José Antonio de Freitas - Pitangui

       JOSÉ ANTONIO DE FREITAS, filho de Antônio Navarro de Freitas e Maria Carmelita de Freitas, nasceu em Pitangui - MG em 01 de Janeiro de 1949, onde até hoje reside. É funcionário público. Livros publicados: "Andorinhas" (Trovas) - 1976,

"Sob a Luz da Inspiração" (Sonetos) - 1986, "Pingos de Orvalho"  (Trovas) - 1992, "Sob os céus de minha terra" (Poesia) - 2005, "Minha terra, minha poesia" (Poesia) - 2006, "Rosas de vários tons" (Trovas) em parceria com José Fabiano, de Belo Horizonte - 2007 e "Como compor uma boa trova" (Exemplos práticos) - 2008.    



Já fui criança e bem sei,

mesmo o mundo sendo mau,     (1º lugar Country Magazine Juiz de Fora - 2015)

que toda criança é um rei

sobre um cavalo de pau!

Não há fortuna que valha     (3º lugar Petrópolis 2004)

a glória de trovador

e Deus bem sabe a quem talha

para esculpir-lhe o valor!

Eu peço a Deus, sem mais nada,

mas peço sempre, com fé,

forças no fim da jornada,

que os fortes morrem de pé!

Foi na vida, e não num templo,

que aprendi esta verdade:

quem dá sempre um bom exemplo,

faz muito mais caridade.

Saudade melhor explica

quem dela sofre ou sofreu:

- Saudade é a raiz que fica

de uma flor que já morreu!

Desde a minha tenra idade

não descubro por que foi

que Deus pôs tanta piedade

no olhar tristonho do boi...

Já fui criança e bem sei,

mesmo o mundo sendo mau,

que todo menino é um rei

num cavalinho de pau.

Ó porteira, chego a crer

ou sentir, de quando em quando,

que existe, no teu ranger,

uma saudade cantando!

Na amizade a gente crê,

mas é preciso atenção,

pois bom amigo se vê

até no aperto de mão.

Dou à criança, contente,

meu inteiro coração,

pois esse pingo de gente

é toda a minha afeição.

Os olhares de Maria

tiraram, com muito jeito,

sem nenhuma anestesia,

o coração do meu peito!

Tão moderado fui feito,

que se o próprio Satanás

plantar a guerra em meu peito,

acaba colhendo a paz!

O sol, para os olhos meus,

grandioso, forte, fecundo,

é o olho excelso de Deus

olhando e aquecendo o mundo.

És antiga, na verdade,

mas é por esta razão

que hoje te guardo, Saudade,

no museu do coração!

Se não faço, de manhã,

a oração que me alivia,

pelo menos, com afã,

rezo uma trova por dia.

Para seres, na verdade,

completamente feliz,

imita a simplicidade

de São Francisco de Assis!

A rua é a mesma. No entanto,

por capricho do Destino,

busco em vão, por todo canto,

meu coração de menino.

O apito daquele trem,

que te levou da cidade,

foi um soluço, meu bem,

dando começo à saudade!

Meu salário, sempre à míngua,
me faz tanto padecer,
que às vezes mastigo a língua,
por faltar-me o que comer!



HUMORÍSTICAS

O piolho, por capricho,

por incrível que pareça,

não há no jogo de bicho,

mas sempre dá na cabeça.

- Pelo jeito desconfiado,                  (premiada em Sete Lagoas - 2007)

você é mineiro, falou?

- Uai, gente, que trem danado,

como foi que adivinhou?

Pescador apaixonado,

por incrível que pareça,

deve sofrer um bocado,

com minhocas na cabeça!

O nariz que o enfeitava     (Venc. Belém 1991)

era um canteiro estupendo,

pois nele desabrochava

cada cravo que só vendo!

Neste mundo conturbado,

chato, maluco e confuso,

eu vivo mais apertado

do que prego ou parafuso!

Se a mulher sabe falar,

às vezes convence a gente.

Mas quando dana a xingar,

não há diabo que a aguente!

Talvez por um bom capricho

que da raça lhe reflete,,

o boi é o único bicho

que sabe mascar chiclete.

Um bom dia, aos meus amigos,

desejo, de coração.

Mas, para os meus inimigos,

só desejo um dia... bão.