Vó Cacilda
(texto postado em 24.05.2013 por José Ouverney - www.falandodetrova.com.br - "Você é Saudade")
 

Quem não conheceu Cacilda Pinto da Silva, a “VÓ CACILDA”, não pode avaliar o ser humano que ela sempre foi.  Filha de portugueses que vieram para o Brasil, Vó Cacilda nasceu em Manaus/AM, no dia 15 de junho de 1915.  Quis o destino, mais uma vez dando uma guinada em sua vida, que ela viesse parar em Taubaté, onde instalou-se definitivamente
.
Professora durante sessenta anos, em 1999, por decreto da Vereadora Célia Marques da Silva, recebeu da Câmara Municipal o título de “Cidadã Taubateana”.  Já aposentada, um ano depois foi introduzida, por Angélica Vilella, no mundo da Trova. E gostou tanto que virou presença obrigatória de todas as atividades desenvolvidas pela UBT, seção taubateana.

De vez em quando tenho por hábito comparecer a um  dos encontros dos trovadores da cidade vizinha, que acontecem mensalmente nas dependências do TCC (Taubaté Country Club). Foi onde aprendi a conhecer melhor a simpática senhora de quem lhes falo, sempre sorridente e sempre animada e pronta para todas as iniciativas, com seu bloquinho de papel e caneta às mãos. Em 2012, quando foi realizada em Pinda, pela primeira vez, a Missa em Trovas, na Igreja de São Francisco, em horário noturno, na comitiva da UBT Taubaté lá estava ela: a Vó Cacilda, do alto de seus invejáveis 97 anos. Que mulher admirável!

Até que, esta semana, recebo um Informativo de Dona Angélica Villela, dando-nos conta do falecimento da heroína de nossa página de hoje, ocorrido em 05 de maio de 2013.  Poxa!  Mas, assim… Ninguém nos avisou antes… Partiu tão discretamente quanto sempre o fora em vida.

Tenho certeza, porém, de que quem a conheceu, como eu tive a honra, não a esquecerá. Vó Cacilda fixará residência em nossas lembranças, como um exemplo, sobretudo, de vida. Como a personificação de como se deve viver.  E nos deixa também suas trovas, que ela amava tanto, como estrelinhas espalhadas por onde ela passou.  Que Deus a tenha no melhor lugar!
 
TROVAS DE VÓ CACILDA:
 
Taubaté, cidade-luz,
a todos tu dás morada.
O teu acolher traduz
para que foste criada!
 
 Ao reler a velha agenda,
quanta emoção eu senti…
É o passado que se emenda
ao bem que sinto por ti.
 
Ao falar da vida alheia
ninguém é autor desse ato;
a minha rua anda cheia
de gente no anonimato…
 

Na trova que eu escrevi,
havia uma rima errada.
Sabes quando percebi?
Vi que não rimava nada…