Durante esse tempo que passo pesquisando nomes de antigos trovadores na Internet, muitas vezes me deparo com surpresas. Como esta, por exemplo, quando ao pesquisar o nome de Jesy Barbosa - grande trovadora, 6ª colocada nos I Jogos Florais de Nova Friburgo, tema "Amor", e campeã dos Jogos Florais friburguenses de 1962, tema "Ciúme", por pouco não se tornando a primeira Magnífica Trovadora da história de nossa Trova - descobri que, como muitos outros pesquisados, sua contribuição para com nossa Pátria, também em outros campos, foi imensurável.  Partilho minha emoção com você, através da materia abaixo:
                                                   José Ouverney

 

Jesy Barbosa, Muitos Anos de Saudade
 Texto e Pesquisa de MARCELO BONAVIDES.

     Esse meu blog está se iniciando com homenagens póstumas. Mas elas são merecidas.

     Quero enfocar nessa postagem uma cantora que descobri em 1989. Eu procurava outra intérprete quando me deparei com sua foto na capa de um LP. Era um disco relançando gravações feitas entre 1929 e 1931, aproximadamente. Os outros intérpretes a dividirem com ela esse LP eram Elisinha Coelho, Sylvio Caldas e Breno Ferreira.

     Seu olhar meigo e terno me cativou e, depois de ouvir sua voz e como interpretava as músicas, tornei-me fã.

     Seu nome é Jesy Barbosa. Hoje, injustamente esquecida. Mas, a maioria das grandes intérpretes de nossa música passada está em igual situação. Meu medo é tornar esta página um pouco amargurada, mas farei força para que seja o contrário. Porém, a verdade tem que ser dita.

     Jesy foi o grande nome feminino escolhido pelos executivos da gravadora Victor quando resolveram instalar uma filial aqui no Brasil, especializada em nossa música. Era ela o nome forte para chamar a atenção do público.

     Suas primeiras gravações foram Medroso de Amor, samba-canção de Zizinha Bessa e Olhos Pálidos, canção de Josué de Barros. Jesy fez a gravação no dia 11 de Setembro de 1929 e o disco foi lançado em Novembro daquele mesmo ano.

     Em 1930 foi eleita Rainha da Canção Brasileira, vencendo nomes de peso como Zaíra de Oliveira, que ficou em segundo lugar, e a jovem iniciante Carmen Miranda que, demonstrando coleguismo e amizade, ao ver que estava fora do pelito juntou-se à torcida da futura vencedora.

     Em Abril de 1933, nossa artista é entrevistada pela revista Vida Doméstica. O título da reportagem, poético como a entrevistada, é significativo em sua vida - Violão, meu companheiro. Nella, Jesy afirma "...sou campista. Quero muito bem á minha terra...nasci mesmo no coração de Campos." À pergunta "...e esse violão invejável porque os seus dedos longos o acariciam, como entrou na sua vida?" ela responde "Não entrou. Elle já estava. Quando me conheci por gente, elle era mais alto do que eu, empunhava-o pequititinha...".

     - Estás brincando; isso é uma história lindamente inventada. A entrevista segue... Os grandes olhos luzentemente negros de Jesy Barbosa pousam cheios de uma claraverdade na observação, num gesto reprehensivo de confirmação. E a bocca, onde dormem todas as sonoras harmonias das vocalizações triunphaes das grandes noites de seratas d´honore, com apllausos febricitantes e coroações sagradoras, deixa cahir, uma a uma, as palavras emotivas de uma evocação que põem um lugar antigo dentro da alma:

     - Era o violão de mamãe.

     Seu pai, Luiz Barbosa (não confundir com o cantor) era poeta, tendo no violão um camarada das madrugadas lyricas de rapaz, cheio de sonhos e de talento. Em uma época onde o instrumento não pertencia às rodas aristocráticas, o jovem apaixonou-se por uma moça da sociedade de Campos, Srta. Victoria Barbosa. Sentindo que era correspondido em seu amor, Luiz tratou de esconder da amada o violão. Noivaram e, quando ja estavam casados, foi tomado de grande surpresa ao ver entrar em sua casa um violão! Sua esposa, entre sorrisos, confessou que também tocava o instrumento e escondera esse detalhe como o noivo havia escondido sua predileção artística. Dessa união de grandes sensibilidades artísticas e o determinismo da belleza se affirmaria quando ao inicial-a a senhora sua mãe no manejo do violão, alcançaria dentro em pouco em o meio do Rio de Janeiro, as glórias de precursora da divulgação de nossos cantares regionaes atravéz do radio, cujos programmas eram recem irradiados.

     Estudiosa, sem vaidade continuou progredindo sempre, e "Rainha da Canção" (sic) , proclamada em memorável pleito, cursava as aulas de canto com Madame Show, que a iniciou e a formou nessa arte.

     Ao pedirem que lhes autografe a entrevista, com uma citação sobre ela própria, a cantora escreve:

"Quando nasci, Fatalidade mandou que Tristeza me puzesse uma cantiga no coração" .
Jesy Barbosa

 

     Também era poetisa e jornalista. O poeta Orestes Barbosa definiu Jesy como "uma figura macerada, com os olhos esquecidos no rosto triangular, e adicção perfeita, tirando os efeitos originais, falando dentro da música, preferindo as canções de emoção e pensamento - a última romântica num raro grupo que resiste na última trincheira da valsa que é a musicalidade da carta de amor..."

     Jesy Barbosa nasceu em 15 de Novembro de 1902 e faleceu no Rio de Janeiro em 30 de Dezembro de 1987, aos 85 anos.

IMPORTANTE!
Se você gostou das matérias e for copiá-las, FAVOR colocar o crédito do texto, bem como o nome do pesquisador.
Obrigado.

Postado por Marcelo Bonavides

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NOTA = se você quiser acompanhar as trovas de Jesy Barbosa, bem como mais informações a seu respeito, visite sua página: 
www.falandodetrova.com.br/jesy

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