O TROVADOR CAMPOS SALES
(na foto, à esquerda, ao lado dos irmãos Ouverney)

     Campos Sales - nome artístico adotado, ele que nasceu Ormandro - foi um grande sujeito. Artista nato: grande como compositor e cantor de música sertaneja, violeiro, ator, palhaço, declamador, imitador... Dono de um vozeirão, capaz de encantar as mulheres e fazer inveja nos homens, por onde passou deixou um rastro de alegria. Participou em programas de rádio e de TV ao lado de grandes nomes: Cascatinha e Inhana, Inezita Barroso e tantos outros. Chegou a trabalhar ao lado de Luiz Gonzaga. Nos últimos anos apresentava-se ao lado do também Magnífico Trovador Pedro Ornellas, com o qual formava a dupla "Trovadores do Campo". Deixaram vários CDs gravados.

​     Associou-se à UBT = União Brasileira de Trovadores, seção São Paulo, em 1993. Sua trajetória trovadoresca foi igualmente brilhante. Tornou-se Magnífico Trovador em Nova Friburgo em ambos os gêneros: humorístico e lírico/filosófico. Possuidor de um talento também para contar piadas, seu bom humor era contagiante.

     Com muito orgulho relatava sua origem humilde, correndo descalço sobre a lama das margens do Rio Paraná, ele que nasceu em Lucélia/SP no dia 10 de dezembro de 1940, na Fazenda Santa Maria. Era casado com Dona Amparo.

​     Eu, José Ouverney, tive o prazer e a honra de desfrutar de sua companhia por inúmeras vezes. Rolava de rir ao vê-lo imitando a irmã-trovadora Maria Nascimento. Durante estas viagens por eventos de trova, estivemos juntos em muitas cidades. Literalmente um trovador apaixonado.

​     Sua partida para o mundo espiritual na noite de 23 de outubro de 2017 colheu a todos de surpresa. Um choque. Ele não estava acamado. De repente se foi e deixou tudo para trás: parentes, amigos, seus troféus, a viola, a trova, a música... Ele, que tanto cantou a saudade, a ponto de imprimir, três meses antes, um livro intitulado "Rastros de Saudade", jamais imaginaria que pouquíssimo tempo depois, ele próprio deixaria atrás de si esses mesmos rastros..Nós agora já não temos mais nada, a não ser essa lembrança de sua agradável presença e de suas belíssimas interpretações.  Campos Sales agora também é saudade. Que perda!...   Que vazio!...

Vá, amigo, é seu destino
brilhar em novo aposento;
hoje num palco divino,
​ao nível de seu talento!

​Texto de José Ouverney, escrito em 13.11.2017