Benny Silva - São José do Rio Pardo/SP

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BENNY SILVA   nasceu em São José do Rio Pardo/SP, em 03 de novembro de 1928, filho de Antonio Theodoro da Silva e Escolástica Cândida de Jesus. Foi o nono, entre doze irmãos. Com apenas sete anos de idade, sua família mudou-se para Poços de Caldas, em Minas Gerais, onde estudou e constituiu família. Era fã principalmente de Belmiro Braga e Antônio Sales. Seu primeiro livro publicado foi: "Trovas Dentro da Noite". Em 1957 mudou-se para Belo Horizonte, onde se tornaria um conceituado cabeleireiro. Sem deixar de escrever, publicou, em 1960: "Ao Bater do Coração" e "Pétalas ao Vento", todos de trovas. Na coleção "Trovas e Trovadores, editada por Aparício Fernandes e Zalkind Piatigorsky em 1963, através da Livraria Freitas Bastos, que consta de 22 volumes de autores diferentes, com cem trovas cada um, a obra de Benny Silva foi selecionada e aparece sob nº 16, sob o título de "Cantigas da Minha Rua". Intensamente exaltado por grandes autores, inclusive pelo próprio Aparício, Benny Silva é um dos maiores autores de trovas de todos os tempos. Um primor em trovas românticas. Uma excelência em trovas de humor.  Um trovador completo.

 

Entre risos e carinhos,

num lar de mil esperanças,      (Juiz de Fora - 1962) 

eu e meus quatro filhinhos

formamos cinco crianças...



Há, doce mãe, eu bem sei,

mistérios em nossos laços:

- No teu ventre eu não pesei

e não me pesas nos braços.



Quis rasgar o teu retrato,

mas, que tristeza, que sina...

- Até no papel, o ingrato

do teu olhar me domina!



Não só pelo próprio bem,

mas também das outras vidas,

nunca ensines a ninguém

aquilo de que duvidas.



Ficou, Rosa, em teu caminho,

tanto perfume, que ouvi

o murmúrio de um ceguinho:

- Passou rosa por aqui?



Coração que a todos ama,

imita o sol majestoso;

pois, quanto mais luz derrama,

mais se torna luminoso.



Enviei-te tantas cartas...

Tu nenhuma me enviaste.

- Mudaste de residência,

ou foi de amor que mudaste?



Nunca mais direi "não te amo",

quando me zangar contigo.

Não vale a pena... Meus olhos

desmentem tudo o que digo!



Muito carinho não faça,

se me quer eternamente:

- Até o que é bom, quando passa

a ser muito, enjoa a gente.



Queres-me pouco, querida;

mesmo assim, és meu encanto...

Não tiv e ainda na vida

um pouco que fosse tanto!...



O mundo é um jogo de dado,

de tanto que a vida é incerta.

Às vezes, jogando errado,

é que muita gente acerta...



A vida não é pesada

como tanta gente fala;

a vida não pesa nada

para quem sabe levá-la...



A sina dos trovadores

é ver tornarem-se leves

as suas pesadas dores

nesses quatro versos breves...



Quando Deus, dizem os sábios,

criou este mar de escolhos,

tinha um sorriso nos lábios

e uma lágrima nos olhos...



Não sei de enfeite, na vida,

que mais me ponha enfeitado

que esse de ver-te, querida,

assim tão linda ao meu lado!



Quando voltaste sorrindo,

anotei em meu caderno:

- O sol, enfim, vem-se abrindo,

depois de inclemente inverno...



Não mais tenho o doce agrado

desse amor que era tão puro!...

Mesmo tendo-te ao meu lado,

eu ainda te procuro...



Ouve um conselho profundo,

menina linda e travessa:

este mundo não é o mundo

que tu trazes na cabeça...



Não só pelo próprio bem,

mas também das outras vidas,

nunca ensines a ninguém

aquilo de que duvidas.



Se a minha presença fosse,

ah, se ela fosse, meu Deus,

para os teus olhos, tão doce

como é a tua, para os meus!



Eu não peço o teu amor,

embora te queira bem;

não peço, seja a quem for,

o que vejo que não tem...



Esperança, minha gente,

é do velhinho matuto,

que, idoso, planta a semente,

pensando em colher o fruto...



O mundo, amargo desterro,

de contraste está coberto:

- O certo tornou-se um erro

e o erro tornou-se o certo...



Trova de meu próprio punho

que você, querida, lê,

por mais lírica, é rascunho

do que eu sinto por você.



Em nosso peito algo ocorre

que muito nos martiriza:

quando um belo sonho morre,

surge a saudade e o eterniza...



Tais rusgas me fazem ver

que de esquecer-te careço;

mas, em vez de te esquecer,

é das brigas que me esqueço...



Tal e qual um beija-flor

que, no seu mundo risonho,

vai, feliz, de flor em flor,

vou também de sonho em sonho...



Quem entende e sente a fundo

uma ideia grande e bela,

é tão grande, tão profundo,

talvez tanto quanto ela...



Na minha alma entristecida

a ambição não tem entrada:

vale ter tudo na vida,

sendo a própria vida um nada?



- És tão linda! Disse-te eu.

- "Mentiu!" Disseste e sorriste.

- O teu olhar respondeu

que foste tu que mentiste...



Coração que a todos ama,

imita o sol majestoso;

pois, quanto mais luz derrama,

mais se torna luminoso.



Enviei-te tantas cartas...

Tu nenhuma me enviaste.

- Mudaste de residência,

ou foi de amor que mudaste?



Nunca mais direi "não te amo",

quando me zangar contigo.

Não vale a pena... meus olhos

desmentem tudo o que digo!



Muito carinho não faça,

se me quer eternamente:

- Até o que é bom, quando passa

 a ser muito, enjoa a gente.



O mundo é um jogo de dado,

de tanto que a vida é incerta.

Às vezes, jogando errado,

é que a gente muito acerta...



Queres-me pouco, querida;

mesmo assim, és meu encanto...

Não tive ainda na vida

um pouco que fosse tanto!...



A vida não é pesada

como tanta gente fala;

a vida não pesa nada

para quem sabe levá-la...



A sina dos trovadores

é ver tornarem-se leves

as suas pesadas dores

nesses quatro versos breves...



Dizem-me, da que desejo:

- "Que viu nela?... Nada tem!..."

- Por certo o que veem, não vejo;

o que vejo, eles não veem...



Quando Deus, dizem os sábios,

criou este mar de escolhos,

tinha um sorriso nos lábios

e uma lágrima nos olhos...



Não sei de enfeite, na vida,

que mais me ponha enfeitado

que esse de ver-te, querida,

assim tão linda ao meu lado!



Quando voltaste sorrindo,

anotei em meu caderno:

- O sol, enfim, vem-se abrindo,

depois de inclemente inverno...



Não mais tenho o doce agrado

desse amor que era tão puro!...

Mesmo tendo-te ao meu lado,

eu ainda te procuro...



Ouve um conselho profundo,

menina linda e travessa:

este mundo não é o mundo

que tu trazes na cabeça...



Não só pelo próprio bem,

mas também das outras vidas,

nunca ensines a ninguém

aquilo de que duvidas.



Se a minha presença fosse,

ah, se ela fosse, meu Deus,

para os teus olhos, tão doce

como é a tua, para os meus!



Eu não peço o teu amor,

embora te queira bem;

não peço, seja a quem for,

o que vejo que não tem...



Esperança, minha gente,

é do velhinho matuto,

que, idoso, planta a semente,

pensando em colher o fruto...



O mundo, amargo desterro,

de contraste está coberto:

- O certo tornou-se um erro

e o erro tornou-se o certo...



Em nosso peito algo ocorre

que muito nos martiriza:

quando um belo sonho morre,

surge a saudade e o eterniza...



Tais rusgas me fazem ver

que de esquecer-te careço;

mas, em vez de te esquecer,

é das brigas que me esqueço...



Tal e qual um beija-flor

que, no seu mundo risonho,

vai, feliz, de flor em flor,

vou também de sonho em sonho...



Quem entende e sente a fundo

uma ideia grande e bela,

é tão grande, tão profundo,

talvez tanto quanto ela...



Na minha alma entristecida

a ambição não tem entrada:

vale ter tudo na vida,

sendo a própria vida um nada?



Ser poeta é ter sutilezas

de essências quase divinas...

- É ver infindas grandezas

nas coisas mais pequeninas...



Enviei-te cartas tão belas,

sem ter respostas de ti:

o consolo é pensar que elas

se perderam por aí...



Disseste em ternos acenos,

que amar é o mais doce encanto.

Quem me dera amar-te menos,

que assim não sofria tanto...



Beijo-te e abraço, meu bem,

em meio a bulício louco...

Ah, quem me dera que o trem

atrasasse mais um pouco!...



O eterno desentender,

que nos surge por uns nadas,

enche-me de inveja, ao ver

dois velhinhos de mãos dadas...



Quem foge de Deus, não vê

que é como um rio a rolar

e, por mais voltas que dê,

o destino é sempre o mar...



Amor próprio é um inimigo

que temos dentro de nós;

pois quantas vezes, amigo,

somos nosso próprio algoz!...



Todo ateu se esquece disto

que, feliz eu não olvido:

Deus não é para ser visto,

mas, sim, para ser sentido...



- Nasci para ti, meu bem.

Eu te disse em doce voz...

Como é triste ser de alguém

que não nasceu para nós.



Eu não encontrei ainda

na minha vida, Senhor,

uma linguagem mais linda

que a de um sorriso de amor.



O mal de muitos casais

é o dinheiro - ó mundo louco! -

uns, é porque têm demais,

os demais, porque têm pouco.



O amor, que tinhas por mim,

não morreu com a tua ida;

não pode morrer, enfim,

o que nunca teve vida...



Ser crente, ou mesmo descrente,

pouco importa ao fado meu,

que Deus deixa muito crente,

vai morar em seio ateu...



Não vê exemplos tão nobres,

quem no orgulho se acomoda:

crianças ricas e pobres

brincando juntas, de roda.



Ansioso busca o povo

todo o mundo para si;

eu só queria de novo

o pouco que já perdi.



A luta, filho, não tema,

que será muito melhor;

homem que não tem problema,

tem o problema maior...



As tuas mãos tão pequenas,

em graça, assim tão sozinhas,

Deus as criou para apenas

caberem dentro das minhas...



Ó menina tão bonita,

nunca vi beleza assim;

julgo at´q, quando me fita,

que vem outro atrás de mim...



Detesto sair contigo...

Fitam-me... e de que maneira!...

Vejo até cego mendigo

esquecer-se da cegueira...



Na vida alcançar bom clima,

muito difícil eu acho:

se um me impele para cima,

dez me empurram para baixo.



Não guardo nenhum rancor,

pela tua ingratidão;

não me dás o teu amor,

mas me dás inspiração...



Quanto a esta indiferença,

outra, é certo, não a iguala:

homem não fala o que pensa,

mulher não pensa o que fala.



Todas as vezes que partes,

acarinho-te sem queixas:

é que a ventura que trazes

vale a saudade que deixas.



O imenso mundo terreno

faz dos homens uns tristonhos,

porque sempre foi pequeno

para conter-lhes os sonhos...



Teu nome, por esquisito,

por mais feio que ele for,

sempre o sentirás bonito

na boca do teu amor.



Se na ambição não me afundo,

a razão assim se explica:

- Quando vim, já havia o mundo;

quando for, o mundo fica...



Trova de meu próprio punho

que você, querida, lê,

por mais lírica, é rascunho

do que eu sinto por você.



TROVAS DE BOM HUMOR​:

Se usa traje curto e justo,

por que então, ao se sentar,

ela tenta, a todo custo,

cobrir o que quer mostrar?...



De noite eu a vi - que bela!

Fugiu-me, mal lhe sorri...

De dia, porém, ao vê-la,

aí fui eu que fugi...



Moça que sabe beijar

não conquista o meu amor;

- se ela beijos sabe dar,

teve, é claro, um professor...



- "Eu já vivi outra vida",

diz um espírita em festa;

mas no fundo ele duvida,

muitas vezes, até desta...



A Assembléia faz-se quente,

saem tiros... corre-corre...

_ O que dá raiva na gente

é saber que ninguém morre!...



Se te deixou certa amada,

desprezando o compromisso,

sem que lhe fizesses nada,

muitas vezes foi por isso...



Há trovas tão engraçadas

e tão repletas de "humor",

que, às vezes, damos risadas,

não delas, mas sim do autor...



A Maria do meu bairro

é por um beijo tão louca,

que, embora não fume, traz

cheiro de fumo na boca.



Quando a lua de mel passa

e os noivos chegam, - ai deles! -

por muito que a gente faça,

fica sem graça... como eles...



Há três tipos de mulher:

a enganada e não engana,

a que trai por ser traída...

e a que trai por ser mundana...



A mulher, quando é casada,

ao trem de ferro é igualzinha:

- se o maquinista dormir,

o trem sai fora da linha.



Duvide lá quem quiser,

mas, ó vida, me insinuas:

melhor do que uma mulher,

não há dúvida, só duas...



Depois de tanta canseira,

o candidato, coitado,

quer na Câmara cadeira

para, enfim, se ver sentado...