PRECES DE AMOR
Maria Nascimento Santos


QUE O MEU ESTRO JAMAIS CESSE,
VENHO PEDIR-TE , SENHOR,
ELEVANDO AS MÃOS EM PRECE,
FAZENDO PRECES DE AMOR.

Para implorar-te, Senhor,
que o meu estro jamais cesse,
eu, nestas PRECES DE AMOR,
Te elevo as mãos, numa prece!

 
1
Senhor, um medo infinito,
ao ter que julgar, me ASSUSTA,
premida pelo conflito
entre ser boa e ser justa!
2
Mesmo sem forças, vencida,
sem ter o que sempre quis,
eu amo demais a vida
como se fosse feliz ...
3
Se a distância, por maldade,
tua presença me furta,
pelo atalho da saudade,
torno a distância mais curta.
4        
Indiferente aos venenos,    
procuro esconder meus ais
fingindo que sofro menos,   
para não sofrer demais        
5           
Traída, chorei, não nego,     
de angustia, revolta e dor   
O coração que ama é cego,
mas vê deslizes de amor.    
6            
Aquele que um Deus aceita
e encontra a paz nos Seus ritos,        
nem sente que a vida é feita
de um turbilhão de conflitos.
7
Se encontro apenas fracassos,
não escondo as cicatrizes,
que eu não sou como os palhaços,
que fingem que são felizes...
8
Quando você me critica
e aos amigos faz venenos
o seu próprio gesto indica
qual de nós dois vale menos.
9
Perdão, humilde, não peça
quando houver culpas iguais,
que a gente sempre tropeça
ao humilhar-se demais.
10
Se encontras alguém que nega
o teu mérito evidente,         
é porque o despeito cega
os olhos de muita gente!      
11                      
As mães são divinas plantas             
que deram flores, sementes.              
Para Deus são todas Santas
com milagres diferentes.     
12                         
Quando ofensores banais   
pensam que fico humilhada,
sem revidar, subo mais      
um degrau na minha escada.              
13
Só é feliz quem supera
o conflito da esperança
entre o muíto que se espera
e o pouco que a gente alcança
14
Não deixe as cartas que eu mando
sem resposta, por favor,
porque é bom de vez em quando
reler mentiras de amor.
15
Tantas injúrias trocamos
que, mutuamente ofendidos,
agora nos encontramos
como dois desconhecidos.
16
Perdoando a ingratidão
e o mal que você me fez,
até lhe daria a mão
se precisasse outra vez.
17
Se caíres em fracassos
em meio à falta de luz,
carregarei nos meus braços
os braços da tua cruz.
18
Temendo os acessos loucos
do teu ciúme doentio,
o meu amor foi aos poucos
me deixando este vazio.
19
Por saber que não te alcanço
nem me abres jamais as portas,
vou de remanso em remanso
como um rio de águas mortas.
20
Recebe luzes divinas
para dar alivio à cruz
quem carrega nas retinas
dois candelabros sem luz.
21
Com amigos não te Iludas
quando deres um mau-passo:
um deles pode ser Judas
sorrindo do teu fracasso.
22          
Saíste da minha vida          
mas, porque não fui culpada,             
prefiro a ausência sentida  
a uma presença forçada.     
23
Consigo, filho, lutar             
só porque a fé sobrevive    
para que eu possa te dar    
o que eu queria e não tive.  
24        
Sinto que o amor se desgasta            
em cada carta que leio        
porque ternura não basta    
apenas pelo correio.            
25
Quem me chama de palhaço
com ironia na voz
nem sente que há sempre um traço
de palhaço em todos nós.
26
Teu desprezo me angustia,
mas ferida, nem reclamo:
não pode ter energia
quem ama assim como eu amo!
27
Nos momentos mais aflitos,
não sofro como os ateus:
que importa existam conflitos
se eu não conflito com Deus ?
28          
Perdoei, amor, aquelas       
palavras mordazes, cruas,
que as mais amargas são belas
quando são palavras tuas.  
29          
Meu coração inconstante    
só tem falsas emoções,      
como se fosse imigrante     
dentro de outros corações.  
30          
Tuas promessas falharam   
e, sem que eu sabia os motivos,
os teus passos se afastaram
por atalhos negativos.         
31
Se os que fazem mal a tantos
fossem por Deus perdoados,
o Céu, no meio dos Santos,
teria um Deus com pecados.
32
Gotas de orvalho caídas,
perdidas, soltas no chão,
são cópias de muitas vidas
vividas na solidão.
33
Como é infeliz quem esquece
o bem que a crença nos faz
pode um segundo de prece
trazer um ano de paz.
34          
Nosso afeto se agiganta,     
e esquecemos os atritos,    
pois um grande amor suplanta           
a pequenez dos conflitos.    
35          
Eu tento curar meu tédio,    
é difícil, mas me esforço     
só não pode haver remédio
para a angústia do remorso.
36          
Se te alegra eu ser culpada
por falta que nem conheço, 
aceito a injúria calada        
e finjo ate que a mereço.     
37
É inverno e, nas poças d'água
espalhadas pela rua,
busco afogar minha mágoa,
mas sempre a mágoa flutua.
38
Se a fortuna não te alcança,
não desesperes jamais,
pois quem não perde a esperança
já tem riqueza demais.
39
Deus há de retribuir
a quem, com nobres anseios,
consegue, além de instruir,
educar filhos alheios.
40          
Ante a paz do amor profundo              
que trazes, penso depois    
que as preces todas do mundo
são feitas para nós dois...    
41          
Gotas de águas cristalinas,
vindas de auroras chuvosas,            
são seivas férteis, divinas 
beijos de Deus para as rosas.            
42            
Eu sinto inveja do pranto    
de quem saudade revive    
porque ainda tem o acalanto
de um bem que teve e eu não tive!     
43
Sou, na minha fantasia,
mais uma, na multidão,
que finge ter alegria,
morrendo de solidão!
44
Há bruma em nossa jornada
já na altura do sol-posto:
partimos na mesma estrada,
mas vamos em rumo oposto.
45
Não sei bem se foi sonhando,
mas eu ví pelos espaços
o Sol, feliz, carregando
a madrugada nos braços
46
Voltaste cheio de culpa
pedindo outra vez perdão,
como se pedir desculpa
apagasse uma traição.
47
Nós somos dois peregrinos
em rotas desencontradas
tentando unir os destinos
no encontro de encruzilhadas.
49
O meu sonho de cobrança
jamais se realizou
porque era tênue esperança
feita de barro... e quebrou!
49
Às vezes, tudo exigimos
que Deus faça a todo custo,
sem pensar que o que pedimos
tornaria Deus injusto.
50
Foste com outra, e eu, sofrendo,
amargando a própria dor,
até hoje não entendo,
se foi ódio ou foi amor ...
51
É tão grande o meu enlevo
que, cega pela paixão,
faço coisas que não devo
e ainda me dou razão.
52
Deixaste de me escrever,
e agora, sem lenitivo,
nem sei como vou viver
se deste amor é que eu vivo.
53
Quase sem força, o velhinho,
guardando a pouca energia,
se arrasta pelo caminho
por onde outrora corria.
54
Serenatas de saudade
vou fazendo muito calma,
ninando a felicidade
que adormeceu na minha alma.
55
Li teu livro de poemas
e até chorei comovida
ao ver que todos os temas
têm muito de nossa vida.
56
Meu orgulho tem limite,
pois, mesmo tendo razão,
se dobra e ainda permite
que eu te conceda perdão.
57
Não te culpo se hoje em dia,
falas de mim com rancor
e, assim, perdoaria
tuas infâmias de amor ...
58
Quem analisa os aflitos,
ao ver tanta discordância,
descobre atrás dos conflitos
a bruxa da intolerância
59
Quando o acalanto conforta
e faz com que a mágoa passe,
a própria esperança morta,
sentindo o afeto renasce.
60
Sendo bom e inteligente,
o cego "vê", mas não diz,
que não é luz simplesmente
que faz a gente feliz.
61
Nasceu a minha descrença
desse velado conflito
entre a tua indiferença
e o meu amor infinito.
62
Quem transpõe rudes caminho
sorrindo a troco de nada
põe veludo nos espinhos
que aparecem pela estrada.
63
Esta tristeza que invade
minha alma, define bem
uma inquietante saudade
não sei de quê nem de quem
64
Após brigarmos demais,
por diferentes conceitos,
vi que não somos iguais
nem mesmo em nossos defeitos.
65
Atenuando os instantes
em que a saudade nos pune,
embora assim tão distantes,
o pensamento nos une.
66
Carente desde criança
de afeto, paz e calor,
fiz de raios de esperança
o meu sol interior ...
67
Ao fim da vida e dos sonhos,
nos olhos da vela acesa,
os candelabros tristonhos
choram pingos de tristeza.
68
Com idéias desastrosas,
em meus incertos caminhos,
me desencontro das rosas
e encontro apenas espinhos.
69
Quem pressente o fim da vida
e ainda assim não desespera
faz do inverno da partida
prenúncio de primavera.
70
Mesmo vivendo em conflito,
vencendo mágoas e intrigas,
o nosso amor infinito
suporta o peso das brigas
71
Quando sereno me afagas,
pareces um mar bravio
que, sem o arrojo das vagas,
vira remanso de rio ...
72
Desfazendo um sonho em bruma,
tanto a vida me marcou
que não tenho culpa alguma
de ser agora o que sou!
73
Fiz mil promessas outrora,
mas Deus não quis atende-las.
Eu queria um Céu ... e agora
mal posso ver as estrelas!
74
Ao deixar o lar paterno
bandeirante de emoções
descobri que nada é eterno,
nem as próprias ilusões
75
Violão, quando, à noitinha,
vem a saudade e me apanha,
não choro as penas sozinha,
porque você me acompanha.
76
As tuas cartas, escritas
com frases meigas e rudes,
trazem marcas infinitas
de conflitos e virtudes.
77
Quis descrever a saudade
mas desisti, finalmente,
pois vi que toda amizade
traz saudade diferente.
78
Como é que eu posso apagar
tantos embates da vida
se a minha vida é chorar
o adeus da tua partida ?
79
Nos caminho, que transponho,
à distância vou deixando
os pedacinhos de um sonho
que as mágoas foram matando.
80
Nem o orgulho me pertence,
pois, mesmo sendo traída,
quando o conflito me vence,
me curvo a teus pés, vencida.
81
Se eu disser que não te quero,
não culpes meu tom raivoso:
é melhor o ódio sincero
do que um amor mentiroso.
82
Em face da discrepância
existente entre os conceitos,
procuro sempre distância
dos que se julgam perfeitos.
83
Porque os olhos dizem tudo
que nos vai na alma também,
o ceguinho, de olhar mudo,
não mostra as mágoas que tem.
84
Vivo conflitos medonhos
e, ao procurar esconde-los,
transformo laivos de sonhos
em terríveis pesadelos.
85
Ao teu amor me abandono
com toda a força de agora
para fazer meu outono
refulgir como na aurora.
86
Quando, enfim, desaparece
a descrença dos ateus,
pelo milagre da prece
poderão falar com Deus.
87
Teu amor não se define
e, embora desesperada,
para que ele não termine,
me apego a esse quase nada
88
Às vezes, na despedida,
num simples modo de olhar,
se diz o que em toda a vida
não se pôde revelar.
89
O Sol, que é todo energia,
num requinte de nobreza
permite que a névoa fria
ofusque a sua beleza.
90
Quando estás muito afastado,
e te escrevo com rudeza,
não é que eu tenha mudado
nem é ciúme: é tristeza...
91
Maldosamente confessas
que a esperança que me davas
era parte das promessas
que fingias que pagavas.
92
Não é partindo, querido,
sem qualquer explicação
que vai ser menos dorido
o mal dessa ingratidão.
93
Ao partir, não diga nada
nem chore, porque depois
há de haver outra alvorada
no destino de nós dois.
94
Quisera ser um brinquedo
ou ser fios de esperanças
para morar em segredo
no cotação das crianças.
95
Ao me deixares ferida
nas fibras do coração,
eu vi que a dor mais sentida
é a dor de uma ingratidão.
96
Contei todo o meu passado,
os caminhos onde andei.
Se me aceitaste, és culpado,
porque nunca te enganei.
97
Quando raia um novo dia,
tão logo a aurora desponta,
meu mundo de fantasia
desperta do faz-de-conta.
98
Vivendo um sonho infinito,
eu perpetuo os momentos
em que não fico em conflito
com meus próprios sentimentos.
99
Não tive afeto, no entanto
esqueço a infância sem brilho
no instante em que te acalanto
como se fosses meu filho.
100
Ao teu amor me escravizo
sem um lamento sequer
porque escrava eu realizo
os meus sonhos de mulher.
101
Embora triste o meu pranto
que nem eu queria ouvir,
era afinal o acalanto
que me fazia dormir.
102
Sozinha, sem ter carinhos,
confesso, a bem da verdade,
que os que envelhecem sozinhos
pagam caro a liberdade.
103
Meu álbum - livro sagrado
de doces tempo antigos
traz de novo o meu passado
e a presença dos amigos
104
Este amor tem resistido
a nossas brigas constantes
porque te finges vencido
nos momentos conflitantes.
105
Quando ao padre não confesso
certos erros praticados,
ao esconde-los, começo
a somar novos pecados
106
Se a nossa desarmonia
deixou tantas cicatrizes,
maldigo a ilusão, que, um dia,
enganou dois infelizes.
 
107
Que independência de morte
a que a mulher tanto almeja,
sem perceber que é mais forte
no momento em que fraqueja ...
108
Que estranho: tantos carinhos
e tantos sonhos compostos,
e agora nossos caminhos
tomaram rumos opostos.
109
Não fosse a felicidade,
que cedo ou tarde se alcança,
não haveria saudade
nem vestígio de esperança.
110
A minha calma traduz
a fibra dos conformados
que, levando em paz a cruz,
vão descontando os pecados.
111
No pretexto de alegrar
nossos momentos tristonhos
procuramos reavivar as cinzas
de velhos sonhos
112
Chuva é coisa, não tem mágoa ...
e a fantasia da gente
descobre nas gotas d'água
uma dor que ela não sente.
113
O Destino, sem razão,
vendo meus dias risonhos,
pôs nuvens de solidão
e um pôr-do-sol nos meus sonhos.
114
Penso em você, e as lembranças
que tenho sobre nós dois,
são uns laivos de esperanças
que morrem logo depois ...
115
Minha angústia se desfaz
quando, depois de brigar,
você, de novo, me traz
promessas de amor no olhar.
116
Há conflitos raciais
porque o racista não sente
que os homens são desiguais,
mas vêm da mesma semente.
117
Quanta gente pela vida
tem liberdade, frustrada,
pois chega a ser concedida,
mas não pode ser usada ...
118
Condenas no meu passado
uns erros quase infantis,
mas não pode ser culpado
quem procura ser feliz.
119
O teu orgulho doentio
disfarçado em altivez
não mostra excesso de brio,
mas falta de sensatez.
120
Hoje, que estás à distancia,
meu coração já não chora,
porque desde a minha infância
tudo que é bom vai-se embota.
121
Deus extermina o martírio
quando a chuva no sertão
e um milagroso colírio
nos olhos d'água do chão.
122
Minha viola não sabe,
nem há de saber jamais,
que nas suas notas cabe
toda a angústia dos meus ais.
123
Ironizas o que faço
se não sou bem sucedida,
mas ocorre que o fracasso
também faz parte da vida!
124
Finda o Inverno e a Natureza
junta ao meu, seu pranto amigo.
Depois, na minha tristeza,
quem virá chorar comigo ?
125
Eu te acusei... entretanto
não guardei nenhum rancor
muito se espera de um santo,
mas nunca de um pecador.
126
Nosso amor mudou de rito
no instante em que percebemos
que mais grave que um conflito
é a verdade que escondemos ...
127
Sou orgulhosa: doentia
com o que a vida não me deu,
mantenho a cabeça erguida,
como quem nunca sofreu
128
Descendo a encosta da serra,
as nuvens, em procissão,
cobrem aos poucos a terra
com estolas de algodão.
129
Se não consegues perdoar
a culpa que me tortura,
evita, ao menos, olhar
com esse olhar de censura
130
Cuidado, amor, nos caminhos
tortuosos, imperfeitos,
existem pedras e espinhos
punindo os nossos defeitos
131
Minha vida vou levando
como um fardo cansativo,
talvez, em vão, procurando
descobrir porque e que eu vivo
132
Nas minhas preces, contrita,
pelo milagre da crença,
não vejo Deus, que me fita,
mas sinto a Sua presença.
133
Se houver um conflito, cala,
pois, em plena discussão,
quanto mais a gente fala
tanto mais perde a razão.
134
Neste abandono profundo,
na angústia em que me debato,
nem sei se vivo no mundo
dos que estão vivos de fato!
135
Mesmo livre como o vento,
se te encontro em meu caminho,
como escrava, me acorrento
ao teu primeiro carinho.
136
Serás feliz, me dizias
quando eu era uma criança.
Pobre mamãe, não mentias:
quem falhou foi a esperança!
137
Se um cego tem a magia
do amor, que a tudo conduz,
nas trevas do dia-a-dia
encontra réstias de luz.
138
Buscando a felicidade,
ao amor me escravizei,
e foi por livre vontade
que jamais me libertei.
139
No momento da partida,
não chorei, mas vejo agora
que é muito mais dolorida
a mágoa de quem não chora.
140
Para atenuar o conflito
existente entre nós dois,
vou fingindo que acredito
na paz que virá depois.
141
É inverno ... Chove lá fora
mas o frio que me invade
não é o do tempo que chora
é o frio atroz da saudade.
 
142
Só não faz milagre a prece
de muita gente na Sé
porque Deus não reconhece
as rezas feitas sem fé.
143
O orgulho ferido cresce
no fim de amor infeliz
quando alguém finge que esquece
que um dia também nos quis ...
144
O meu sorriso tristonho
e a prata do meu cabelo
são marcas de um grande sonho
transformado em pesadelo
145
Nem mesmo o Senhor, que é Santo
que é perfeito e compreensivo,
iria conter o pranto
vivendo o drama que eu vivo.
146
Quando no circo o palhaço,
ao ver a platéia, chora,
é com pena do fracasso
daqueles que o são lá fora
147
Até gosto de brigar
porque, depois de um conflito
quem ama e sabe perdoar
beija as raias do infinito.
148
É triste sentir agora
já bem perto da descida,
que te encontro como aurora
no crepúsculo da vida.
149
Quem der amor livremente,
sem fazer jura ou promessa,
não culpe a sorte somente
se esse amor passar depressa.
150
Porque o Destino não quis
legar-me e dias risonhos,
busco a noite ser feliz
na fantasia dos sonhos
151
Entendo a tua inconstância,
porém choro noite e dia
perdida nesta distância
que buscaste, e eu não queria
152
Vejo, de alma angustiada
por ofensas recebidas,
que uma palavra impensada
pode mudar duas vidas.
153
Mesmo de orgulho ferido
por tudo que me fizeste,
eu te daria, querido,
o perdão que não me deste!
154
A minha alma é tão vazia,
tanto a angústia me apavora
que eu já nem sinto poesia
no crepúsculo ou na aurora.
155
Não recorra a Deus, aflito,
quando a discórdia é fugaz,
pois todo amor infinito
acaba encontrando a paz
156
Amanhece ... E na alvorada
que anuncia um dia lindo,
retomo a inútil jornada
dos que padecem sorrindo.
157
Sou mais feliz que os ateus,
na minha estranha descrença,
porque consigo ver Deus
no céu da tua presença.
158
Brigamos e foste embora,
mas os ciúmes malditos
me fazem sentir agora
a falta desses conflitos.
159
Na quietude de minha alma,
que vive dias sombrios,
há um arremedo de calma
como o remanso dos rios...
160
Não queiras nunca, semente,
ser gente, pois sepultada
tomas a forma de gente,
e a gente, a forma do nada!
161
Penso em te ver, mas reflito:
depois de me abandonares,
eu temo que haja conflito
até na troca de olhares.
162
Somente no calendário
meu ser difere do inverno,
pois seu frio é temporário
e o que trago na alma é eterno.
163
Partiste ... e não me lamento
nem em prantos me consumo.
Eu já sei que és como o vento,
que muda sempre de rumo ...
164
Chove! E o meu olhar,
perdido nas poças d'água da rua,
conserva o pranto escondido,
que a tristeza contínua.
165
Quando me pedes perdão,
tuas culpas me revelas
com tamanha contrição
que até passo a gostar delas.
166
Nosso encontro novamente,
que era tão ambicionado,
veio revolver somente
tristes cinzas do passado
167
Só eu sei quanto me esforço
dando o que tenho em carinho,
com medo de que o remorso,
se atravesse em meu caminho.
168
Proclamam, fazendo intrigas,
que brigamos com frequência,
mas só não dizem que as brigas,
são brigas sem conseqüência.
169
Voltei para te dizer
que perdoei tua maldade,
pois não consigo viver
tendo apenas liberdade.
170
Enfrentei tantos fracassos
que hoje, sem forças, vencida,
espelho em trôpegos passos
toda a energia perdida.
171
Quando empunho o meu violão,
ele encosta de mansinho
o seu braço em minha mão
numa troca de carinho.
172
Nem, num gesto de piedade,
quando passa em minha porta,
visita a felicidade
a minha esperança morta.
173
A aurora surge... Clareia,
e, no oposto do arrebol
vai jogando a Lua-Cheia
beijos de amor para o Sol.
174
Eu não te culpo, querido,
se entre nós deu tudo errado,
que, em amor incompreendido,
não há somente um culpado.
175
Mamãe, na distância imensa
que me separa de ti,
eu sinto a tua presença
nas cartas que leio aqui.
176
Sente mais a desventura
pela falta de carinho
quem não recebe a ternura
que semeou pelo caminho.
177
Sem palavra, foste embora,
e eu sem palavras fiquei,
mas Deus sabe o quanto agora
sofro porque não falei ...
118
Não me prometas jamais
um céu que não seja o teu,
pois já sou feliz demais
com o amor que Deus me deu.
179
Quem se esforça em aprender
alcança um bem permanente,
que a fortuna do saber
não há quem roube da gente.
180
Quando brigo e me desculpas
com tanta felicidade,
quem sabe á o peso das culpas
de tua infidelidade ? ...
18 1
Quando os atritos desgastam,
são, muitas vezes, fatais,
e os que mais amam se afastam,
sem querer cada vez mais.
182
Se eu vivo na solidão,
sou culpada: pago o preço
de querer um coração
que nem sei bem se mereço.
183
Meus natais foram tristonhos
porque a sorte não me deu
os presentes que, em meus sonhos,
a ilusão me concedeu.
184
Se tens medo dos venenos
que fazem de nós, que partas,
mas devolve pelo menos
as cinzas das minhas cartas.
185
Evoco preces da infância,
e o meu desconsolo cresce,
sentindo a imensa distância
entre a crença e a minha prece.
186
Teus olhos, sem luz nem brilho,
por uma graça de Deus
entendem, sem ver, meu filho,
toda a linguagem dos meus.
187
Neste abandono constante,
vejo em meus dias tristonhos
que e sempre quarto-minguante
na lunação dos meus sonhos
188
Teu preconceito conflita
com os ditames do amor,
que um coração não limita
uma afeição pela cor.
189
Muito embora ainda me doa
o que o teu orgulho fez,
meu coração te perdoa
trinta e um dias por mês ...
190
Não diga nada ao partir,
palavra nenhuma importa:
de que, nos vale fingir
quando a ilusão já está morta ?
191
Mesmo que esteja enganada,
conscientemente me iludo
e de um pedaço de nada
eu, sonhando, crio tudo ...
192
Palhaço, não se lamente,
pois você, como a esperança,
é a alegria mais presente
no coração da criança
193
Trazendo agora à memória
tanta batalha perdida
vejo o quanto foi inglória
a história da minha vida.
194
Deixaste-me só, na entrada,
mas, amor, tanto eu te quis
que não me sinto magoada
se a fuga te fez feliz.
195
Se hoje tens palmas apenas,
depois teu mérito expandes,
que é das vitórias pequenas
que partimos para as grandes.
196
Sentindo que o Tempo corre
eu tenho medo do fim:
cada minuto que morre
mata um pouquinho de mim.
197
Para adoçar os caminhos
que a vida amarga traçou,
eu fiz rosas dos espinhos
e mágoas que ela deixou.
198
Já sofri muito em segredo,
e agora, que me refiz,
sou feliz, mas tenho medo
de dizer que sou feliz!
199
Se me voltasse a energia
que esbanjei o quanto quis,
então, recomeçaria
e faria o que não fiz ...
200
Sou demais agradecida
por tudo quanto alcancei
porque recebi da vida
muito mais do que sonhei!
 
CULTUANDO A FANTASIA
PARA ESQUECER MINHA DOR,
NO TEMPLO DA POESIA,
FIZ ESTAS PRECES DE AMOR ...
 
 
ESTRO...PIADAS!
 
Não é charminho nem sestro:
Não sou das mais engraçadas,
mas o culpado é o meu estro,
que só faz ESTRO...PIADAS !
201
É um compromisso de morte
que à liberdade põe fim:
Aceita-a como consorte ?
E o sem-sorte diz que sim !
202
Sendo um caolho perfeito
com olhar de peixe morto
só vê um troço direito
quando o troço fica torto...
203
Homem casado, quando ama
outras mulheres na rua,
levanta aquelas da lama
e põe defeitos na sua !
204
Minha sogra, a mascarada
que finge ser inibida,
já foi muito mais testada
do que pista de corrida ...
205
É tão bagulho a Sofia
que, ao vê-Ia, a turma diz: - Puxa!
Parece que todo dia
se fantasia... de bruxa!
206
A comadre Soledade
faz cada troço que espanta:
vai sempre à Maternidade
para tratar da garganta ...
207
O Colares não se amola,
pois quando não estudou,
na hora da prova cola,
porque se colar ... colou!
208
Aguiar num caminhão,
canhoto como ninguém,
entrou mal na contramão,
mas veio o Guarda e entrou bem!
209
Mentes com tanta meiguice
e com tanta ingenuidade
que esses teus disse-me-disse
até parecem verdade ...
210
Um sujeito extravagante
com CC muito bodoso
bebia desodorante
para suar mais cheiroso ...
211
Quando a Sara viu o custo
do tratamento que fez,
tomou um tamanho susto
que adoeceu outra vez
212
Viuvinha bem decente,
sofreu tanto a Florisbela
que um seu vizinho Clemente
resolveu morar com ela.
213
Incurso em poligamia,
depois que foi condenado,
disse: - Credo! eu nem sabia
que já tinham me casado !
214
A sogra mandava em tudo,
e o tadinho do Tadeu
só pôde andar cabeludo
depois que a dita morreu.
215
Esconde, quando se pinta,
a idade, mas nem se manca
que, enchendo a cara de tinta,
não faz sumir a pelanca!
216
Tem tanto segredo, tanto,
que, em seu diário, a Inocência
escreve pouco ... no entanto
fala tudo a reticência
217
Se a galinha vai no embalo
cantando o mesmo estribilho
ou quer conquistar um galo,
ou, então, um grão de milho.
218
O Memória jura à beça
não se esquecer da patroa,
mas se esquece da promessa
vendo tanta dona boa.
219
Perto de oitenta e donzela,
ainda pede a Santo Antônio
para interceder por ela
nas tentações do Demônio.
220
Sou nordestina valente,
minha coragem não falha,
mas, quando eu vou mesmo em frente,
vem o medo ... e me atrapalha!
221
Sempre contando lorota,
diz que fala até chinês,
e, ao dizer-se "poligrota",
asssassina o português.
222
Fica enfezada a coroa,
se a chamam Senhora,
e, aflita, reclama logo: - Essa é boa!
Senhora não! Se-nho-ri-ta !
223
Vai sempre ao banho de mar,
mas não enfrenta as marés,
porque quer mesmo é "pescar"
um "barbudo" ... de dois pés.
224
Por ser direito, na escola
não se vinga com besteiras:
tira zero, mas não cola
nem chicletes nas carteiras
225
Tem rugas que mete medo,
banca o broto e não repara
que é inútil fazer segredo
de um troço que está na cara!
226
Tão avarenta é a Marcela,
apesar de ser ricaça
que nem um sorriso dela
ninguém consegue de graça ...
227
Velando o bom companheiro,
como era boa, a viuvinha
arranjou logo um parceiro
para não chorar sozinha!
229
Ele paquera na encolha
embora sendo casado,
pois quem tem sogra caolha
tem que ter faro dobrado.
229
Com cara aportuguesada,
no cartório: "- É brasileira?"
E a mulher, muito invocada:
"- Eu ? não senhor. Sou mineira!"
230
Ou os juntou o Demônio
com elos falsificados,
ou, então, o Padre Antônio
não os casou bem casados ...
231
Por ser conservada a Alice
e ter a pinta que tem,
se aposentou por velhice
e ainda espera neném...
232
Meu vizinho briga à-toa
porque é um sujeito estourado,
mas, vendo a mãe-da-patroa,
perde logo o rebolado.
233
Não cola porque é sincero
e não é cara-de-pau.
Mas sem colar tira zero.
Como é que vai colar grau ?
234
O doutor ao ancião:
- Mulherzinha lhe faz mal ?
- Doutor, se eu não sou anão,
por que não mulher normal ?
235
Quando a isca está perfeita,
pesco ate peixe cozido,
mas não consigo a receita
para "pescar" um marido!
236
Meu biquininho é uma graça
e cabe em qualquer lugar.
É tão pequeno que a traça
não encontra o que cortar...
237
Ela esnoba pra chuchu
apesar de muito pobre,
mas a mina do tutu
nem o Demônio descobre ...
238
Xingou o genro de tudo
a bomba velha porque
ele botou cola-tudo
noutra bomba: a de laquê!
239
Morreu coroa e donzela,
foi pro Céu, mas deu azar!
Vendo a pinta e o jeitão dela,
barraram: não pôde entrar.
240
A empregada, quando é boa,
manda tanto, tanto, em casa
que, na ausência da patroa,
também manda a sua brasa ...
241
Perdida, a mulher do Nilo,
que é um outro caso perdido,
bota sempre mais um grilo
na cabeça do marido!
242
Coragem nada! Ora essa!
Eu sou lá de me meter ?
Nem bem a briga começa,
eu já começo a correr !
243
Hoje mais nada é pecado
nem a falta de vergonha:
se um neném chega apressado,
a pressa foi da cegonha...
244
Posuda passa a madame ...
luxa muito, passa bem
e ainda passa vexame
quando passa do que tem!
245
As moças que dizem ser
devotas de Santo Antônio,
são assim por não haver
um santo: São Matrimônio!
246
O fuzuê foi danado
quando o genro, certo dia,
disse ao sogro, encorajado:
"- Vim devorvê sua fia".
247
Ele ronca e não desperta!
E a mulher, por previdência,
deixa sempre a porta aberta
para os casos de emergência.
248
A paquera foi barbada,
mas, depois do papo e tudo,
viu que a cara paquerada
era um cara cabeludo ...
249
Gastava energia a esmo,
gastava tanto que, um dia,
quando precisava mesmo,
era uma vez a energia...
250
A coroa do Olegário
tem tanto, tanto, pecado
que, ao fazer o seu diário
em que ser ta-qui-gra-fa-do.

 

SE O LEITOR CONDESCENDENTE
ACHOU ALGUMA ENGRAÇADA,
GUARDE O LIVRO E, BREVEMENTE,
VOLTE A DAR UMA EX... PIADA!

 

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