DO INFORMATIVO DA UBT SÃO PAULO – outubro/2014
(texto de J.B. Xavier, Secretário Executivo da UBT Nacional)

PRIMEIRAS PALAVRAS

 
          Olá, amigos. Estou na UBT há exatos 16 anos, 12 dos quais passei apenas frequentando e observando as reuniões da Seção São Paulo. Neste período aprendi a respeitar a obra – mais que seu realizador, por não tê-lo conhecido – criada e colocada de pé por Luiz Otávio. Se pensarmos bem, ela é fruto de uma enorme ousadia e de certa forma, da tentativa de uma utopia: criar uma entidade que fosse, ao mesmo tempo, gestora de um gênero literário no Brasil e um lugar aprazível, capaz de reunir pessoas afeitas ao mesmo tema – a Trova. Contudo, percebo que algo essencial está se perdendo.

          Por respeitar a obra, comecei a me envolver cada vez mais nos meandros da entidade, no início em nível municipal, e, posteriormente, no nacional. E por que faço isto, investindo um tempo que não tenho; eu, que sou responsável pelo destino de uma empresa e de tantos funcionários?  A resposta é simples. Porque admiro os ousados e gosto de ousadias. Eis porque decidi colaborar com meus esforços para que a UBT continue na missão para a qual foi criada. Obviamente, pensei que houvesse uma ansiedade latente à espera da ação!  Que a preocupação pelos destinos da UBT fosse de todos os que encontram nela abrigo para seu talento poético. Enfim, eu esperava que houvesse comprometimento de todos com o sucesso da UBT.  Não é bem assim, infelizmente. Poucos são os que trabalham duro, realmente. Vide o cadastramento, que ainda não conseguimos terminar! A grande maioria está apenas envolvida com a entidade, usufruindo dela e das festas que ela proporciona, além dos muitos que buscam apenas fugir do anonimato, com vaidades exacerbadas por vencer um concurso. Como em qualquer associação humana, a regra 80-20 também é válida para a UBT. Ao final 20% farão o trabalho e 80% ficarão parados à espera de colher seus frutos.

          O tripé em que se apoia a UBT é genial, por ser simples. 1 – Concursos com o “sistema de envelopes”. 2 – Reuniões nas unidades municipais. 3 – Festas de confraternização na entrega dos prêmios.  O que Luiz Otávio não previu é que, destes três itens, um se imporia aos demais: as festas.

          Hoje, a maioria dos trovadores faz trovas apenas para os concursos, de olho na hospedagem gratuita e boca-livre ofertada por quem sedia a festa. Isto é uma distorção séria, porque poucos divulgam as trovas que fazem – mesmo as que não são premiadas – para inscrevê-las de novo, em novo concurso.  As festas ganharam tal escalada de sofisticação que hoje é comum se ouvir: “Nossa, que festa linda! Dois (ou três) dias de festejos maravilhosos!”  E assim, ficam alijadas as seções que não conseguem patrocínio, como se a festa fosse mais importante que a Trova que ela tenta congraçar. Não estou dizendo que as festas maravilhosas não devam existir. Digo apenas que a UBT não deve viver em função delas.

          Eis porque fiquei orgulhoso de ter comparecido à entrega de prêmios de Taubaté-SP, onde a antiga Presidente da seção, hoje Secretária, Angélica Villela, numa luta hercúlea, mantém a simplicidade das coisas: um congraçamento genuíno, de uma tarde só.  Parabéns!!