Trovas Sobre Cartas - Maria Thereza Cavalheiro

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      HERANÇA POÉTICA


Colaboração de Maria Thereza Cavalheiro

Trovas sobre “CARTAS” - dezembro 2016

 
O hábito de escrever cartas e cartões vem de longe. Mas esse costume foi sendo superado com o tempo, até chegar aos níveis atuais, em que a vertiginosidade da comunicação se faz pelo telefone, pelo celular, pelo e mail...



Mas ainda há uma tradição que não se extinguiu de todo: na época natalina, os cartões voltam a ter o seu significado. E hoje em dia há muitos realmente criativos, como os realizados por artistas da Associação Pintores com a Boca e os Pés, pessoas portadoras de necessidades especiais, numa prova do que o esforço e a arte podem conseguir.



Quem faz a entrega dessas amoráveis mensagens é um profissional que, pelo seu valor e diligência, é lembrado com uma data especial, pois 25 de janeiro é o “Dia do Carteiro”. Tal homenagem tem raízes no ano de 1633, quando foi criado o Correio-Mor da Monarquia Portuguesa, nesse mesmo dia e mês. O estafeta, então, levava duas mochilas: uma para entrega e outra para receber cartas dos interessados em mandá-las para o correio.



Vejamos o que poetas de diferentes épocas, já desaparecidos, escreveram sobre o agradável hábito da epistolografia:
 

Tua carta inesperada

tantas lembranças me trouxe,

que eu vivi de um quase nada,

um quase tudo tão doce!...

ANALICE FEITOZA DE LIMA

 

Nestas horas de sol-posto,

na saudade mais atroz,

nas fotos, beijo-te o rosto;

nas cartas, ouço-te a voz!

VASQUES FILHO

 

Correio!... Escutei à porta!...

Meu coração palpitou...

E minha esperança morta

depressa ressuscitou.

LEOPOLDINA DIAS SARAIVA

 

Minha fé é grande, imensa,

quando leio, com fervor,

a bíblia de minha crença

- as tuas cartas de amor...

ADALBERTO DUTRA DE RESENDE

 

A carta bem redigida,

carinhosa e inteligente,

é lenitivo, na vida,

sabe Deus... de quanta gente!

HELENARA

 

Uma lágrima rolou

na carta que te escrevi

e sua mancha provou

que não me esqueço de ti.

SONIA Mª. DITZEL MARTELO

 

A chuva embala quem sofre.

Quando chove como agora,

a gente abre um velho cofre,

lê velhas cartas... e chora...

JOÃO RANGEL COELHO

 

Numa carta, quando ocorre

transbordar muita emoção,

há uma lágrima que escorre

no ponto de exclamação!

JESY BARBOSA

 

Carta de afeto relida,

de quem nos quis tanto bem,

traz um pedaço de vida,

na saudade que contém.

HELVÉCIO BARROS

 

Das tuas mentiras farta

eu te chamei - embusteiro;

mas dormi com tua carta

debaixo do travesseiro.

COLOMBINA

 

Esta carta te escrevi

com sangue de minhas veias...

espero, ao menos, de ti

que, com lágrimas, as leias!

OSCAR SOARES VIEIRA

 

Na despedida, com pressa,

escrever me prometeste.

Esqueceste da promessa,

ou apenas me esqueceste?

J. G. DE ARAÚJO JORGE

 

Tua mensagem não veio...

E eu, sem mágoa, sem revolta,

ponho a culpa no correio,

penso, ainda, em tua volta.

THEREZA COSTA VAL

 

Tuas cartas... que saudade!

Quando as tenho em minha mão,

olho as linhas... e, em verdade,

quem as lê é o coração.

BAPTISTA NUNES

 

Vou te escrever... prometias...

e, desta jura refém,

espero dias e dias

mas a mensagem não vem...

MARINA BRUNA

 

Beijo a carta que te mando,

pois assim, com o mesmo enlevo,

continuarei te beijando

enquanto lês o que escrevo...

SEBAS SUNDFELD

 

Tuas cartas vou relendo

comovida... devagar...

Paro a leitura, tremendo,

porque começo a chorar...

Mª. SYLVIA DE CERQUEIRA LEITE

 

Talvez a memória alcance,

nas lembranças sempre fartas,

a beleza do romance,

que ficou em nossas cartas!

AUGUSTO CLÁUDIO FERREIRA

 

“Esquece-me...” - eu lhe escrevia.

“Já não te amo... Andei pensando...”

- E a carta não te dizia

que eu escrevi soluçando!

JOUBERT DE ARAÚJO SILVA

 

Se o carteiro se anuncia

e a tua carta me traz,

se é noite, penso que é dia,

se há pranto... o riso o desfaz!

ALBERTINA MOREIRA PEDRO