PONDER...AÇÃO
(texto de José Ouverney, publicado no site www.falandodetrova.com.br em 18.01.2016, disponível em "Atualidades".

 

          Componho versos desde criança mas só vim a saber da existência da Trova, dos concursos e de uma entidade chamada União Brasileira de Trovadores em 1996. Mesmo assim, só entrei de cabeça nessa história no segundo semestre de 1998.  Desde então, o saldo tem sido regiamente positivo. Acumulei muita coisa. Conheci pessoas de todos os quadrantes do País. E até autores portugueses. E continuo contabilizando, até hoje, preciosas amizades.
 
          Em 2005 a criação do site “Falando de Trova” permitiu que criássemos um canal de comunicação com todos os trovadores vivos e familiares de trovadores falecidos.  Um veículo neutro, autônomo, cujo único e intransferível compromisso fosse zelar pela Trova Literária Brasileira.
 
          Em relação à UBT, fundada por Luiz Otávio em 1966, sempre tive e tenho algumas restrições. Nesses cinquenta anos a entidade teve como presidentes, sucessivamente, Luiz Otávio, Carlos Guimarães, João Freire Filho, Eduardo Toledo, Luiz Carlos Abritta e, atualmente, Domitilla Borges Beltrame.
 
          Sempre me intrigou, por exemplo, o fato de ser uma entidade fechada. Para ser presidente nacional da mesma é preciso, antes, ter sido presidente estadual. Para ser presidente estadual é preciso, antes, ter sido presidente municipal. Só para ilustrar, se a política brasileira fosse nesse rumo, Lula ou Dilma nunca teriam sido Presidentes da República, pois nunca foram governadores ou prefeitos. E a diretoria nacional é eleita por um colegiado e não através de votação de todos os associados.
 
          E me intrigava mais ainda o fato da UBT, com todo esse tempo de existência, não possuir um CNPJ: Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Eu pensava:
- como pode? Não é uma entidade legalmente registrada? Somos uma entidade fantasma?  O assunto nem era ventilado. Tanto é que só vim a saber disso poucos anos atrás. Aliás, o CNPJ até existiu mas, por razões que não convém desenterrar, o mesmo acabou sendo desativado.
 
          Essa autonomia do “Falando” fez com que nos envolvêssemos em boas polêmicas com a direção nacional, embora a intenção fosse comum a ambos: a salvaguarda e a sobrevivência da Trova Literária Brasileira.  Quando Domitilla assumiu, no final de dezembro de 2013, em sua plataforma de realizações constavam vários projetos arrojados, e a legalização da entidade era um deles. Paguei pra ver. Ao mesmo tempo em que depositava confiança de que ela iria desenvolver uma profícua gestão.
 
          Hoje, dois anos depois, confesso que justiça precisa ser feita. Nesses dois anos Domitilla trabalhou e viajou incansavelmente por todos os Estados onde a Trova tem dado sinais de vida. Elaborou encontros entre presidentes estaduais, levou a cabo um recadastramento de associados, criou a categoria denominada “Novo Trovador”, nacionalizou o termo “Juventrova” (a trova na escola) e está prestes a lançar, em maio de 2016, a segunda edição do livro “Meus Irmãos, os Trovadores”, considerado o marco da Trova Literária no Brasil. A primeira aconteceu no ano de 1956, após anos de pesquisas e contatos de Luiz Otávio. E a segunda chega justamente no ano comemorativo do nascimento do “Príncipe da Trova” (18/07/1916 – 31/01/1977).
 
          E nesse início de 2016, tendo sido ela reconduzida ao cargo para um período de mais dois anos, no momento em que Domitilla Borges Beltrame faz novas promessas e planejamentos que incluem mais trabalho e novas velhas cobranças, a exemplo do que já o fizera quando de sua primeira posse, publicamente reitero minha confiança e esperança de que poderemos ter, sim, muito empenho e boas novidades.
 
          A Trova Literária Brasileira e a UBT contam com você, Domitilla e, principalmente, acreditam em você. Que Deus a inspire e proteja em todos os instantes. São os votos de José Ouverney, José Ouverney Júnior e do site www.falandodetrova.com.br