Patrulhamento nas Redes Sociais - abril/2026

                                                                     falandodetrova.com.br

                                PATRULHAMENTO MÉTRICO E RÍMICO NAS REDES SOCIAIS

       O uso do internete veio, sem dúvida, trazer um grande facilitador para os concursos de trova. Por outro lado, muitos grupos de trovadores internautas criados nas redes sociais não estão conseguindo atingir o mesmo objetivo, isto é, contribuir para um aprimoramento da qualidade de nossas trovas. Não falo de alguns “sites” ou “blogs” bem estruturados, verdadeiros portais da boa informação trovadoresca como, por exemplo, o “site” da UBT Nacional ou este utilíssimo “Falando de Trova”; refiro-me a grupos criados para o exercício diário do trovar e muito procurados principalmente por trovadores novatos (não confundir com a categoria Novos Trovadores), seduzidos pelo fascínio que a trova exerce sobre todos.

       E qual seria o mal disto? Nada tenho contra a confecção intensa de trovas, mas noto que, dominados pela persecução da forma perfeita, da rima impecável, dentro do rigor imposto pelas normas cada vez mais rigorosas para as trovas de concursos, os novatos estão considerando a trova apenas por este aspecto, e não se dedicam a uma pesquisa histórica mais profunda dos grandes trovadores do passado. Resultado: grandes quantidades de trovas até premiadas, perfeitas segundo os cânones ubeteanos atuais, sem iniciais maiúsculas em cada verso etc e... sem qualquer achado considerável, às vezes sem sequer uma ideia criativa, original.

       De tais grupos não costumo participar ativamente (fico “atrás do toco”, como dizíamos nos tempos de radioamadorismo), mas, vez ou outra, gosto de publicar neles os meus “Comentando Trovas” com o único fim de lembrar aos neotrovadores que a boa trova não pode se resumir apenas na FORMA PERFEITA, mas precisa conter também uma ideia, um achado, uma metáfora, um fundo, enfim precisa conter POESIA, como nos ensina Luiz Otávio em seu Decálogo:

                                               Na trova, soneto ou poema,
                                               em toda a parte do mundo,
                                               se a Forma é seu diadema,
                                              a sua alma é sempre o Fundo!

       Tenho notado ainda que entre os componentes desses grupos há frequentemente um intenso patrulhamento mútuo motivado pela obsessão da forma perfeita: métrica, rima, linguagem, em muitos casos apontando-se “erros” absolutamente inexistentes, o que mostra um desconhecimento enorme dos fenômenos fonéticos do verso. Às vezes, um animado iniciante publica uma despretensiosa quadra e logo vem o comentário de outro iniciante: “Bênção e pensam” NÃO rimam! “Mágoa” NÃO rima com “água”! – pode ver, está lá no Manual Oficial da trova da UBTN... Há dezenas de patrulheiros da boa forma espalhados pelas Redes Sociais. Arre!

       Algo precisa ser feito para que a qualidade do conteúdo das trovas melhore. Os trovadores veteranos que participam destes grupos e que muitas vezes são considerados verdadeiros “gurus” pelos novatos poderiam aproveitar a credibilidade de que desfrutam para enfatizar a importância de se colocar mais “alma” nas  omposições, e parar com este patrulhamento que só desmerece os companheiros. Mas, infelizmente, quase sempre, é o contrário que acontece – ativa-se ao máximo a busca ao pé quebrado, à rima imperfeita (é assim que chamam a rima toante!), à letra maiúscula inicial etc etc. 

       E, afinal, ainda dizem alguns que atualmente é que se pratica a chamada “Trova literária”.  Será?

 

(texto de Renato Alves – UBT-Rio de Janeiro)