Jacy Pacheco

     JACY DE FREITAS PACHECO  nasceu em Duas Barras/RJ, em 27 de novembro de 1910, filho de Gastão Meireles de Freitas Pacheco e Julieta Gallo de Freitas Pacheco. Poeta, compositor e escritor renomado, como primo de Noel Rosa (nascidos no mesmo ano), publicou pelo menos quatro livros biográficos do inesquecível compositor, com recordes de venda. Morou em Campos na infância e radicou-se, adulto, em Niterói. E ali faleceu, aos 13 de julho de 1989.

Olhai, racistas papalvos,

das mães, o exemplo de amor:

seios negros, seios alvos,

dão leite da mesma cor!!!

Candelabro, iluminaste

meus dias! Que glória viste!        (trova vencedora em Niterói - 1975)

Agora és um velho traste

nas noites de um velho triste...

Neste mundo que me assombra,      (Menção Honrosa em Niterói - 1974)

vou indo com minha cruz,

o corpo arrastando a sombra,

a alma implorando a luz!

Deus deu, em partes iguais,

chão e trigo à humanidade.

Uns se serviram demais,

criando a desigualdade.

O mundo virou-me o rosto!

Sempre me pôs do outro lado...

Mas faço do lado oposto

o meu grande apostolado!

Em cada amigo que morre,

morre um pouco do meu ser.

E assim a vida transcorre:

ver morrer... até morrer.

De sol a sol, capinando,

lembra o jeca - servo agrário -    (1º lugar em Sete Lagoas, 1986)

um novo Cristo, levando

a sua cruz ao calvário...

Sertão... Sob o sol que cega

e desnuda os galhos tortos,         (3º lugar III Jogos Florais da Guanabara - 1972)

o retirante carrega

um feixe de sonhos mortos...

Carteiro, ao fazer a entrega

das cartas, de porta em porta,

o pranto e o riso carrega

nos segredos que transporta.

Prometeste voltar breve.

Não vens. Eu pergunto, em pranto:

por que, de um amor tão leve,

a saudade pesa tanto?

Sempre o amor traz empecilho,

alguma adversidade:

- o preço meno do idílio

é a moeda da saudade.

Ao ser franco, nunca espero

obter bom resultado;

na vida, quem é sincero

é sempre mal-educado.

Com pose de rica e nobre,

e o orgulho que agora tens,

és, de espírito, tão pobre

quanto eu sou pobre de bens.

Faço um exame consciente

deste egoísmo sem fim:

num mundo com tanta gente,

por que penso tanto em mim?

Foste mau durante a vida?

Que importa! Ao fim do caminho

tua alma estará remida:

- quem morre... é sempre bonzinho...

Se Cristo sofreu horrores,

- Ele que é a Suprema Luz! -

como queres, entre flores,

escapar da tua cruz?

Pobre do velho que abusa

em paquera com mulher:

sofre quando ela o recusa

e sofre mais se ela quer.