LUCIDEZ  =  Divenei

Se eu te disser que sou feliz agora,
nesse momento em que a razão cochila
e, na modorra, enxerga só a mochila
que carregavas quando foste embora;

que o meu rancor, agora, não destila
o fel que dentre estas paredes mora,
e que saudade alguma hoje devora
o coração que recobri de argila;

se eu te disser que a porta do meu quarto
por onde tu partiste foi o parto
da solidão que eu quis, sem dor, sem ira,

por hoje, podes crer, mas toma tento:
È falsa a lucidez do meu tormento
e tudo o que eu disser, hoje, é mentira!...
 

[2º lugar (Composição) no 23º FEPOC de Cerquilho/SP – Concurso Nacional promovido pela Secretarias de Educação e de Cultura daquele Município em  19/11/2010] 

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 ANJO NEGRO
 
Tentando em vão ouvir a voz do sino
sepulto nas sepultas pedras brutas,
eu perguntei ao mar: - com que permutas
o som que eu tento ouvir com desatino?
 
Assim foi quando eu quis, do meu destino,
sondar os socavãos das próprias grutas
que guardam até hoje, hostis e astutas,
meu barco sem timão: meu próprio tino.
 
Mas, vendo entardecer o meu desgosto,
a lua branca e o sol, já quase posto,
descerram do mistério o denso véu
 
e um anjo cor da noite, abrindo a trilha,
levou-me ao céu recôndito da Ilha
e eu cavalguei o mar dentro do céu!
3º lugar no Conc. Águas Marinhas-Jornal de Ilhabela/1994
3 MH nos VII J.F. de Sta Joana Princesa-Aveiro/PORTUGAL/1996

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              RESSURGIMENTO
 
Quando voltares - mesmo de repente -
não te farei cobranças. Meus dois braços
transformarei em dois singelos laços
para envolver-te doce e ternamente.
 
Se eu vir em ti as marcas de fracassos
desviarei o olhar, discretamente…
Discretamente, se me vens contente,
não pedirei relato dos teus passos…
 
Ressurgirei das cinzas negras, frias
que me cobriram por milhões de dias
enquanto andavas por jardins (ou lodos…)
 
E mais que o antigo amor, o amor de agora
me levará enquanto tarda a aurora,
por sobre as nuvens, entre os astros todos!
 29/04/1999
Quarto Lugar (Diploma) no XI CONC INTERNACIONAL CENTRO CULTURAL PROF. FARIS MICHAELE – PONTA GROSSA-PR-1999
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                  V O L T E I
 
Rasguei o teu retrato em pedacinhos,
também as cartas, sem as ler de novo,
sem rumo, fiz das ruas meus caminhos
e caminhei, sem medo, junto ao povo.
 
Eu, que de um sonho nunca me demovo,
domei meus sentimentos mais mesquinhos:
ramada seca a espera de um renovo
que superasse a sanha dos espinhos.
 
Tudo ilusão! Ninguém secou meu pranto
enquanto andei por uma eternidade:
Voltei sem fé nenhuma, em nenhum Santo...
 
Voltei? Não era eu... Na realidade,
morri em cada rua, em cada canto...
Quem volta é só um fantoche da saudade.
7o Lugar Concurso de Sonetos de Amparo
M.H. no XV FEFOC (Festival de Poemas de Cerquilho-SP – 2000
Publicado no Livro do Certame (2. Lugar em Interpretação – Troféu)
 

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             FIDELIDADE

Em meio ao turbilhão da era em que vivemos,
vieste me encontrar desesperada, aflita,
amarga a lastimar minha banal desdita:

ter um só coração... e a dor que todos temos!

 

Ao ver-me tu sorris com ternura infinita,

elevas meu humor e, juntos, antevemos

que, à custa de labor, veremos que vencemos,

fincando nos paúis a nossa palafita!

 

E tento te alcançar, astro de mil fulgores,

doando-te de mim quanto te possa dar,

competindo, de igual, com os computadores...

 

Entanto, nessa luta, ao ver-me fraquejar,

não te preocupas mais com estes meus temores...

Mas pede-me uma estrela e eu a irei buscar! 

 

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NOTA DA AUTORA: Informação desnecessária... este acho que foi o

Último “Alexandrino” que me meti a fazer.

Como os outros, acentuei mais a 2ª , e até na 3ª!!!

 mas passou pela revisora, exigente. Publicado na

Antologia de Sonetos da Casa do Poeta de São Paulo. Em 1992. 

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       ENTRE AS VELAS 

 

No altar um jarro, lídimo barroco,

abriga rosas, delicadas flores,

para enfeitarem com perfume e cores

a igreja que, por fora, é só um reboco.

 

O coroinha, um tanto dorminhoco,

vem resmungando pelo corredores,

mas, ante o padre e a Virgem, seus pendores

reprime mais que os santos de pau oco…

 

Eu olho as rosas murchas entre as velas,

verticais  barras brancas paralelas

e ouço a reza em tom de crença pia…

 

Herege, vejo em tudo o que contemplo

resquícios do teu corpo, estranho templo

onde eu rezava todo santo dia…

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A DESPEDIDA

      

O amor parece eterno enquanto dura,

por força da paixão que, sendo chama,

incendiando a carne, crema a cama!

No café da manhã se faz candura...

 

E a dois vai, no verão, rolar na grama,

na várzea, no curral, e a mais impura

das camas de motel lhes assegura

o encanto inenarrável de quem ama...

 

O amor constrói, corrompe, danifica

por força da paixão: queima e não fica

para curar sequer uma ferida...

 

Partir? Chorando ou rindo? Tanto faz...

Dizer adeus ou não?... Tudo é falaz!

Cruel e verdadeira é a despedida...

 

 

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