Paulo Nunes Batista

Imagem removida.PAULO NUNES BATISTA

nasceu em João Pessoa, Paraíba, a 02 de agosto de 1924, filho de Francisco das Chagas Batista (poeta popular) e Hugolina Nunes Batista (filha do cantador Hugolino do Teixeira), casou-se com D. Eulina Silva Batista, com quem teve 11 filhos. Começou a versejar aos doze anos. Compôs mais de 300 cordéis, além de dois outros livros: "Canto Presente" - poemas e "Cantigas da Paz" - trovas, com prefácio de Lilinha Fernandes.. Residiu em pelo menos nove estados do Brasil.  Foi delegado da União Brasileira de Trovadores em Anápolis/GO.

A gente paga o que deve,

sem recurso ou petição:

sentença que Deus escreve

não tem mais apelação!



Fala, mas, com tal proveito,

tal calma e ponderação,

que, corrigindo um defeito,

não revoltes teu irmão.

O sorrriso de ironia

fere mais, mas muito mais,

que o riso de zombaria

com seus sonoros punhais.

Saudade... múmia florida,

desejo fossilizado,

estendendo o mar da vida

aos litorais do passado.

Quanto mais a mão levanto

para meu sonho alcançar,

tanto mais eu vejo quanto

é doloroso sonhar.

Sinto um remorso danado

à beira do teu jazigo,

de meu único pecado:

não ter pecado contigo!

A casa ficou tão grande

depois de tua partida,

que por mais que nela eu ande

não consigo achar saída...

Diz muita gente, iludida:

- Eu levo a vida... E nem sente

que a gente não leva a vida:

a vida é que leva a gente!

O perigo só enfrentes

se a vitória tens segura:

audácias inconsequentes

são indícios de loucura.

Vê de que modo cultivas

a verdade, pois senão,

ao cultivá-la, incentivas

discórdia, perturbação.

Com quem faz barulho, evita

discutir, polemizar:

quem se afoba, e exalta, e grita,

como te pode escutar?

Se, ao fazer-se o bem, se espera

recompensa, gratidão,

o bem feito degenera

numa vil negociação...

A humanidade profana

somente a Dor ilumina:

- onde acaba a ciência humana,

começa a Ciência Divina!

Não vem a felicidade

do lugar onde eu esteja.

- Ela é fruto, na verdade,

daquilo que eu mesmo seja!

Cidade: os arranha-céus

são, nas tuas mãos de asfalto,

teus dedos - mostrando Deus,

para que olhemos mais alto!

Brilham luzes coruscantes

na noite que tudo invade,

como um colar de brilhantes

sobre o peito da cidade.

Era feia!  Ave Maria!

Mas tão feia, a Marieta,

que a si, no espelho, dizia:

- Deixa de fazer careta!

Penso nisto: de onde veio

o homem - esse ser complexo?

- Do sexo, que está no meio?

- Do meio, que está no sexo?

 

O Zezinho da comadre

casou bem - casou nos três:

casou no juiz, no padre,

e, antes, casou no xadrez.