QUEM SERÁ O PRÓXIMO???
(texto de José - 16.12.2013)   -    (Veja mais textos do autor em http://www.falandodetrova.com.br/ouverneyconverso)

          Marina Bruna se foi. Como tantos outros.  Apenas confirmando que nesse insondável mistério chamado VIDA, somos meras peças descartáveis.  E assim como chegamos, também partimos.
 
          E os que ficam, notadamente no cenário trovístico, vão emendando uma lágrima na outra, porque em nosso meio a elevada média de idade contribui para acelerar o processo.  Vinte dias atrás já perdêramos Rodolpho Abbud.  O que nos faz pensar, assustados até:  qual de nós será o próximo?
 
          Detesto utilizar espaços para falar de falecimentos de amigos.  Orgulha-me, isto sim, exaltar-lhes os feitos, as glórias.  Mas é necessário registrar, documentar.  E isso dói.
 
          Marina Bruna.  Como descrevê-la? Uma pessoa doce, amável, possuidora de vários dotes, todos inquestionáveis.  Entre eles, a música e a poesia. E, dentro da poesia, a Trova, na qual colecionou centenas de troféus.  Não se limitou a ganhar prêmios, apenas.  Preocupou-se, antes de tudo, em qualificar o que fazia.  Há autores premiados, de cujas trovas nunca nos lembramos. De nenhuma.  No caso de Marina, muitos de seus versos ficam na memória.  De imediato eu me lembraria de:
 

Quis te falar... mas não pude...    (Venc. Amparo 1999)
E, então, te dei uma flor...
As flores têm a virtude
de saber falar de amor...
 
A ciranda traz lembranças,
que a saudade perpetua,
de um tempo em que nós, crianças,    (premiada em Pinda, em 2002)
éramos todas de rua...
 
Velho bilhete... lembrança                   (1º lugar em Nova Friburgo em 1999) 
de um amor que não foi meu...
Um pedido de esperança
que a vida não respondeu... 

 
          E, assim, muitos outros...  Paulista de Franca, filha dos professores Jaime Bruna e Diva Luz Paiva Bruna, tal como os pais, exerceu brilhantemente o magistério, optando pela cadeira de Matemática. Era formada também em Pedagogia e Jornalismo. Deixa os filhos Jaime e Francisco José, a quem dedicou seu último livro: “Cantares”, com 300 trovas, publicado em 2010.
 
          É detentora de uma honraria até hoje única no Brasil. Embora todos concorram nos concursos promovidos pelo CTC (Clube dos Trovadores de Caicó/RN), pouca gente sabe que Caicó agracia com o título de “Exímio Trovador” aquele/a que ficar entre os dez primeiros por três anos consecutivos.  A única a conseguir essa proeza até hoje foi Marina Bruna, no mesmo ano do lançamento de seu livro. Feito este alcançado com as trovas abaixo:
 
2008  -  1º lugar:
1°- Deus modela a nossa estrada
 porém nós, em atos falhos,
modificando a jornada,
nos perdemos nos atalhos...
Marina Bruna - SP>> > >
 
2009 - 3º LUGAR:
A brisa que tange as matas
É uma artista sem igual
dedilhando serenatas
nas liras do coqueiral
 
2010 - 7°  LUGAR:
Vivo, no ocaso, otimista
pois, quando o sol vai-se embora,
vejo o pincel de um Artista
pondo, em meu céu... tons de aurora...

 
            Considero-me privilegiado, pois no mais recente evento da UBT São Paulo, em outubro deste 2013, desfrutei do prazer de conversar com a hoje saudosa trovadora.  Na ocasião ela classificou (foram talvez, suas derradeiras premiações) duas trovas que, ironicamente, versaram sobre o tema “Despedida”...
 
          Um tema que Marina levaria ao pé da letra dois meses depois, no dia 16 de dezembro de 2013.  Já estivera gravemente enferma antes, mas seu espírito guerreiro prevalecera.  Desta vez o final foi diferente...
 
 
Pra mim, a mais dura prova
hoje é uma cena comum:
ver meus ídolos da Trova
irem partindo, um a um...
JOSÉ OUVERNEY – em 18.12.2013

Comentários

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Marilucia Rezende on qua, 12/25/2013 - 19:55

       Marina Bruna querida,
       partiste...e nesse momento,
       as trovas da tua vida,
       enfeitam meu pensamento!...
  
       Sua eterna amiga, Marilucia.
       Dezembro/2013

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ouverney on sex, 03/10/2017 - 10:31

É isso, Marilúcia. Continuo achando difícil ver o mundo da Trova sem Marina...