ANTONIO DE OLIVEIRA é um baita de um trovador. Em minha modesta opinião, um dos dez melhores do Brasil.       Quanto à biografia...  Deixemos que o próprio Antonio se apresente, ok?

     "Nasci em Ribeirão Pires, SP, em 27/03/1965. Meu pai, Oswaldo de Oliveira. Minha mãe, Sílvia Ribeiro Gonçalves de Oliveira. Ambos já falecidos.

      Sou formado em Engenharia Mecânica, pela Universidade de Mogi das Cruzes, e fiz algumas especializações, MBA, etc... Trabalho em indústria desde os 14 anos, quando comecei como Aprendiz de SENAI, na Brosol, indústria de Carburadores, onde permaneci por 9 anos. Trabalhei também na Brastemp (hoje Whirlpool SA) por 21 anos e hoje sou Gerente Industrial na Carhej Ltda., uma empresa metalúrgica de médio porte, aqui na cidade de Rio Claro, onde resido atualmente."

E o curriculum literário?

     "Comecei na Trova em 1983, pelas mãos do saudoso poeta sergipano Afonso Vicente Ferreira, na época, Delegado da UBT em Ribeirão Pires. Fui por algum tempo membro da diretoria da UBT Seção São Paulo e, desde que me mudei para Rio Claro em 1997, fui nomeado e continuo sendo Delegado da UBT por aqui.
     Embora esteja há bastante tempo na UBT, tenho apenas umas cento e poucas premiações em concursos de trova, podendo destacar as 2 vezes em que venci o Concurso Inter-Sédes (1996 e 1998) e um prêmio especial que recebi: o Troféu Menestrel da Trova, em Juiz de Fora (1996). Nunca publiquei nenhum livro.

     Certa vez batalhei pra publicar um livro infantil... não deu certo... O nome do livro era "Menina-Flor"... O livro tinha muitos desenhos... Isso foi entre 1994 e 1996. Hoje, talvez, com a tecnologia disponível, talvez possa escanear e mandar publicar pela internet...
     Se vale destacar, sou músico amador, clarinetista, membro da Banda Sinfônica União dos Artistas Ferroviários de Rio Claro (com muito orgulho, a mais antiga banda musical do Brasil ainda em atividade, fundada em 1896 pelo Grêmio dos Ferroviários da Compahia Paulista, posteriormente Fepasa).
     É isso aí..."
 

 

Xícaras brancas na mesa
e o pão, cortado em fatias,                                      (Pedralva 2007)
ornam de inútil beleza
nossas cadeiras vazias!

Tempo, em meu rosto conjugas              (co-vencedora em SP, 2007)
os verbos “ser” e “sonhar”:
um, na verdade das rugas;
outro, no brilho do olhar!

Bendito aquele que leva                  (8º lugar em Nova Friburgo - 2007)
mensagem de Jesus
e, sob as portas da treva,
deixa envelopes de luz!!!

Ante a dor não retrocedas,
leva ao longe a tua história,                                        (Venc. BH 2005)
que é nas pedras, não nas sedas,
que se alicerça a vitória!

Nos porões da Sociedade
vertentes de excrescência           (Menção Especial em Peruíbe - 2000)
cuja fonte é a impunidade;
cuja foz é a violência!

A esperança é aquele brio          (1º lugar nacional em Pouso Alegre - 1999)
com que a magia da vida
mantém aceso o pavio
sobre a cera derretida!

Queimado, o arbusto parece
ter, nos galhos, a expressão                       (1º lugar Intersedes Nacional 1998)
de mãos, que postas em prece,
rogaram clemência... em vão!           (vencedor em São João da Boa Vista - 1996)

O lençol, conforme o assentas,                (2º lugar Menestrel da Trova 1997)
traz-me a imagem fugidia
de um mar, que após as tormentas,
amanhece em calmaria!

Nosso beijo ao fim do baile,
ao nos levar aos extremos,                            (Venc. Clube Português 1997)
foi convite escrito a braile
que mesmo cegos nós lemos!

Entre a opulência das ceias
as orações se reduzem,
que as bocas, quanto mais cheias,           (Venc. Museu Anchieta SP  1997)
menos palavras produzem!!!

O amor é a grande avenida                                                     (Venc. Pindamonhangaba 1996)
com que a mão da divindade
liga os primórdios da vida
aos confins da eternidade.

Este é o Homem: Ser aflito,                     (1º lugar Intersedes Nacional 1996)
que ao longo da História, a esmo,
busca encontrar o infinito,
mas não encontra a si mesmo!

É no garimpo do lixo,
do pão que o rico não come,                                             (Niterói 1995)
que a Miséria, com capricho,
põe-se a matar sua fome!

Entre aqueles que se querem,
nos momentos de emoção,
o que os lábios não disserem,
por certo os olhos dirão!

Onde o ensino é relegado
e as letras não têm valor,
há de pagar ao soldado
quem não paga ao professor!

Prato de vidro, vazio,
feito um espelho, em teu fundo
refletes o olhar sombrio
das injustiças do mundo!

Entre a miséria do povo,
em cada mão que se tome,        (co-vencedora em Rio Novo/MG - 1987)
haverá um pulso novo
algemado à velha fome!

Se tu dizes que é pecado
e eu nem sei mais o que digo,        (co-vencedora em Rio Novo/MG - 1987)
esquece! Deita ao meu lado!
Peca de novo comigo!

A fonte da vida orvalha
a tinta branca da idade                             (Menção Honrosa Santos 1987)
e a brisa do tempo a espalha
nos cabelos da saudade!

Vive melhor quem caminha                (Venc. Ponta Grossa 1986)
buscando a melhor receita;
quem não prova da farinha,
não vê de que trigo é feita!

Por que, no mal que agasalho,                   (M. Honrosa Fortaleza, 1983)
tenho de rir, gracejar,
se mesmo as plantas, no orvalho,
encontram como chorar?

Noite de inverno... Alguém geme...         (M. Honrosa  Maricá/RJ  1983)
Passam pessoas na praça...
Frio – o corpo do que treme.
Frio – o peito de quem passa!

O palhaço - assim o creio -
é aquele artista, preciso,
que entalha no rosto alheio
a perfeição de um sorriso!

O orgulho é uma das falhas
que mais tolhem horizontes,
quando insiste em pôr muralhas
onde é preciso haver pontes!