MADALENA e NEIDE
Vinte e um de fevereiro de dois mil e vinte e seis ficará marcado como uma data de muita tristeza para quem navega no movimento trovístico. Somando-se a tantas outras perdas imensuráveis, dessa vez perdemos no mesmo dia duas expoentes da Trova Literária brasileira: MARIA MADALENA FERREIRA (Minho, 23.02.1939 – Magé, 21.02.2026) e NEIDE ROCHA PORTUGAL – Bandeirantes/PR. Neide já não vinha participando com assiduidade há um bom tempo mas suas trovas eram diferenciadas. Uma artista completa. Tenho em minha sala um quadro pintado por ela, que recebi em 2012, quando fui homenageado em Bandeirantes/PR. E Madalena era, com toda certeza, um dos seres humanos mais queridos que já conhecemos. Um doce de pessoa! Ia a todos os eventos (ela era premiadíssima) e ainda se encarregava de receber troféus em nome de amigos que não puderam comparecer, fazendo-os chegar até eles em data oportuna. Graças a essa fraterna iniciativa ela, mais Therezinha Brisolla, receberam dos trovadores a carinhosa alcunha de “Sacoleiras da UBT”. Lutou tanto para obter o título de “Magnifica Trovadora” em Nova Friburgo; bateu na trave tantas vezes, mas não foi agraciada. Uma pena, pois talento nunca lhe faltou.
Doravante Magé já não a terá desfraldando a bandeira do município por onde passava. Irá desfraldá-la, agora, em um lugar muito especial, onde só entram os realmente bons.
Vão em paz, queridas irmãs-trovadoras.
Trovas de Neide Rocha Portugal
Perdido na escuridão,
sem saber se é noite ou dia, (Venc. São Paulo 1994)
pede o cego, na oração:
“Senhor, protege o meu guia!”
Vim devolver meu marido,
que nada mais me oferece:
no frio fica encolhido,
e no calor... amolece!
Trovas de Maria Madalena Ferreira:
Da morte? - Sim, tenho medo,
mas temo mais pelo além...
- Esse insondável segredo
não revelado a ninguém!..
Meu barco – velho e sem lastro – (Menção Honrosa em Porto Alegre - 2007)
não sobe nem mansos rios!...
- Murcha a vela... entorta o mastro...
(E eu, na rede... “a ver navios”...)
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Nossa homenagem:
Em noites de tempestade
as lembranças haverão
de aflorar nossa saudade
quando ouvirmos um “trovão”...
J.O.