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TRÊS  TROVAS  "MAGNÍFICAS"!

Nova Friburgo,  "Berço da Trova no Brasil", tem a sua Galeria de "Magníficos Trovadores", num total de 37, entre vivos (19) e falecidos (18).   Uns, no gênero 'líricas e filosóficas"; outros, no gênero "humorísticas" e, alguns desses, em ambos os gêneros. Para tornar-se um "Magnífico Trovador", precisa o postulante classificar-se por três anos consecutivos nos Jogos Florais de Nova Friburgo. Em líricas/filosóficas seu nome tem que aparecer entre os dez primeiros colocados e, em humorísticas, entre os cinco primeiros. Aqui temos o prazer de apresentar-lhes os nomes que compõem essa preciosa galeria e, ainda, as três trovas que elevaram cada nome a essa condição específica. Se alguns desses nomes estão sem seus trabalhos vencedores, pedimos desculpas. Foram dados compilados da UBT de Nova Friburgo, que está se movimentando no sentido de complementar os dados. 
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 TROVADORES MAGNÍFICOS E SUAS TROVAS VENCEDORAS
 

ALCY RIBEIRO SOUTO MAIOR

1977 – CONFLITO
Este amor traz-me ventura
num conflito que alucina:
Faz com que eu, mulher madura,
tenha sonhos de menina...
1978 – OCASO
Na paixão em que me abraso
tanto sol tem minha estrada,
que eu não troco o meu ocaso
pela mais linda alvorada!
1979 – AUSÊNCIA
Tu partes com tal freqüência
que, embora em meio às promessas,
persiste um sabor de ausência
toda vez que tu regressas.

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ALOÍSIO ALVES DA COSTA - Fortaleza/CE

1989 – TEIMOSIA
Teimei no amor... e errei tanto
na teimosia de amar,
que eu mesmo não sei mais quanto
errei tentando acertar!...
1990 – LEMBRANÇA
Guardei tantas esperanças,
ilusões, sonhos banais,
que em meu cofre de lembranças
nem saudades cabe mais...
1991 – ESPAÇO
Neste amor, grande e bendito,
quando em teus braços me ponho,
o nosso espaço é infinito
e é sem limite o meu sonho...

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ANÍS MURAD

1960 – AMOR
Eu amo a vida, querida,
com todo mal que ela tem!
Só pelo bem – que há na vida,
de se poder querer bem!
1961 – SAUDADE
Maria, só por maldade,
deixou-me a casa vazia...
- Dentro da casa, saudade,
e, na saudade... Maria!
1962 – CIÚME
Guarda este pranto, sê forte,
foi pra morrer que eu nasci.
Ou tens ciúmes da morte
que quer levar-me de ti?

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ANTONIO CARLOS TEIXEIRA PINTO - Brasília / DF

1974 – FIBRA
Fibra, amor, eu tive um dia...
Foi triste a separação:
- Apertei-te a mão vazia
e enchi de adeus minha mão!
1975 – ENCONTRO
Rogo em preces comovidas,
que o nosso amor se concentre
no encontro de duas vidas
formando vida em teu ventre!
1976 – CULPA
Dou-te a mão à palmatória...
foi minha a culpa, confesso.
Mas, não te darei a glória
do perdão, que não te peço!

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ARLINDO TADEU HAGEN - Belo Horizonte

1983 – QUASE
Eu quase posso notar,
nos momentos de descanso,
a saudade cochilar
na cadeira de balanço!...
1984 – AMOR
Eu te imploro, por favor,
não insistas neste adeus...
Se não for por meu amor,
fica, pelo amor de Deus!
1985 – BRINQUEDO
Infância é um brinquedo usado
que um dia a vida resolve
tomar um pouco emprestado
e nunca mais nos devolve!

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CAMPOS SALES

2012 - PASSAGEM - MH (6º lugar)
Meu mundo foi devastado,
não por um vento qualquer;
foi passagem de um tornado,
que tem nome de mulher.

2013 - PREÇO - 1º lugar
Cobra a vida o preço justo,
por nossos erros fatais,
ser feliz a qualquer custo,
é sempre caro demais !

2014 - PASSEIO - 1º lugar
Por água o Nordeste anseia
e,  no flagelo do estio,
sedenta a sede passeia
por onde passava um rio! 

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CARLOS GUIMARÃES- Rio de Janeiro

1966 – DESPEDIDA
Meu lenço, na despedida,
tu não viste em movimento:
- Lenço molhado, querida,
não pode agitar-se ao vento!
1967 – NOITE
Na noite do teu regresso,
desculpa o que eu te disser
e perdoa todo excesso
dos carinhos que eu te der!
1968 – FRIBURGO
Depois do sétimo dia,
quando Deus a Terra olhou,
viu que faltava a poesia,
fez Friburgo... e descansou!...

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CAROLINA RAMOS - Santos

1971 – ANGÚSTIA
Enquanto as forças fugiam,
chegando o instante do adeus,
os teus olhos refletiam
a mesma angústia dos meus...
1972 – SILÊNCIO
Sempre acolho de mãos postas
e humilde tento aceitar
o silêncio das respostas
que a vida não sabe dar.
1973 – RETICÊNCIAS
Mãos tristes, temendo ausências,
se despedem com revolta...
Nosso adeus tem reticências
que acenam gritando: - Volta!

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COLBERT RANGEL COELHO

1960 – AMOR
Eu sigo na minha rota,
vencido, cheio de dor.
Causaram minha derrota
minhas vitórias no amor.
1961 – SAUDADE
A todo mundo insinuas
que não mando no que é teu,
Mas tenho saudades tuas
e o dono delas sou eu.
1962 – CIÚME
A vida, às vezes, resume
contrastes deste teor:
Só se morre de ciúmes
quando se vive de amor.

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DURVAL MENDONÇA

1962 – CIÚME
Dizes que sou ciumento,
não posso contradizer-te,
se vivo a todo momento
o momento de perder-te.
1963 – VIDA
Nasce uma planta. Em seguida,
vem a flor... Surge a semente...
E no milagre da vida
surge a vida novamente...
1964 – BEIJO
Ao beijar a tua mão
que o destino não me deu,
tenho a estranha sensação
de estar roubando o que é meu!...

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EDGARD BARCELLOS CERQUEIRA - Rio de Janeiro

1961 – SAUDADE
Saudade, lembrança triste
de tudo que já não sou...
Passado que tanto insiste
em fingir que não passou...
1962 – CIÚME
Duas vidas separadas...
Dois amores... Dois queixumes...
Duas saudades... Dois nadas...
Somos nós dois – Dois ciúmes!...
1963 – VIDA
Nossa rede balançando...
Nossa conversa entretida...
A nossa vida passando...
A gente esquecendo a vida...

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ELTON CARVALHO - Rio de Janeiro

1974 – FIBRA
Merece ser destacada
a fibra heróica de quem
vencido, cria do nada
as forças que já não tem!
1975 – ENCONTRO
É estranha a felicidade:
quem sente o peito vibrando,
marca encontro com a saudade...
sem saber que está marcando...
1976 – CULPA
Pela bondade que tens,
por tudo, Senhor, que vales,
é tua a glória dos bens
e é nossa a culpa dos males...

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EDMAR JAPIASSÚ MAIA - Rio de Janeiro / RJ

1991 – ESPAÇO
Coração... cerca o pedaço
para que o amor não se perca,
que hei de cuidar desse espaço
antes que a dor ponha cerca!
1992 – EMOÇÃO
É num leito outrora farto
de emoções e descobertas,
que no vazio do quarto
pranteio as horas desertas...
1993 – RETRATO
Beijo-te a foto... e na espreita
deste amor que eu idolatro,
minha saudade se ajeita
no retrato três por quatro!

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EDNA VALENTE FERRACINI - São Paulo / SP

2005 – MOTIVO
O motivo é tão perfeito...
Meia-lua... céu em festa...
Que o sonho sonha no leito
da rede que a Lua empresta!...
2006 – FRONTEIRA
Confinei um sonho ousado
nas fronteiras que tracei,
mas o sonho, revoltado,
tornou-se um fora da lei.
2007 – MENSAGEM
A mensagem dos meus lábios
em resposta a sua ofensa,
tem o silêncio dos sábios,
que outra resposta dispensa!

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HELVÉCIO BARROS

1972 – SILÊNCIO
Muita lágrima sentida
em silêncio sei que enxugas...
- São reticências da vida,
pelo caminho das rugas...
1973 – RETICÊNCIAS
Há sempre um dia cinzento
vivendo dentro de nós...
- Reticências de um lamento...
- Tristeza que não tem voz!
1974 – FIBRA
Cabelos brancos ao vento,
- Saudade feita de neve!
Mil fibras de sentimento
dizendo a tudo até breve!...

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IZO GOLDMAN - São Paulo / SP

1975 – ENCONTRO
Eu e tu, duas metades
que a vida vai separando...
Eu e tu, duas saudades
na saudade se encontrando.
1976 – CULPA
Eu não fecho a minha porta
para o filho que é culpado;
a flecha não voa torta,
é o arco que atira errado.
1977 – CONFLITO
Meu conflito e meu fracasso
é que as trovas que componho
têm sempre os versos que eu faço,
e, nunca os versos que eu sonho...

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JOÃO FREIRE FILHO - Rio de Janeiro / RJ

1988 – PROCURA
Não culpo os sonhos por tudo
de tristeza que me encerro:
procurei mãos de veludo
e encontrei punhos de ferro!
1989 – TEIMOSIA
Se a vida resolve, ingrata,
fazer meu mundo tristonho,
quanto mais meus sonhos mata
tanto mais, teimoso, eu sonho!
1990 – LEMBRANÇA
A saudade não permite
nem que eu sonhe um novo amor:
tua lembrança é um limite
que eu não consigo transpor...

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JOÃO RANGEL COELHO

1972 – SILÊNCIO
Há no silêncio das plantas
a germinar pelas leivas,
o grito de mil gargantas,
numa algazarra de seivas.
1973 – RETICÊNCIAS
As  reticências, com a gaze       (8º lugar Nova Friburgo - 1973)
de sua móbil perícia,
são bailarinas da Frase,
para o ballet da Malícia..

1974 – FIBRA
Tenho a fibra dos audazes.
Mas tu, menina, tão mansa,
da minha fibra é que fazes
teu brinquedo de criança.

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JOSÉ LUCAS DE BARROS
2012 - PASSAGEM - MH (9º lugar)

Esperei tua passagem,
mas mudaste de avenida,
e eu perdi a tua imagem
nos quatro cantos da vida.

2013 - PREÇO - MH (5º lugar)
Longe do teu endereço,
sem notícia e sem afago,
a vida me cobra um preço
que em cinco vidas não pago!

2014 - PASSEIO - MH (5º lugar)
Ela, em lágrimas, me veio,
e minha casa era sua,
mas hoje, nem a passeio
pisa o chão de minha rua!

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JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO

1975 – ENCONTRO
Que vontade de chorar
sinto na alma, certos dias
em que abro as mãos para dar...
mas encontro as mãos vazias!...
1976 – CULPA
Ante as sandálias furadas
que entre cascalhos gastei,
não culpo o chão das estradas,
culpo os maus passos que dei!
1977 – CONFLITO
Quem vive de alma iludida
entre conflitos, não sente
que a gente não muda a vida,
a vida é que muda a gente!

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JOSÉ OUVERNEY - Pindamonhangaba / SP

2006 – FRONTEIRA
Fugir, poeta, não queiras,
do que a vida preceitua:
teu destino é abrir fronteiras
e deixar que o sonho flua!
2007 – MENSAGEM
Expulsando a maquiagem,
a lágrima veio, pura,
e pousou sobre a mensagem,
no lugar da assinatura!...
2008 – ESCOLHA
Duas culpas, um pecado
e um remorso a nos doer:
você – que escolheu errado;
eu – que nem pude escolher...

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JOSÉ TAVARES DE LIMA - Juiz de Fora / MG

1988 – PROCURA
Procura, na inglória trilha,
manter firme o teu comando,
que a derrota nunca humilha
quando se perde lutando!
1989 – TEIMOSIA
Espero-a... a noite está fria,
mas não desisto... ouço passos...
E o prêmio da teimosia
vem se acolher nos meus braços!...
1990 – LEMBRANÇA
Esquece a luta perdida
porque, mais que insensatez,
lembrar fracassos na vida
é fracassar outra vez!

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JOUBERT DE ARAÚJO SILVA

1969 - ABANDONO - 10º. lugar:
Chego ao fim, com os pés sangrando,
abandonado e sozinho...
- Meus sonhos foram ficando
um a um pelo caminho...
1970 - PRESENÇA - 7º lugar
Levando a minha descrença,
eu sigo ao léu e sozinho...
- Meu bem, sem tua presença,
qualquer caminho é caminho!
1971 - SILÊNCIO - 7o. lugar:
Veio a noite, imensa e fria...
A sombra envolveu a cruz...
E no silêncio morria
um deus gotejando luz!

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LUCY SOTHER DE ALENCAR ROCHA - Belo Horizonte

1977 – CONFLITO
Este louco às gargalhadas
que alegre assim te parece,
esconde em meio às risadas
os conflitos que padece.
1978 – OCASO
Ocasos... eu posso vê-los
num sino longe a tocar:
no branco dos meus cabelos,
no brilho do teu olhar...
1979 - AUSÊNCIA
Tua ausência vem e conta
o que a presença não diz,
e eu brinco de faz de conta,
fingindo que sou feliz.

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LUIZ OTÁVIO - Rio de Janeiro

1972 – SILÊNCIO
Nessas angústias que oprimem,
que trazem o medo e o pranto,
há gritos que nada exprimem,
silêncios que dizem tanto!
1973 – RETICÊNCIAS
Eu... você... as confidências...
O amor que, intenso, cresceu...
- O resto são reticências
que a própria vida escreveu...
1974 – FIBRA
Ele cai... não retrocede!...
Continua... até sozinho...
Que a fibra também se mede
pelas quedas no caminho...

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LUNA FERNANDES - Rio de Janeiro / RJ

1986 – CANTIGA
Talvez porque eu cante tanto
o mesmo amor, há quem diga
que essas cantigas que eu canto
são sempre a mesma cantiga...
1987 – ACENO
Um beijo de despedida...
Depois o aceno... e depois,
nós dois, o resto da vida,
com saudades de nós dois...
1988 – PROCURA
Jurei não te procurar...
Jurei, mas quebrei a jura...
Quem ama pode jurar
não procurar, mas... procura.

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MARIA NASCIMENTO SANTOS CARVALHO - Rio de Janeiro / RJ

1975 – ENCONTRO
Se encontro apenas fracassos,
não escondo as cicatrizes,
que eu não sou como os palhaços
que fingem que são felizes!
1976 – CULPA
Se te alegra eu ser culpada
por um mal que nem conheço,
aceito a culpa, calada,
e finjo até que mereço.
1977 – CONFLITO
Senhor, às vezes, aflito,
ao ter que julgar me assusto,
vivendo o eterno conflito
entre ser bom e ser justo!...

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MARILÚCIA REZENDE - São Paulo

1997 – TRISTEZA
Minhas mágoas mando embora,
bem antes que a dor se agrave...
jogo a tristeza lá fora,
tranco a porta... e escondo a chave!...
1998 – JANELA
Se voltas, não sei ao certo,
mas a emoção, sem cautela,
deixa a esperança por perto,
rondando a minha janela!
1999 – BILHETE
Eu suplico: “Volte breve”,
num bilhete... e na verdade,
a esperança é quem escreve
e quem assina é a saudade!...

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OCTÁVIO VENTURELLI - Nova Friburgo / RJ

1977 – CONFLITO
No conflito de um desgosto,
por saber que não me queres,
vivo em busca do teu rosto
no rosto de outras mulheres...
1978 – OCASO
Foste embora... e eu vou notando
nas luzes da despedida,
meu ocaso projetando
tua sombra em minha vida...
1979 - AUSÊNCIA
Não diga adeus nem brincando,
o adeus é irmão da saudade,
e alguma ausência, escutando,
pode pensar que é verdade...

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PEDRO MELLO - São Paulo / SP

2008 - ESCOLHA
Esta saudade tão rude
que faz minha alma deserta
vem desde o tempo em que eu pude
mas não fiz a escolha certa!
2009 - SAUDADE
Passa o tempo... e, enquanto corre,
a lembrança vai sumindo...
Mas a saudade não morre:
- Apenas fica dormindo...
2010 - PRAZER
Se a Vida, em seus embaraços,
faz minha vida ser triste,
busco prazer em teus braços...
... e esqueço que a Vida existe...!

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PEDRO ORNELLAS - São Paulo / SP

1994 – DESPREZO
No quarto, o espelho malvado,
meu desgosto desprezando,
mostra-me o tempo passado
que nunca mostrou passando!
1995 – POETA
Enquanto dorme a cidade,
teimoso o poeta insiste...
O tema é “felicidade”,
mas o seu verso sai triste!
1996 – MAGIA
Na infância, festa de cores!
Tudo era encanto e magia!
Eu via muito mais flores
além das tantas que havia!

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ROMEU GONÇALVES DA SILVA

1980 – RUMO
Fim do meu rumo. Eu grisalho,
dos netos entre os carinhos,
pareço um velho espantalho
cercado de passarinhos.
1981 – VIDRAÇA
Não é a vidraça que chora,
sou eu, que junto à janela,
vejo meu sonho lá fora
correndo louco atrás dela...
1982 – FUGA
Não se livra dos tormentos
quem de chorar se envergonha,
quem dá fuga aos sentimentos
e prende os sonhos que sonha.

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SÉRGIO FERREIRA DA SILVA - São Paulo/ SP

2000 – INSTANTE
Remorso é aquele ponteiro
que, num relógio quebrado,
nos aponta, o tempo inteiro,
um instante do passado...
2001 – DETALHE
Toda paixão se assemelha
à palha, por um detalhe:
basta uma simples centelha
para que a chama se espalhe...
2002 – CERTEZA
Vão meus sonhos, num batel,
buscar certezas... em vão:
os meus barcos de papel
são, apenas... o que são!

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VASQUES FILHO

1980 – RUMO
Se não tens mais esperanças,
tantos são os teus fracassos,
muda o curso das andanças...
toma o rumo dos meus braços!
1981 – VIDRAÇA
Entre esperas e demoras
que a solidão descompassa,
já nem sei quantas auroras
vi chegar pela vidraça.
1982 – FUGA
Em passos e contrapassos,
ao som de acordes tristonhos
sempre foges dos meus braços,
no bailado dos meus sonhos...

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WALDIR NEVES - Rio de Janeiro

1973 – RETICÊNCIAS
Às vezes um simples dito,
ingênuo nas aparências,
pode alcançar o infinito
nas asas das reticências...
1974 – FIBRA
Ter fibra é crer, sem cansaço,
ao sobrevir um tropeço,
que cada novo fracasso
importa em novo começo.
1975 – ENCONTRO
Depois que nos separamos,
embora o réu eu pareça,
sempre que nos encontramos...
ela é quem baixa a cabeça...

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ALMERINDA LIPORAGE - Rio de Janeiro / RJ (honoris causa: quatro primeiros lugares)

1984 – AMOR
Nós tanto nos pertencemos,
nosso amor vai tão além,
que nós dois já nem sabemos
qual de nós é mais de quem!
1986 – CANTIGA
Cantiga que me transporta
da angústia ao sono da paz
é ouvir a chave na porta
e teus passos logo atrás!
1991 – ESPAÇO
Mãe, por mais que eu me concentre
na importância do que faço,
não esqueço que teu ventre
foi o meu primeiro espaço!
1998 – JANELA
Meu orgulho se rebela
mas o amor faz perdoar,
porque a saudade é janela
que eu não aprendo a fechar.

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TROVADORES MAGNÍFICOS (TROVAS HUMORÍSTICAS)
 

ANTONIO CARLOS TEIXEIRA PINTO - Brasília/DF
1975 -1976-1977 (temas livres)

Onde eu moro, puxa vida,
há tanto casal grudado...
Eta beco sem saída
que dá mão pra todo lado!

Não tenha medo de nada..
Fique à vontade, meu bem...
Quem tem idade avançada
já não avança em ninguém!

Diz o velhote à mocinha,
mal disfarçando o cansaço:
eu já te guardo “todinha”
no fundo do marca passo!...

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CAMPOS SALES - São Paulo/SP

2000 – CALOR
Se queixando do calor,
no consultório a gatinha,
- Ponho onde a roupa doutor?
- Deixa ali perto da minha...
2001 – RECEITA
A receita é de colírio
mas o bebum se apavora
e lê, cheio de delírio:
- pinga, só uma vez por hora?
2002 – BOTECO
Boteco é a maior desgraça,
grita o padre em tom agudo;
acabem com a cachaça,
grita o bebum- eu ajudo!

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CARLOS GUIMARÃES - Rio de Janeiro (estamos devendo)

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EDMAR JAPIASSÚ MAIA - Rio de Janeiro/RJ
1986-1987-1988 (temas livres)

Se o teu beijo que inebria
deixasse os lábios doendo,
o bairro não dormiria
com tanta gente gemendo!

Olhando a sogra de pé,
com o rosto sujo de tinta,
viu que o “diabo” ainda é
mais feio quando se pinta!...

Ao responder a uma enquete,
o esportista beberrão
diz que prefere o basquete,
por causa do garrafão!...

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JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO - Rio de Janeiro (via Portugal)
1980-1981-1982 (temas livres)

Ao pôr-lhe a esmola no prato
pergunta ao surdo, baixinho:
- És mesmo surdo de fato?
E ele: - Surdinho, surdinho!...

O dentista colocou
nos dentes da Guiomar
uma ponte, e ela pensou:
- Deve ser pra dor passar!...

Faliu... e num galho torto
enforcou-se o barnabé...
Não tendo onde cair morto,
resolveu morrer de pé!

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JOSÉ TAVARES DE LIMA - Juiz de Fora/MG
1996-1997-1998(temas livres)

Na praia alguém grita: “ Gente!
Dois carecas se afogando!”
Outro diz: “Calma! É somente
dois nudistas mergulhando!...

“Deu trambique, sim senhor!
Não negue, que estou sabendo!”
Responde o Salim: “Doutor,
eu nunca dei nada, eu vendo!...

Por preguiça, o seu Ramalho
fecha um olho ao se deitar,
para não ter o trabalho
de abrir dois, quando acordar!

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JOUBERT DE ARAÚJO E SILVA - (estamos devendo)

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LUIZ PIZZOTTI FRAZÃO- Niterói
1979-1980-1981(temas livres)

Ao ver que iam ser defuntos,
o porco disse à mulher:
- Quem sabe nos deixam juntos
numa lingüiça qualquer!...

Nasceram pintos... e ao choro
dos pintos, o galo viu
que o miserável do louro
mais uma vez conseguiu!...

“Ih, mamãe, olha a Raimunda!
Dizia um guri bicão:
nunca pensei que corcunda
mudasse de posição!...”

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NEY DAMASCENO - Rio de Janeiro
1984-1985-1986 (temas livres)

O ciúme é uma suspeita
que, quando fundamentada,
quem não tem cabeça feita,
fica com ela enfeitada!...

Com dois “faróis” pela proa
e um “porta-malas” atrás,
Mercedes, mulata boa,
faz jus ao nome que traz!

O ascensorista escondido
dentro do armário, tremendo,
pra despistar o marido,
abre a porta e diz: - Descendo!

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PEDRO ORNELLAS - São Paulo/SP

2001 – RECEITA
“Terramicina? Que horror!”
Depondo, o genro lastima:
“Lendo a receita, doutor,
eu entendi “terra em cima!”
2002 – BOTECO
Chegou tarde, a vista torta,
do boteco, o Zé Morais...
Viu duas sogras na porta
- e não bebeu nunca mais!...
2003 – SURPRESA
Chega a velha, toda acesa,
no portão, fazendo graça...
Diz a filha: "Que surpresa!"
Diz o genro: "Que desgraça!"

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SÉRGIO FERREIRA DA SILVA - São Paulo/SP

2000 – CALOR
Alheia ao calor eterno,
a Sogra, por vocação,
tão logo chegou no Inferno,
assumiu a Direção !
2001 – RECEITA
Uma receita eu preparo
e um gato me desanima:
chega perto... apura o faro...
e joga areia por cima!
2002 – BOTECO
Ao chegar no beleléu,
mostra o bebum seu espanto:
- Não tem boteco no céu?
E as pingas que eu dei pro santo ?

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THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA - São Paulo/SP
1987-1988-1989 (temas livres)

À pergunta: “Qual o andar?”
Responde o pinguço, a esmo:
onde quiser me levar!
Já errei de prédio mesmo!...

Quando a vida se distrai,
ou dá tudo, ou tudo nega...
Rico pega o carro e sai...
Pobre sai... e o carro pega!...

Gritei: - Pare, seu Joaquim!,
quando o trem apareceu...
Ele ainda olhou pra mim,
disse “ímpare” e morreu!...

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VASQUES FILHO
1978-1979-1980 (temas livres)

Sem rival na adulação,
Belarmino Guararapes,
chega a usar mata-borrão
no que o chefe escreve a lápis!...

- Nunca vi almas, diz rindo...
E um vulto, na sua frente,
foi sumindo, foi sumindo,
transparente, transparente...

Tendo aos braços o serão
de nove meses atrás,
Marília exclamou: “Patrão,
fazer serão, nunca mais!”

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WALDIR NEVES - Rio de Janeiro

1996 – CARECA
Tem cabelo só dos lados;
mas como há jeito pra tudo,
ele faz uns repuxados
e é um... careca-cabeludo !
1997 - TRAMBIQUE
No trambique entrou, bonito,
o inocente lisboeta:
alguém, dono de um cabrito,
vendeu-lhe "azeitona preta"...
1998 – PREGUIÇA
O preguiçoso suplente
avisou à companhia:
- se morrer o presidente,
eu "morro" no mesmo dia.

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ELTON CARVALHO (honoris causa:
quatro primeiros lugares)1973-1977-1978-1981) (temas livres)

Ele enrolava, enrolava,
e a enrolação era tanta,
que às vezes quando falava
sentia um nó na garganta.

O Zé que faz a comida,
lava a roupa, se arrebenta,
diz: - Não aguento esta vida!
E a sogra, rindo, diz: Guenta!

O "play-boy" foi reprovado,
pois, sendo um cara pra frente,
respondeu: - metro quadrado
é metro de antigamente...

Gordo assim eu nunca vi:
é um sujeito tão pesado
que se ele cair em si,
pode morrer esmagado!

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NOMES ESQUECIDOS NO LIVRO “A SAGA DOS MAGNÍFICOS: em líricas: Joubert de Araújo e Silva. Em Humorísticas: Carlos Guimarães e Joubert de Araújo e Silva.