O  TROVADOR  DOS  SONHOS...
(João Freire, à direita, ao lado de José Ouverney e Maurício Cavalheiro)
 
 Meio temperamental mas um excelente ser humano, a quem aprendemos a amar, como pessoa e como poeta.  Professor universitário, guardião intransigente da língua portuguesa e da trova refinada; integrante do esquadrão de elite da UBT Rio de Janeiro.
 
    
    
     Em rápidas palavras, eis João Freire Filho.  Nascido na “Cidade Maravilhosa” no dia 29 de maio de 1941 e falecido na noite de 06 de agosto de 2012, depois de longa enfermidade.  Autor do livro “Entre Achados e Perdidos”, publicado em 2007 pela “Editora Marca”, com mais de trezentas preciosas composições.
 
     João Freire foi também hábil sonetista e prosador, além de reconhecido pintor.  “Magnífico Trovador”, láurea conquistada no ano de 1990 em Nova Friburgo.  No período de 1996 a 2003 foi presidente nacional da UBT= União Brasileira de Trovadores.
 
     Sua voz tonitruante impunha respeito e admiração.  Seus recursos de oratória eram indiscutíveis.  Uma vez, em solenidade do Concurso de Trovas de Pindamonhangaba, fazia ele uso da palavra quando, de repente, olhando para o fundo do salão abarrotado de gente, percebeu que o então Prefeito Vito Ardito Lerário, chegando atrasado e não querendo prejudicar o andamento dos trabalhos, sentara-se discretamente numa das últimas fileiras, entre alunos e pais de alunos.  Reconhecendo-o e sem alterar o tom de voz ou a expressão do rosto, foi direcionando seu discurso no sentido de exaltar a lição de humildade que um líder poderia transmitir ao povo, a ponto de dispensar os holofotes e os aplausos, mesmo em ocasião tão propícia. Pouca gente percebeu a grandeza de atitude de ambas as partes.  Foi um dos, senão o melhor discurso de improviso  que já ouvi.  Pena que não tivesse sido gravado!...
 
Tu me tiraste os pequenos
projetos de ser feliz...
Devolve, Destino, ao menos,
esses rascunhos que eu fiz!...
 
Que importa chamem de insano
este amor que nos arrasta?...
Que ele seja até profano,
mas seja amor... que nos basta!
 
De muitas buscas se tece
a vida... e, ao fim da jornada,
a quanta gente parece
ter vindo em busca... do nada!...
 
     Estas não são as trovas mais conhecidas dele.  Mas qualquer uma delas serve de parâmetro para aquilatarmos as dimensões do seu talento.
 
     João Freire Filho era o “Trovador dos Sonhos”. O sonho sempre foi sua temática predileta. Além do amor, é claro.  Contradizendo a trova acima, não nos parece que ele tenha partido com a impressão de ter vindo para essa vida em busca do nada.  Porque tudo insiste em demonstrar o contrário.
 
     No coração de cada trovador, doravante, sempre haverá uma saudade perambulando, e um silêncio constantemente interrompido por milhares de lembranças tagarelas.
 
Dando à incomum trajetória
sua parcela estupenda,
mais do que entrar para a História,
João transformou-se em lenda!
 
(texto elaborado por José Ouverney em 08.08.2012 - www.falandodetrova.com.br)