Trovas Sobre Outono

HERANÇA POÉTICA  (www.falandodetrova.com.br/herancapoetica)



 

TROVAS SOBRE OUTONO - março 2018

Colaboração de Maria Thereza Cavalheiro
 

          O verão já se aquieta com seus raios fulgurantes. Foi a estação das férias, dos passeios, dos banhos de mar...  E o outono chega devagarzinho, quase sem ser notado. Os brotos se concretizam em frutos. O passado recente é quase uma lembrança. Nos caminhos, juntam-se folhas esmaecidas.



          A planta necessita da luz solar. No outono, os dias são mais curtos, com menos luz disponível. Assim, as árvores retiram nutrientes das folhas e os concentram no caule, o que leva as folhas a cair. O outono vai de 20 de março a 21 de junho.



          Das quatro estações do ano, como é sabido, o outono representa o amadurecimento do ser humano, o equilíbrio. A conformação. A tranquilidade.



          Se a primavera é a estação dos jovens, o verão é o florescimento das esperanças, o outono representa um aviso de que o inverno vem chegando. E traz, um pouco, a perplexidade diante do que pode vir. Ao inverno, associa-se a velhice. Que é a experiência, a sabedoria.



          Mas todas as estações têm seu encanto, assim como na vida humana. É nossa condição conviver com todas elas e aproveitar os benefícios de cada uma. Se fosse sempre primavera, a vida seria monótona!

   

          Como a vida humana evolui, modifica-se diante dos fatos, as estações também obedecem às regras da mãe natureza. Os poetas sabem disso. Vejamos o que disseram alguns deles, que já se encontram em outra dimensão:

 

Em meu pomar de bonança,

quando a mão de Deus me guia,

colho os frutos da esperança

no outono de cada dia.

ELEN DE NOVAIS FELIX

 

Outono, folhas rolando,

amarelas pelo chão,

lembram minh’alma chorando

os sonhos que ao longe vão.

GEORGINA M. XAVIER

 

Madrugada! Minha infância...

Meu jardim em pleno estio!

Hoje os vejo na distância

do meu outono vazio!

CAROLINA AZEVEDO DE CASTRO



Os sonhos de longa espera

nascidos para o abandono,

florescem na primavera,

como uma graça do outono.

VALDIR SALVIATTI

 

Outono... O vento entontece

o roseiral já sem vida...

Cada pétala parece

uma esperança perdida.

ARISTEU BULHÕES

 

Se, além do outono, a semente

dos sonhos não reflorisse,

o que seria da gente

no abandono da velhice?

DAVID DE ARAÚJO

 

Ouço lamentos dispersos

na noite negra, esquecida;

também eu choro nos versos

o outono da minha vida.

NÉA SIMÕES

 

Querendo colher no outono,

semeei na primavera...

Tu deixaste no abandono

um jardim à tua espera...

MARÍLIA FAIRBANKS MACIEL

 

Outono - avanço da idade -

vida crivada de espinhos,

mato seco da saudade

sem o cântico dos ninhos.

DE PAULA MADIA

 

Que saudade! Que abandono

na hora do entardecer!

Foi numa tarde de outono

que vim a te conhecer.

ALICE DE PAULA MORAES

 

Neste mundo, ante o sol posto,

carrego a vida com calma...

- Se o outono tenho no rosto,

trago auroras dentro da alma.

GERALDO PIMENTA DE MORAES

 

Medo do outono? Tolice!

Pois eu me sinto à vontade,

vivendo em plena velhice,

ao lado da mocidade.

JOSIAS DE PAIVA PINHEIRO

 

O outono e a vida parecem

ter nascido num só dia.

Porque os dois juntos padecem

de uma mesma nostalgia...

MARINA TRICÂNICO

 

Busco a glória com empenho,

e, nesse eterno labor,

no outono da vida eu tenho

o coração todo em flor!

WALTER WAENY

 

O outono é filho enjeitado

das estações da beleza,

que inclina o rosto cansado

no seio da natureza.

LEONARDO HENKE

 

Por amor fui Primavera

e hoje Outono nada mais...

Resto apenas de uma espera

que o nada alongou demais...

ROSALINA ROSA LEITE

 

A vovó está ninando

a netinha, sem cansaços;

é o outono agasalhando

a primavera nos braços.

CARLOS RIBEIRO ROCHA

 

A minha vida, submissa,

erma, triste, ao abandono,

tem a beleza enfermiça

de um pôr do sol pelo outono.

JOÃO RANGEL COELHO

 

Esbocei desejos leves,

mas uma brisa outonal

trincou, em rajadas breves,

os meus sonhos de cristal.

DOROTHY JANSSON MORETTI

 

Outono: ocaso da vida,

folhas mortas pela estrada...

Quanta esperança perdida...

Quanta saudade alcançada!

ABREU CARVALHO