Ante a maçã do pecado

na dúvida, vou sofrendo:

- Se como... sou castigado;

se não como... me arrependo!