Nair Starling dos Santos Almeida - Santa Luzia/MG

NAIR STARLING dos Santos Almeida nasceu em Santa Luzia do Rio das Velhas/MG, em 25 de fevereiro de 1909, filha de Pedro Moreira Starling e D. Ana de Figueiredo Starling.  Várias obras publicadas, entre as quais: "Cartão Postal" - contos e "Trovas de Naicar".

 

O sorriso é flor de sebe,

perfume de resedá.

Anima a quem o recebe,

embeleza a quem o dá.

Este mundo anda falido.

Não tenhamos ilusão.

O que o faz andar perdido

é a falta de... EDUCAÇÃO!

Levo crises de vencida,

rio em dias mais adversos.

Quando a sombra afeia a vida,

sol é a clave dos meus versos.

Por bela terra de flores,

felizes andam meus pés.

Brasil, de tantos louvores,

botão de maio tu és.

Pelas rugas do teu rosto

é que meço a tua vida.

Nos refolhos do sol-posto,

vê-se a lágrima perdida.

Não é somente no céu

que se pode ver a Lua.

É vista, rolando ao léu,

nas poças-d'água da rua.

Gosto de ti loucamente.

Vamos trapinhos juntar?

Anjos dirão ternamente

que o céu mudou de lugar...

Em qualquer idioma ou tom,

o livro é sempre degrau:

a subir, quando ele é bom,

a descer, quando ele é mau.

Da mulher, a melhor arma,

uma lágrima a rolar...

Sem debate, sem alarma,

vence tudo, a soluçar.

Curta mil dores sozinha,

não as explique a ninguém.

O mundo sempre espezinha

as mágoas que a gente tem.

Menina, talvez tu peques

ao mostrares dor tão vívida.

Nem tristeza cobre cheques,

nem lágrimas pagam dívida.

Morta, sim, tenho minh'alma,

a boiar nos olhos baços,

pois perdi amor e calma

na vertigem dos meus passos.

Alma - tema da conversa:

há, não há, é ou não é...

Alma boa, alma perversa.

Afinal, questão de fé!

Enquanto a panela ferve,

amigos e amigos temos.

Panela furou, não serve,

nem sombra de amigos vemos.

Vovó, teu nome é ternura,

canção de amor e amizade.

Quem te possui, que ventura!

Quem te perdeu, que saudade!

Nas minhas noites sem sono,

bem atroz é meu tormento.

Nem frutos no meu outono,

nem flores no pensamento.

Pede a sorrir minha amada

e certamente que deixo:

- Eu quero ser enterrada

na covinha de teu queixo.

Conhecida e ingênua farsa.

Quem fala mal do dinheiro,

regra geral, nem disfarça...

Corre atrás dele primeiro!

Morre a prece na garganta

como um travo de vinagre...

Vou procurar outra santa,

que a minha não faz milagre.

Não sinto dor ou cansaço.

Tudo são flores por fim,

graças a estranho palhaço

que mora dentro de mim.

Eu te espero comovida,

mais te espero, mais te quero.

Eu te espero toda vida,

e além da vida te espero...

Amor é festa constante

e festa é amor permanente.

A vida foge no instante

em que o amor foge da gente...

Alegria é Deus comigo,

conforto, paz, agasalho,

aquele cantinho amigo

em que faço meu trabalho.

Aquela grande energia,

de pai sisudo e correto,

o transformou, belo dia,

em cavalinho do neto...